sábado, 7 de outubro de 2006

"risco Alckmin"

"Retomada do processo de privatização, política de controle dos gastos públicos que vai significar a demissão de funcionários públicos e a redução de gastos das políticas sociais."

SÃO PAULO - O coordenador da campanha de reeleição do presidente Lula e presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, defendeu ontem que é preciso lançar uma advertência sobre o que significa o risco Alckmin para o País, mas negou que o partido irá fazer terrorismo eleitoral contra os adversários. "Nós temos que lançar uma grave advertência para o País sobre o que significa o risco Alckmin ao Brasil", afirmou.

Questionado sobre o que representava esse risco, Marco Aurélio enumerou: "Retomada do processo de privatização, política de controle dos gastos públicos que vai significar a demissão de funcionários públicos e a redução de gastos das políticas sociais."

Para ele, é preciso chamar atenção para os riscos de privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O novo presidente do PT, no entanto, esqueceu que em 2002, quando o PSDB chamou a atenção para o risco Lula, foi acusado de terrorista. E argumentou:

"As coisas que estamos colocando estão nos textos dos teóricos e dos elaboradores programáticos (da oposição)." Segundo ele, o que o PT faz agora é diferente do que PSDB fez em 2002. "Não é terrorismo coisa nenhuma. Terrorismo fizeram em 2002 quando disseram que havia o risco Lula, que haveria desestabilização econômica. Terrorismo fizeram agora quando disseram que se Lula ganhasse não haveria estabilidade política no País. Nós estamos apontando para questões concretas", disse Marco Aurélio, durante entrevista após o anúncio de afastamento de Ricardo Berzoini da presidência do PT.

Marco Aurélio acusou ainda a oposição de tentar lançar "uma nuvem" para confundir o eleitorado quando às diferenças programáticas dos dois candidatos. "Estão tentando lançar uma nuvem sobre o País para embaralhar os programas como se fossem iguais. Mas nós estamos alertando a sociedade para o fato de que essa eleição é de oposição de programas. Há duas visões de Brasil", afirmou.

Questionado se as crises internas no PT não poderiam trazer novos problemas para a campanha de Lula, Marco Aurélio foi enfático ao dizer que esperava que a reunião de ontem fosse a primeira e última do segundo turno para discutir assuntos internos do partido. "O País não está interessado, eu sei que a imprensa pode estar interessada porque ajuda a esquentar o noticiário, mas o País não está interessado nas questões internas do PT. O País está interessado nas questões do Brasil."

Antes do início da reunião, o líder do governo no Congresso, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), também havia negado que seja "terrorismo eleitoral" o presidente dizer que Alckmin pretende demitir funcionários públicos e cortar salários.

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