domingo, 1 de fevereiro de 2009
Veja acusa Davos de marxista e declara amor ao capitalismo

A Veja acusa a 39ª edição do Fórum Econômico Mundial de um perigoso desvio marxista. ''O que mais faltou em Davos foram justamente coragem e lucidez'', afirma, na edição que chegou às bancas neste sábado. A matéria, não assinada, acusa Davos de cair numa visão ''cara aos marxistas''; conclui com uma arrebatada declaração de amor ao capitalismo e uma sumária excomunhão de toda crítica ao sistema capitalista.
Por Bernardo Joffily
Montagem gráfica da revista leva Marx a Davos
A matéria, intitulada O Fórum Social de Davos (!), traz um pesado veredito de vacilação esquerdista contra os protagonistas do Fórum dos Ricos, promovido anualmente por um consórcio de multinacionais. ''De modo geral, os conferencistas e panelistas adotaram a visão tão cara aos marxistas de ver as falhas incontornáveis sistêmicas do 'modelo' e do 'mercado'''.
O texto segue um caminho enviezado, pois escolhe um caminho alegórico. Narra a suposta lenda de que Karl Marx abandona sua tumba para visitar o Fórum Social Mundial; decepciona-se com o que encontra na atual edição, em Belém do Pará; mas consola-se com o que escuta em Davos, onde acha ''gente articulada, brandindo dados e pondo a culpa da crise econômica no 'sistema capitalista'''.
A alegoria claudica desde o início, já que as tiradas de humor forçado não ocultam ao leitor atento uma intenção editorial quase colérica. Por fim, o autor anônimo desvencilha-se da falsa lenda para deitar no papel o que pretendia desde o início, seu amor ao capitalismo ...e seu medo de que a crise destrua o amado. Veja a longa conclusão:
''As contradições e injustiças que embalaram politicamente as teorias de Karl Marx na Europa da segunda metade do século 19 e por quase todo o século 20 praticamente não existem mais nos países avançados e foram minoradas em quase todo o mundo. O capitalismo deu condições extraordinárias de habitação, saúde, conforto e aposentadoria a milhões de habitantes de países onde se instalou. Só nos anos que antecederam a crise atual, tirou da miséria centenas de milhões de famílias no Brasil, China e Índia. É esse progresso que está sendo colocado em risco pela corrente de destruição de riqueza deflagrada pela crise financeira. Foram necessários grandes homens e grandes mulheres para chegar até esse estágio de progresso. É de indivíduos formidáveis, e não de críticas ao 'sistema capitalista' emanadas do cemitério de Highgate [onde Karl Marx está enterrado], que virá a solução para impedir que a crise destrua tudo o que se conquistou e para avançar ainda mais.''
A matéria mostra o tamanho dos apuros ideológicos, jornalísticos e estilísticos em que a revista número um da família Civita se meteu, desde que a crise entrou em sua fase aguda. A primeira capa dedicada ao assunto, na edição de 24 de outubro passado, foi o primeiro desastre: Tio Sam aparecia com um punhado de dólares na mão, afirmando ''Eu salvei você'', enquanto o texto garantia que o Plano Paulson (quem se lembra dele?) era a saída da crise.
Desde então, as abordagens do tema rivalizam com os tombos de Wall Street. Depois de fazer uma leitura errada do pós-Muro de Berlim, optando por um reacionarismo intolerante e estridente, a Veja se excede nesse caminho a cada semana. Agora, acusa Davos de marxista. Mais alguns passos à direita e corre o risco de cair do mundo.
Clique aqui para ver no site da Veja o texto de O Fórum Social de Davos
O texto segue um caminho enviezado, pois escolhe um caminho alegórico. Narra a suposta lenda de que Karl Marx abandona sua tumba para visitar o Fórum Social Mundial; decepciona-se com o que encontra na atual edição, em Belém do Pará; mas consola-se com o que escuta em Davos, onde acha ''gente articulada, brandindo dados e pondo a culpa da crise econômica no 'sistema capitalista'''.
A alegoria claudica desde o início, já que as tiradas de humor forçado não ocultam ao leitor atento uma intenção editorial quase colérica. Por fim, o autor anônimo desvencilha-se da falsa lenda para deitar no papel o que pretendia desde o início, seu amor ao capitalismo ...e seu medo de que a crise destrua o amado. Veja a longa conclusão:
''As contradições e injustiças que embalaram politicamente as teorias de Karl Marx na Europa da segunda metade do século 19 e por quase todo o século 20 praticamente não existem mais nos países avançados e foram minoradas em quase todo o mundo. O capitalismo deu condições extraordinárias de habitação, saúde, conforto e aposentadoria a milhões de habitantes de países onde se instalou. Só nos anos que antecederam a crise atual, tirou da miséria centenas de milhões de famílias no Brasil, China e Índia. É esse progresso que está sendo colocado em risco pela corrente de destruição de riqueza deflagrada pela crise financeira. Foram necessários grandes homens e grandes mulheres para chegar até esse estágio de progresso. É de indivíduos formidáveis, e não de críticas ao 'sistema capitalista' emanadas do cemitério de Highgate [onde Karl Marx está enterrado], que virá a solução para impedir que a crise destrua tudo o que se conquistou e para avançar ainda mais.''
