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quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Aecinho" não explica vida de rico

Procuradoria-Geral pode investigar vida "nababesca" de Aécio

O PT de Minas Gerais ingressou na Procuradoria-Geral da República com pedido para que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) seja investigado por supostas sonegação fiscal e ocultação de patrimônio. O PMDB-MG subscreve o pedido, apresentado na segunda-feira (30).

A representação acusa Aécio de ter "hábitos caros e pouco comuns à maioria esmagadora da população". Também cita que Aécio leva uma vida "nababesca", frequenta restaurantes de primeira linha, festas com celebridades e viaja em jatinhos, o que seria "incompatível com seus rendimentos".

Na ação, os deputados anexaram cópias da declaração de bens de Aécio, documentos sobre empresas de sua família e reproduções de multas de trânsito. Também há cópia de declaração de despesas de sua campanha com o aluguel de um jatinho da Banjet Táxi Aéreo — que ainda seria usado para fins particulares sem pagar nada.

A empresa tem como sócio Oswaldo Borges da Costa Filho, nomeado por Aécio para presidir a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. A assessoria de Aécio afirma que todos os bens do senador estão declarados e que seus hábitos são compatíveis com seus rendimentos.

Folha de S.Paulo

Senado retoma debate sobre cotas raciais em universidades

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado retomou o debate sobre as cotas raciais nas universidades públicas. Nesta terça-feira (31) realizou uma audiência pública sobre o projeto de lei que trata do assunto, na Universidade de Brasília (UnB). A senadora Ana Rita (PT-ES), que é relatora da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), reuniu movimentos negros e sociais, além de cotistas da UnB para debater o assunto.

Mais de cem pessoas lotaram o auditório da Reitoria para ouvir os pesquisadores e palestrantes que expuseram os motivos favoráveis que levam com que as cotas raciais sejam implantadas em universidades públicas no Brasil. O juiz William Douglas contou a parábola dos leprosos que vão até Jesus pedir a cura e Jesus pede que eles caminhem até o sacerdote. Ao final da caminhada, todos os leprosos estavam curados. "E é essa a nossa luta. Temos que alterar a cor das universidades, das escolas. Esta é uma caminhada longa e difícil, mas necessária e ao final, conseguiremos o êxito", salientou.

Com base no modelo adotado pela UnB, o sucesso das cotas foi apontado em números pela pesquisadora Maria Eduarda Tannuri-Pianto, que analisou o processo desde sua implantação, em 2004. A pesquisadora relatou que as políticas afirmativas que colocam os negros em cotas em universidades é eficiente, concedendo oportunidades. Além disso, mostrou que o desempenho dos estudantes cotistas é igual ou maior do que dos não-cotistas, demonstrando o esforço daquele grupo.

Exemplo a ser seguido

O reitor da UnB, José Geraldo, disse ser um entusiasta da política de cotas raciais na universidade e considera que "as ações afirmativas são resultantes do clamor dos movimentos sociais".

Já Frei David Raimundo dos Santos, dos cursos populares Educafro, relatou que os negros são vítimas da escravidão que não aparece, e que a UnB é um exemplo a ser seguido, por sua atitude "corajosa e firme", por ser a primeira universidade federal a introduzir as cotas raciais em um processo seletivo.

Novas demandas

A senadora Ana Rita informou que estava ali para ouvir e levar as demandas para debate no Senado. Entre elas, está o pedido de estabelecer emendas orçamentárias que para as universidades tenham verbas para investir em políticas raciais. Também foi pedida a possibilidade de inserção de uma emenda no projeto que contemple as cotas para a pós-graduação em universidades públicas.

"Sei o que é discriminação, porque apesar de ter a pele branca, fui discriminada na infância por ser pobre. Entendo, perfeitamente, o sofrimento de vocês", disse a senadora, anunciando que fará outros debates sobre o assunto no Senado. Ela pretende apresentar requerimento na Comissão de Educação para realização de audiência pública sobre cotas para negros na pós-graduação de universidades públicas.

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