terça-feira, 17 de julho de 2007

INFORMAR COM PRECISÃO


Informar com precisão é dever elementar de qualquer veículo de comunicação que se pretenda isento e honesto com seu público. Semana passada, foi preso na cidade de Pompano Beach, norte de Miami, um brasileiro, de 24 anos, acusado de molestar um menino de 11 anos. Ele acabou confessando à polícia mais três investidas do mesmo tipo contra outras crianças.

Thiago, o nome do brasileiro, é músico e trabalhava nessa função para duas igrejas que funcionavam no mesmo prédio, uma americana e uma brasileira. Nos Estados Unidos, as pessoas que trabalham em serviços religiosos integram um “ministério” (acho que no Brasil é assim também). Thiago era, portanto, membro do ministério do louvor, ao qual estão ligados os músicos. Por isso mesmo, alguns veículos do sul da Flórida o chamaram de “youth minister”.

No Brasil, o Globo, em sua versão on line, preferiu promover Thiago a “pastor evangélico brasileiro”. A notícia poderia ter sido um prato cheio para quem está numa guerra santa contra as chamadas igrejas pentecostais, como a Universal e a Renascer, ambas, sobretudo a primeira com a Record, crescendo numa área onde a Globo sempre reinou absoluta. Mas não foi pra frente, talvez porque logo se descobriu que Thiago não passa de um aventureiro, que nunca exerceu as funções de pastor.

Para o leitor tudo ficou por isso mesmo, não houve nenhum desmentido ou esclarecimento. Faltou uma pesquisa mais acurada sobre a informação, mas será que o Globo OnLine tinha interesse na verdade? Quem leu a notícia ficou com a informação enganosa e cheia de segundas intenções.

Sobre o mesmo assunto, informação imprecisa, leio no Consultor Jurídico que “A TV Globo está obrigada a pagar R$ 1,2 milhão de indenização por danos morais ao desembargador paulista Mariano Siqueira, sob pena do bloqueio do valor na conta-corrente da empresa”.

A história começou em 2003, quando o Jornal Nacional veiculou reportagem sobre a chamada “Operação Anaconda”, ligando o nome do desembargador ao do Delegado Bellini, acusado de chefiar um esquema de corrupção na Justiça.

Provada sua inocência, o desembargador, ultrajado moralmente, correu atrás de seus direitos na Justiça e a Globo tem levado pau em todas as instâncias. No primeiro julgamento, a emissora foi condenada a pagar uma indenização equivalente a 152 mil reais. De recurso em recurso, o valor foi subindo e está hoje em 1 milhão e 200 mil reais, quantia calculada com base no custo dos comerciais divulgados nos intervalos do JN.

A briga é boa. De um lado, o esprit de corps dos tribunais que pode estar trabalhando em favor do Desembargador Siqueira, de outro uma emissora que destroi quem ouse atravessar seu caminho, pelo gigantesco poder que tem nas mãos.

O Brasil passa por uma grave crise de credibilidade. O que o consumidor de notícia espera é que a mídia não se deixe contaminar pelo mesmo vírus.

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