
Blindagem
Que tormenta poderá fazer naufragar a nau do presidente Lula? Nos seis primeiros meses do segundo mandato, os números da pesquisa VoxPopuli/CartaCapital/Band mostram que o presidente atravessou praticamente incólume as tempestades que enfrentou até agora: 61% dos entrevistados aprovam a atuação do governo contra 33% que desaprovam. Uma avaliação muito próxima ao apogeu do sucesso, alcançado no mês de outubro de 2006 (63% de aprovação), quando conquistou a reeleição.
Isso projeta a possibilidade de Lula se tornar um grande cabo eleitoral nas eleições presidenciais de 2010. A história das eleições mostra que transferir votos, pelo simples ato de apontar o dedo, nem sempre surte efeito. Mas a pesquisa mostra que é boa a reação do eleitor em relação a Lula como cabo eleitoral. Dependendo do candidato, 38% dos eleitores poderiam votar no nome que Lula indicasse e 16% dizem que votariam nesse nome “com certeza”.
Para Lula e o governo, não foram poucas as tormentas nesse primeiro semestre de 2007. Embora tenha começado no fim do ano anterior, a crise dos controladores de vôo recrudesceu com uma greve relâmpago em março. Em maio, Evo Morales tirou os direitos da Petrobras de comercializar derivados de petróleo produzidos na Bolívia, mexendo diretamente com os interesses da estatal, o maior ícone do nacionalismo brasileiro. Ainda em maio, a Polícia Federal realizou a Operação Navalha, desmantelou uma suposta quadrilha que fraudava licitações públicas e botou em jogo, como suspeito, o ministro Silas Rondeau, de Minas e Energia. E, nos últimos dias desse mesmo mês, uma crise engolfou Renan Calheiros, um dos aliados no Congresso, em grave denúncia de que uma empreiteira custeou suas despesas pessoais.
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