O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado nesta segunda-feira que são improcedentes as afirmações que indicam que o piloto do Airbus- A320 não teria tentado arremeter no dia do acidente. A Folha Online apurou que a informação foi transmitida nesta segunda-feira ao presidente pelo brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).
De acordo com Kersul Filho, no grau em que estão as investigações envolvendo a caixa-preta do Airbus A-320 não se pode afirmar nada nem especular dados. O brigadeiro telefonou hoje para o presidente da República, informando sobre o andamento das investigações.
A negativa do militar foi uma resposta à informação do deputado Efraim Filho (DEM-PB), que está em Washingnton (EUA), acompanhando as investigações sobre a caixa-preta. Segundo o parlamentar, a avaliação preliminar na caixa-preta do Airbus-A320 da TAM mostra que o piloto não tentou arremeter o avião para impedir o acidente que deixou cerca de 200 mortos, na última terça-feira. "Ao terminar a pista, a aeronave teve uma trajetória elíptica. Não há nada que indique que ela tinha potência para decolar, nenhum dado na caixa-preta que diga que o piloto tentou retomar a velocidade", afirmou à Folha Online Efraim Filho.
Para o deputado, o piloto tentou frear a aeronave antes da colisão com o prédio da TAM Express, reforçando a tese de falha mecânica no Airbus, aliada a problemas na pista de Congonhas.
"O motivo por que o piloto não conseguiu frear é o grande "X" dessa questão. Foi um problema do motor, da pista? Eu tenho convicção de que a pista não tinha condições adequadas de segurança. Mas temos que investigar tudo, inclusive a possibilidade de falha humana", afirmou. Efraim Filho e o relator da CPI do Apagão na Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), estão nos Estados Unidos para acompanhar a transcrição dos diálogos registrados pela caixa-preta do Airbus. Segundo Efraim Filho, os peritos devem ter amanhã os primeiros resultados das análises preliminares da caixa de voz da aeronave, que registrou os diálogos dos pilotos do Airbus. Ele e Maia já tiveram conversas com técnicos do NTSB (National Transportation Safety Board) --órgão que realiza a perícia na caixa-preta-- e com autoridades do governo brasileiro nos EUA.
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