Acho engraçado algumas pessoas criticarem o Governo LULA sob o ponto de vista da capacidade administrativa. Alegam, como é comum para Mírian Leitão, que a capacidade administrativa do PT passa a milhões de anos luz da Elite Tucana, esses sim, segundo ela, exímios administradores (noves fora apagão energético e infra-estrutura sucateada recebida como herança em 2002).
Quando vemos esses críticos deslumbrados na sua mais ruidosa manisfestação (fóruns da Mídia corporativista: Folha, Globo, Estadão) alegarem que tem "vergonha de ser Brasileiro", pois no Brasil tudo é tratado com desprezo, omissão, despreparo, haja vista o último acidente aéreo. Como se aviões só caissem no Brasi!!!
Saindo um pouco desse torrão Sul Americano e adentrando a terra do Tio Sam, onde sobra recursos financeiros e gente capaz até de enviar um homem à lua, permanecer dias e dias no espaço, etc, nos comovemos com a TRAGÉDIA DA PONTE DE MINNEAPÓLIS.
A ponte da rodovia W35 que desabou em Minneapolis (centro-norte dos Estados Unidos) ontem tinha "deficiências estruturais", segundo informações de uma base de dados federal divulgadas nesta quinta-feira. Ao menos quatro pessoas morreram na queda da ponte, que ocorreu pouco depois das 18h locais (20h de Brasília) desta quarta-feira, mas os trabalhos de resgate de corpos continuam e o número de mortos ainda deve aumentar.
Heather Munro/AP/Star Tribune
Ponte caiu ontem por volta das 18h --bem na hora do rush-- em Minneapolis
Oficiais de emergência citados pela rede de TV CNN afirmaram que os trabalhos de recuperação de corpos poderão levar vários dias. Vários carros foram lançados no rio Mississipi quando a ponte desabou --segundo a CNN, cerca de 50 veículos estão sob os destroços. Mais de 60 pessoas ficaram feridas e há dezenas desaparecidas.
Quando a próxima ponte vai desabar?
O desastre da ponte de Minneapolis não é um incidente isolado, mas um aviso: mais de 160 mil pontes rodoviárias nos EUA são consideradas em risco de desabamento.
A trágica seqüência de eventos contém tristes semelhanças com o colapso da ponte da rodovia Interestadual 35W em Minneapolis na quarta-feira, mais de 20 anos depois. As causas do acidente também parecem idênticas depois da investigação preliminar: desgaste, obsolescência, descuido.
Isso não surpreende os especialistas. "O estado ruinoso de nossa infra-estrutura representa uma ameaça real para a segurança pública e a economia do país", escreveu Bill Marcuson, presidente da Sociedade Americana de Engenheiros Civis (ASCE na sigla em inglês), no blog da entidade poucos dias antes do último desastre. "Financiar os reparos urgentes deve ser uma prioridade dos líderes de nosso país". Ao todo, a ASCE calcula que pelo menos US$ 1,6 trilhão precisam ser investidos para evitar outros desastres iguais ao desta semana.
No relatório de 2005, a ASCE deu notas para 160.570 pontes rodoviárias dos EUA (27,1%) como "estruturalmente deficientes ou funcionalmente obsoletas" em 2003 - em outras palavras, em perigo de desabar. No entanto, a ASCE acrescentou que isso era uma melhora em relação a 2000, quando 28,5% de todas as pontes estavam em condições insatisfatórias.
As pontes urbanas apresentam pior situação, com quase um terço consideradas deficientes. Entre outras coisas, isso se deve ao fato de que as administrações urbanas são responsáveis por essas pontes, e não a autoridade rodoviária dos EUA, a Federal Highway Administration (FHWA). A FHWA quer reduzir o número de pontes defeituosas para menos de 25% até o próximo ano. Então, como indica o chefe da ASCE, Marcusson, somente uma em cada quatro pontes estaria insatisfatória - o que dificilmente é uma situação tranqüilizadora. Reformar todas as pontes dos EUA exigiria pelo menos 20 anos e consumiria cerca de US$ 10 bilhões - dinheiro que ninguém quer gastar.
Péssima infra-estrutura rodoviária
As rodovias americanas receberam a péssima nota "D" da ASCE. Cerca de 332 mil quilômetros de rodovias cortam os EUA, a maioria delas construída na década de 1950. Centenas de rodovias são mantidas com a ajuda de cobrança de pedágio. No entanto, as más condições, buracos, asfalto rachado e superfícies quebradiças custam aos motoristas americanos US$ 54 bilhões por ano - US$ 275 por motorista - em consertos de veículos e custos operacionais causados por conduzir em estradas que necessitam de reparos.
O governo americano gasta hoje aproximadamente US$ 60 bilhões por ano em reparos de rodovias. Mas segundo os cálculos da ASCE é muito pouco: ela avalia os investimentos necessários em quase US$ 100 bilhões. Além disso, a Casa Branca recentemente previu que o Highway Trust Fund - uma reserva financeira usada para pagar a manutenção do sistema rodoviário, captada por meio de um imposto federal de 18,3 centavos por galão de gasolina - teria um déficit de US$ 4 bilhões até 2009. E essa é uma estimativa conservadora, segundo os congressistas democratas.
