quarta-feira, 25 de julho de 2007

As tragédias inesquecíveis da TAM



Há 11 anos no banco dos réus

Não há nada mais importante e com maior prioridade do que a tragédia do Airbus da TAM, com 200 mortos. A história da TAM vem de longe, é uma relação de mortos insepultos, de indenizações não pagas, de consideração não prestada, de desrespeito aos vivos, à opinião pública em geral, ao governo. Exibição de hipocrisia.

Não tenho nem espaço para tudo que vai chegando ao repórter. A matéria de hoje é escrita em cima de dados fornecidos por um comandante que voou 36 anos pela Varig. Para início, 3 episódios ocorridos com a TAM, sempre ela.

1 - O desastre com o Foker 100, em 1996. Explosão que abriu um buraco na fuselagem. 99 mortos. Como sempre, a TAM foge das responsabilidades, "inventou" a história de que um "professor carregava uma bomba dentro de uma pasta". Inverdade total, jamais comprovada. Sempre desmentida.

Realidade irresponsável: esse avião pertencia à companhia Taba. Foi abalroado por um caminhão de abastecimento, que provocou o buraco na fuselagem. Mais tarde o avião foi comprado pela própria TAM, que fez um conserto péssimo. A pressão para manter pressurizada a cabine ao nível do mar é muito maior interna do que externamente. Logo houve a ruptura com o péssimo conserto, explosão, 99 mortos. Como no Brasil tudo é possível, a TAM "inventou" a bomba e o professor.

2 - Esse mesmo Foker 100 da TAM, que assassinou 99 pessoas, tem a seguinte história que não foi contada na época nem depois. Saiu de Caxias do Sul com destino ao Rio. Escalas: Curitiba e São Paulo. Na decolagem, o chefe da manutenção da TAM observou: "A concha do reverso de uma das turbinas do avião durante a decolagem estava abrindo e fechando, seguidamente".

O mecânico telefonou para a manutenção em Curitiba (primeiro pouso) informando o fato. Em Curitiba, a manutenção "frenou" com arame a referida concha, recomendando que trocassem de avião em SP, próxima escala. Em SP, como não havia aeronave disponível, o comandante Rolim, pessoalmente, mandou retirar o "freno" da concha defeituosa.

No Santos Dumont era proibido operar sem o reverso das turbinas. O piloto não deveria ter aceitado levantar vôo com esses problemas. Mas desrespeitar uma ordem do presidente Rolim era demissão certa. Todos na TAM e fora da TAM conheciam os métodos do dono da TAM.

Durante a decolagem de Congonhas para o Santos Dumont, ao atingir a velocidade necessária, abriu a concha, o Foker despencou. Numa outra decolagem de um Foker 100 da mesma TAM, a porta traseira se desprendeu, felizmente o piloto conseguiu pousar sem tragédia.

Recebo informações de todos os lados sobre as tragédias da TAM, mostrando crimes monstruosos não só da empresa, mas dos órgãos públicos, que eternizam a impunidade dessa trágica mas poderosa TAM.

PS - Como o presidente Lula não encontra ninguém para colocar como ministro da Defesa, por que não adota a melhor solução que é acabar com esse ministério inútil?

PS 2 - É preciso criar, com urgência (como existe nos EUA, e devemos repetir os bons exemplos), um órgão de fiscalização que não atue depois da tragédia, e sim antes, para evitá-las?
Helio Fernandes

Nenhum comentário:

Marcadores