Eliakin Araújo
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A estratégia de colocar pessoas espalhadas na platéia para puxar aplausos ou vaias parece que deu certo na abertura dos jogos pan-americanos no Rio. Quem frequentou os velhos comícios politicos da Cinelândia, sobretudo os que eram apoiados pelo Partido Comunista, conhece bem a tática. No fim de um algum tempo, os frequentadores habituais já sabiam até quem eram os “puxadores”, que na verdade faziam parte de um bem estruturado departamento de agitação de massas.
O prefeito Cesar Maia é catedrático nesse assunto. Para as gerações mais novas, vale lembrar que Maia é de origem esquerdista. Na juventude, foi membro do Partido Comunista Brasileiro e deve ter frequentado muitos comícios na Cinelândia. O golpe militar de 64 levou-o ao exílio no Chile, onde conheceu aquela que seria sua mulher e onde nasceu seu filho, e atual deputado federal, Rodrigo Maia. Voltou ao Brasil e à política pelos braços de Leonel Brizola. Foi seu secretário de fazenda e elegeu-se deputado federal, em 1986, na “onda brizolista” que mandou para Brasília gente como o cantor Agnaldo Timóteo e o Cacique Juruna. Ou seja, com seu passado nas hostes do PCB, Cesar Maia tem todo knowhow para ter patrocinado aquela vaia ao presidente.
De fato, faz sentido. Politicamente a vaia só interessava ao grupo do prefeito Cesar Maia, já que o governador Sergio Cabral é aliado do governo federal.
Bem, mas essa é apenas uma das teorias que tentam explicar a origem das vaias ao presidente. Há várias outras.
Como a de que a maioria das noventa mil pessoas que estavam no Maracanã não eram decididamente os eleitores de Lula, que além de estarem longe do eixo Rio / São Paulo não teriam dinheiro para pagar 250 reais pelo ingresso. Também faz sentido.
Outra explicação seria o espírito irreverente do carioca. O Rio sempre teve uma tradição oposicionista. Foi lá que um certo cidadão apedrejou a janela do ônibus onde estava o presidente José Sarney, depois de um evento no antigo prédio dos Correios, na Praça Quinze.
Foi lá também, nos idos do regime militar, quando só havia dois partidos políticos, Arena e MDB, que a população do Rio era a única, entre todos os estados da Federação, que votava nos candidatos do MDB, mesmo que fossem Negrão de Lima ou Chagas Freitas, só para mostrar seu descontentamento em relação aos militares, que apoiavam os candidatos da Arena.
Por outro lado, como explicar as vaias do público do Maracanã às delegações dos Estados Unidos, Venezuela e Bolívia? Afinal, não é o “imperialismo yankee” adversário ferrenho dos presidentes Chávez e Morales. Vá entender!
Enfim, as teorias estão aí para serem debatidas. Mas a grande polêmica que vai restar no fim de tudo é a oportunidade da vaia. Seria a abertura de uma competição internacional o cenário ideal para se demonstrar desagrado ao presidente da república? Particularmente, penso que não.
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A estratégia de colocar pessoas espalhadas na platéia para puxar aplausos ou vaias parece que deu certo na abertura dos jogos pan-americanos no Rio. Quem frequentou os velhos comícios politicos da Cinelândia, sobretudo os que eram apoiados pelo Partido Comunista, conhece bem a tática. No fim de um algum tempo, os frequentadores habituais já sabiam até quem eram os “puxadores”, que na verdade faziam parte de um bem estruturado departamento de agitação de massas.
O prefeito Cesar Maia é catedrático nesse assunto. Para as gerações mais novas, vale lembrar que Maia é de origem esquerdista. Na juventude, foi membro do Partido Comunista Brasileiro e deve ter frequentado muitos comícios na Cinelândia. O golpe militar de 64 levou-o ao exílio no Chile, onde conheceu aquela que seria sua mulher e onde nasceu seu filho, e atual deputado federal, Rodrigo Maia. Voltou ao Brasil e à política pelos braços de Leonel Brizola. Foi seu secretário de fazenda e elegeu-se deputado federal, em 1986, na “onda brizolista” que mandou para Brasília gente como o cantor Agnaldo Timóteo e o Cacique Juruna. Ou seja, com seu passado nas hostes do PCB, Cesar Maia tem todo knowhow para ter patrocinado aquela vaia ao presidente.
De fato, faz sentido. Politicamente a vaia só interessava ao grupo do prefeito Cesar Maia, já que o governador Sergio Cabral é aliado do governo federal.
Bem, mas essa é apenas uma das teorias que tentam explicar a origem das vaias ao presidente. Há várias outras.
Como a de que a maioria das noventa mil pessoas que estavam no Maracanã não eram decididamente os eleitores de Lula, que além de estarem longe do eixo Rio / São Paulo não teriam dinheiro para pagar 250 reais pelo ingresso. Também faz sentido.
Outra explicação seria o espírito irreverente do carioca. O Rio sempre teve uma tradição oposicionista. Foi lá que um certo cidadão apedrejou a janela do ônibus onde estava o presidente José Sarney, depois de um evento no antigo prédio dos Correios, na Praça Quinze.
Foi lá também, nos idos do regime militar, quando só havia dois partidos políticos, Arena e MDB, que a população do Rio era a única, entre todos os estados da Federação, que votava nos candidatos do MDB, mesmo que fossem Negrão de Lima ou Chagas Freitas, só para mostrar seu descontentamento em relação aos militares, que apoiavam os candidatos da Arena.
Por outro lado, como explicar as vaias do público do Maracanã às delegações dos Estados Unidos, Venezuela e Bolívia? Afinal, não é o “imperialismo yankee” adversário ferrenho dos presidentes Chávez e Morales. Vá entender!
Enfim, as teorias estão aí para serem debatidas. Mas a grande polêmica que vai restar no fim de tudo é a oportunidade da vaia. Seria a abertura de uma competição internacional o cenário ideal para se demonstrar desagrado ao presidente da república? Particularmente, penso que não.
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