sexta-feira, 6 de outubro de 2006

ASSIM SERÁ


* Alckmin ganhou a eleição do último domingo ao atingir seu objetivo de provocar o segundo turno entre ele e Lula e alcançar uma votação que os institutos de pesquisas foram incapazes de prever – que nenhum político imaginou que ele teria.



* Lula foi derrotado por seus próprios erros e pelo PT. Ele se achava tão reeleito que fugiu ao debate entre candidatos promovido pela TV Globo. Antes havia sido atropelado pelo PT com o escândalo da tentativa de compra do dossiê contra políticos do PSDB.



As duas respostas estão certas. Mas é preciso avaliar qual delas teve peso maior na decisão tomada pela maioria dos eleitores de transferir para o segundo turno o desfecho da eleição presidencial. Arrisco-me a dizer que a segunda.



A primeira decorre da segunda.



Lula deixou de ser eleito no primeiro turno por 1.336.002 votos – 1,4% do total de votos válidos. Para vencer no segundo turno, Alckmin terá de reescrever a história das eleições entre nós.



Examine-se os resultados das eleições de presidente e de governador de 1989 para cá. E os resultados das eleições de prefeitos de capitais de 1996 para cá.



Fica de fora a eleição de prefeitos de capitais em 1992 porque o Tribunal Superior Eleitoral não dispõe dos resultados de forma organizada.



No total, foram 102 eleições decididas em em segundo turno.



Primeira observação: em apenas 23 delas, o candidato que ficou atrás no primeiro turno virou a eleição e ganhou.



Segunda observação: todos os candidatos que disputaram o segundo turno tiveram mais votos do que no primeiro. Com a exceção de um: Amílcar Martins, candidato do PSDB a prefeito de Belo Horizonte em 1996. Em números redondos, ele colecionou 220 mil votos no primeiro turno e 170 mil no segundo. Perdeu para Célio de Castro do PSB.



É razoável, pois, que Lula e Alckmin conservem o mesmo número de votos que atraíram no primeiro turno e acrescentem mais alguns milhões. Lula teve 46.662.365 votos. Alckmin, 39.968.369. Uma diferença de 6.693.998 votos.



Terceira observação: o índice de alienação de votos na eleição de domingo último (abstenção + nulos + brancos) foi de 23,8%, o mais baixo desde 1989. A eleição daquele ano foi atípica, a primeira depois de 21 anos de ditadura militar.



A média nacional de abstenção dessa vez foi de 16,75%. A do Nordeste, onde Lula venceu Alckmin por uma diferença de 10 milhões de votos, 18,54%.



Se no segundo turno diminuir a abstenção no Nordeste, também é razoável pensar que Lula se beneficiará mais do que Alckmin. O mesmo poderá ocorrer com o voto que o eleitor anulou por erro.



Foi de 7,8% o índice de votos nulos no Nordeste. Ali, pouco mais de 40% das pessoas acima de 15 anos de idade são consideradas analfabetas funcionais. No Sul, cujo número de analfabetos funcionais não chega a 20%, o índice de votos nulos foi apenas de 4,1%.



Quarta observação: os demais candidatos a presidente obtiveram no primeiro turno 9.365.999 votos. Se Lula conquistar apenas 14,4% desses votos estará eleito. Alckmin precisará conquistar 85,74% para se eleger – ou seja: 8.029.999 –, sem que Lula amealhe um voto a mais.



Quinta observação: Heloísa Helena foi votada por 6.570 mil eleitores. Se um terço desses eleitores (1.972 mil) se abstiver de votar no segundo turno ou votar em branco e nulo, Lula derrotará Alckmin. Mesmo que Alckmin ganhe o resto dos votos de Heloísa e dos outros candidatos que concorreram no primeiro turno. E, naturalmente, desde que Lula repita a votação do primeiro turno.



Conclusão: a tarefa que Alckmin tem pela frente é extraordinária.

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