A matéria mostra o tamanho dos apuros ideológicos, jornalísticos e estilísticos em que a revista número um da família Civita se meteu, desde que a crise entrou em sua fase aguda. A primeira capa dedicada ao assunto, na edição de 24 de outubro passado, foi o primeiro desastre: Tio Sam aparecia com um punhado de dólares na mão, afirmando ''Eu salvei você'', enquanto o texto garantia que o Plano Paulson (quem se lembra dele?) era a saída da crise.
Desde então, as abordagens do tema rivalizam com os tombos de Wall Street. Depois de fazer uma leitura errada do pós-Muro de Berlim, optando por um reacionarismo intolerante e estridente, a Veja se excede nesse caminho a cada semana. Agora, acusa Davos de marxista. Mais alguns passos à direita e corre o risco de cair do mundo.
Clique aqui para ver no site da Veja o texto de O Fórum Social de Davos
OS “JURISTAS” E AS “DANÇARINAS”
Sugestão de JOÃO SERGIO, por e-mail
Laerte Braga
Por mais que se tente entender a decisão do ministro cezar peluzzo do stf em conceder ao governo da itália o direito de “falar” no processo de extradição de Cesare Battisti, ou o ministro faz parte da mediocridade que permeia a suposta mais alta corte de justiça do Brasil, ou a julgar pelo sobrenome é agente do duce sílvio berlusconi.
O deputado italiano ettore pirovano, do partido de direita liga norte, disse nesta sexta-feira, 30 de janeiro, que “não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas”. A declaração do deputado foi divulgada pela agência ANSA.
A exceção do período da ditadura militar e pelo que registram os documentos da história do stf e da imprensa brasileira ao período imediatamente seguinte à derrubada de Getúlio Vargas, 1945 (o presidente do stf assumiu a presidência e em seis meses de mandato nomeou a família inteira para altos cargos), acho que nunca tivemos um stf tão esculhambado como o atual.
A figura do presidente é grotesca e perniciosa. Com as exceções que são até difíceis de serem encontradas, mas devem existir – “toda regra tem uma exceção exceto esta.” A frase é de Millôr Fernandes, o despacho do ministro peluzzo reflete isso, mesmo que mais à frente vote com a lei, ou seja, mande soltar Cesare e encerre o assunto.
Já a declaração do deputado italiano, no mínimo, é motivo para que o governo Lula mande chamar o embaixador brasileiro em Roma de volta e deixe-o por aqui até que o governo daquele país se desculpe. Caso contrário já sabemos como fazer pizza (o stf é especialista) e outras coisas mais que os italianos pegaram dos chineses. Ninguém aqui precisa ouvir esse tipo de insulto.
As declarações de pirovano são um desrespeito ao País, uma ofensa à mulher brasileira, ao povo brasileiro e a única atitude válida é a de exigir uma retratação. A mim me consta que a expressão governo abrange legislativo, judiciário e executivo, logo o deputado é parte do governo itália, além de ser “base de apoio” do primeiro-ministro sílvio berlusconi.
A itália solicitou o apoio da União Européia para pressionar o Brasil para extraditar Cesare Battisti e recebeu um não. A itália não chiou um pintg pela decisão do governo francês de conceder asilo a uma integrante das Brigadas Vermelhas e agora um deputado ultra direita vem e faz uma declaração desse jaez.
É preciso registrar que a mídia brasileira faz coro com esse tipo de intervenção nos negócios internos do Brasil, na própria soberania nacional, na agressão boçal e típica de fascistas como o deputado pirovano, pois hoje é controlada por capitais estrangeiros caso da globo.
Da folha de são paulo, do estado de são paulo, dos principais veículos de comunicações no País.
Estranha a decisão do ministro peluzo. Soa a subserviência e talvez sua excelência, em sua excelência, não tenha percebido todo o inteiro teor do fato, o pedido de extradição, as leis vigentes e esteja em sintonia com o duce italiano.
E muito menos tomado conhecimento das reais condições em que Battisti foi condenado na itália. A farsa montada para fins eleitoreiros da extrema-direita, o renascimento do fascismo agora com cara de ópera bufa, mas nem por isso menos ofensivo.