TANTO LÁ QUANTO AQUI EM SÃO PAULO: Incompetência NA CONSTRUÇÃO DE TÚNEIS
Os túneis rodoviários da América não estão em melhores condições - mesmo os novos. Em 11 de julho de 2006, várias lajes de cimento de 12 toneladas despencaram do teto do túnel Big Dig, que passa sob o centro de Boston e inaugurado no início de 2006, matando um motorista.
O desabamento do teto não foi um acidente absurdo, como as autoridades retrataram inicialmente, mas causado por incompetência. Desde então o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, um órgão federal independente responsável pela investigação de acidentes de transportes, descobriu que o desabamento foi causado por materiais de construção de má qualidade, trabalho malfeito pelas construtoras e descuido por parte do departamento rodoviário local, a Massachusetts Turnpike Authority.
A situação é muito pior com as cerca de 83 mil represas e barragens dos EUA. A catástrofe do furacão Katrina, que dois anos atrás derrubou o sistema de diques inadequado em torno de Nova Orleans e causou mais de 1.800 mortes, revelou problemas que não se limitam ao estado da Louisiana, sujeito a furacões. Segundo a ASCE, o número de barragens e represas "inseguras" aumentou em um terço, chegando a mais de 3.500 em todo o país desde 1998. O que é preocupante é que "o número de barragens identificadas como inseguras está aumentando em um ritmo mais rápido do que as que estão sendo reformadas", disse a ASCE.
Somente entre 1999 e 2006, 129 represas apresentam problemas nos EUA. Cerca de mil "incidentes com represas", que alertam os engenheiros para deficiências que ameaçam a segurança de uma barragem, foram relatados. Os estados rurais como Pensilvânia, Nova Jersey e Ohio são os que correm maior perigo. A represa Ka Loko, na ilha havaiana de Kauai, rompeu em março de 2006, matando sete pessoas. A represa do lago Cumberland em Kentucky foi salva do rompimento no último minuto, em janeiro de 2007, quando se baixou o nível da água.
A situação é muito pior com as cerca de 83 mil represas e barragens dos EUA. A catástrofe do furacão Katrina, que dois anos atrás derrubou o sistema de diques inadequado em torno de Nova Orleans e causou mais de 1.800 mortes, revelou problemas que não se limitam ao estado da Louisiana, sujeito a furacões. Segundo a ASCE, o número de barragens e represas "inseguras" aumentou em um terço, chegando a mais de 3.500 em todo o país desde 1998. O que é preocupante é que "o número de barragens identificadas como inseguras está aumentando em um ritmo mais rápido do que as que estão sendo reformadas", disse a ASCE.
Somente entre 1999 e 2006, 129 represas apresentam problemas nos EUA. Cerca de mil "incidentes com represas", que alertam os engenheiros para deficiências que ameaçam a segurança de uma barragem, foram relatados. Os estados rurais como Pensilvânia, Nova Jersey e Ohio são os que correm maior perigo. A represa Ka Loko, na ilha havaiana de Kauai, rompeu em março de 2006, matando sete pessoas. A represa do lago Cumberland em Kentucky foi salva do rompimento no último minuto, em janeiro de 2007, quando se baixou o nível da água.
CAOS AÉREO TAMBÉM
A lista de problemas da ASCE continua. Os aeroportos completamente sobrecarregados dos EUA recebem nota "D+". O sistema de água potável precário recebe "D-", com a ASCE relatando que "os EUA enfrentam um déficit de US$ 11 bilhões anuais para substituir instalações envelhecidas e cumprir os regulamentos de água potável segura". A rede de energia elétrica, que está em "necessidade urgente de modernização", também recebe um "D".
A situação lamentável da infra-estrutura dos EUA ficou clara mais uma vez em 18 de julho em Manhattan, quando um cano de vapor subterrâneo na Rua 41 com a Avenida Lexington, perto do Terminal Grand Central, explodiu. Uma mulher morreu e o motorista de um caminhão sofreu queimaduras em 80% do corpo e está em coma desde então.
A privatização da infra-estrutura dos EUA foi discutida recentemente como uma possível solução para a crise. Bancos e companhias de investimentos privados já começaram a disputar um pedaço da lucrativa torta. Segundo a revista "Business Week", empresas públicas no valor de US$ 100 bilhões poderão ser transferidas para a iniciativa privada nos próximos dois anos. "Existe um grande valor intrínseco nesses ativos", disse Mark Florian, diretor de investimentos em infra-estrutura na América do Norte da Goldman Sachs, à "Business Week".
Ele não está errado. Veja por exemplo a Indiana Toll Road, que cruza o norte do Estado americano de Indiana como parte das Interestaduais 80 e 90 e que foi inaugurada em 1956. No ano passado o governo de Indiana a transferiu para o consórcio espanhol-australiano Cintra-Macquarie na forma de um contrato de leasing de 75 anos, pelo qual o governo recebeu US$ 3,85 bilhões. É um investimento que compensará generosamente à Cintra-Macquarie: segundo uma estimativa conservadora, o consórcio pode esperar lucros de US$ 21 bilhões do aluguel da estrada com pedágios ao longo do contrato.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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