O vazamento de informações da caixa-preta do Airbus da TAM é ilegal e tornará o Brasil "desacreditado", segundo avalia o tenente brigadeiro-do-ar e consultor Mauro Gandra. O argumento é que o Brasil é signatário da Convenção de Chicago, de 1944, na qual o Anexo 13, que trata de segurança de vôo, diz que os dados obtidos na investigação de um acidente aeronáutico devem ser sigilosos. Para ele, "isso é muito grave" no que diz respeito à qualidade da administração da segurança de vôo no Brasil. Para Gandra, que ontem fez palestra para empresários no Rio, o vazamento poderá prejudicar investigações futuras de acidentes no País.
Segundo ele, pilotos, controladores e demais testemunhas que podem vir a contribuir nas investigações se sentirão intimidados com a perspectiva de que seus depoimentos sejam divulgados. "É um desrespeito à lei brasileira", disse ele. No entanto, ele não acredita que o vazamento prejudicará o sucesso da investigação sobre o acidente. Gandra, que fez palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, espera que as respostas finais sobre a causa da tragédia sejam dadas em 10 ou 12 meses.
Gandra lamentou não apenas a divulgação das informações no caso do Airbus, mas também anteriormente, no processo de esclarecimento sobre as causas do acidente com um vôo da Gol, em setembro do ano passado. "Na verdade, o divisor de águas da crise aérea é o problema dos controladores e a dicotomia entre a investigação de um acidente e um inquérito policial", afirmou.
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