E como fica o ex-refugiado josé serra que disse que a medida do governo brasileiro, particularmente do ministro Tarso Genro foi “exagerada”? Está atrás dos votos da colônia italiana no Brasil, ou tem algum por fora? Tucano tem sempre algum por fora. Seja buraco do metrô, seja contrato de lixo, seja um simples espirro. É da genética.
Não importa que seja um deputado a fazer tais declarações. Mas é uma ofensa, exige um pedido de desculpas e esse protesto por tal vergonha começa com chamar o embaixador brasileiro em roma e encerrar essa história.
A decisão do ministro peluzo tem um cheiro fétido de qualquer coisa podre.
Laerte Braga
Por mais que se tente entender a decisão do ministro cezar peluzzo do stf em conceder ao governo da itália o direito de “falar” no processo de extradição de Cesare Battisti, ou o ministro faz parte da mediocridade que permeia a suposta mais alta corte de justiça do Brasil, ou a julgar pelo sobrenome é agente do duce sílvio berlusconi.
O deputado italiano ettore pirovano, do partido de direita liga norte, disse nesta sexta-feira, 30 de janeiro, que “não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas”. A declaração do deputado foi divulgada pela agência ANSA.
A exceção do período da ditadura militar e pelo que registram os documentos da história do stf e da imprensa brasileira ao período imediatamente seguinte à derrubada de Getúlio Vargas, 1945 (o presidente do stf assumiu a presidência e em seis meses de mandato nomeou a família inteira para altos cargos), acho que nunca tivemos um stf tão esculhambado como o atual.
A figura do presidente é grotesca e perniciosa. Com as exceções que são até difíceis de serem encontradas, mas devem existir – “toda regra tem uma exceção exceto esta.” A frase é de Millôr Fernandes, o despacho do ministro peluzzo reflete isso, mesmo que mais à frente vote com a lei, ou seja, mande soltar Cesare e encerre o assunto.
Já a declaração do deputado italiano, no mínimo, é motivo para que o governo Lula mande chamar o embaixador brasileiro em Roma de volta e deixe-o por aqui até que o governo daquele país se desculpe. Caso contrário já sabemos como fazer pizza (o stf é especialista) e outras coisas mais que os italianos pegaram dos chineses. Ninguém aqui precisa ouvir esse tipo de insulto.
As declarações de pirovano são um desrespeito ao País, uma ofensa à mulher brasileira, ao povo brasileiro e a única atitude válida é a de exigir uma retratação. A mim me consta que a expressão governo abrange legislativo, judiciário e executivo, logo o deputado é parte do governo itália, além de ser “base de apoio” do primeiro-ministro sílvio berlusconi.
A itália solicitou o apoio da União Européia para pressionar o Brasil para extraditar Cesare Battisti e recebeu um não. A itália não chiou um pintg pela decisão do governo francês de conceder asilo a uma integrante das Brigadas Vermelhas e agora um deputado ultra direita vem e faz uma declaração desse jaez.
É preciso registrar que a mídia brasileira faz coro com esse tipo de intervenção nos negócios internos do Brasil, na própria soberania nacional, na agressão boçal e típica de fascistas como o deputado pirovano, pois hoje é controlada por capitais estrangeiros caso da globo.
Da folha de são paulo, do estado de são paulo, dos principais veículos de comunicações no País.
Estranha a decisão do ministro peluzo. Soa a subserviência e talvez sua excelência, em sua excelência, não tenha percebido todo o inteiro teor do fato, o pedido de extradição, as leis vigentes e esteja em sintonia com o duce italiano.
E muito menos tomado conhecimento das reais condições em que Battisti foi condenado na itália. A farsa montada para fins eleitoreiros da extrema-direita, o renascimento do fascismo agora com cara de ópera bufa, mas nem por isso menos ofensivo.
E como fica o ex-refugiado josé serra que disse que a medida do governo brasileiro, particularmente do ministro Tarso Genro foi “exagerada”? Está atrás dos votos da colônia italiana no Brasil, ou tem algum por fora? Tucano tem sempre algum por fora. Seja buraco do metrô, seja contrato de lixo, seja um simples espirro. É da genética.
Não importa que seja um deputado a fazer tais declarações. Mas é uma ofensa, exige um pedido de desculpas e esse protesto por tal vergonha começa com chamar o embaixador brasileiro em roma e encerrar essa história.
A decisão do ministro peluzo tem um cheiro fétido de qualquer coisa podre.
Não adianta chorar pelo que somos realmente
"Somos um paraíso tropical, mas também somos o lugar do risco e da violência. Gostemos ou não, precisamos admitir nosso quinhão de responsabilidade na produção e circulação dessa imagem de um Rio corrupto e violento".


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