Viradas no segundo turno acontecem, mas são incomuns
Nas duas únicas eleições presidenciais com segundo turno até hoje não ocorreu uma inversão de posição entre os candidatos que se classificaram na primeira votação. Em 1989, Fernando Collor de Mello (então no PRN) terminou na frente nos dois turnos, sempre derrotando Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mesmo ocorreu em 2002, com Lula ficando à frente de José Serra (PSDB).
Nas duas únicas eleições presidenciais com segundo turno até hoje não ocorreu uma inversão de posição entre os candidatos que se classificaram na primeira votação. Em 1989, Fernando Collor de Mello (então no PRN) terminou na frente nos dois turnos, sempre derrotando Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mesmo ocorreu em 2002, com Lula ficando à frente de José Serra (PSDB).
Nos Estados, a situação é diversa. Desde 1990, quando as escolhas de governadores passaram a contar com o dispositivo de segundo turno, já houve 61 disputas definidas dessa forma até 2002. Em 17 casos (27,9%), o candidato que entrou em segundo lugar acabou virando o jogo e vencendo a eleição no turno final.
Essas viradas têm algumas características. Por exemplo, a diferença que separa o primeiro do segundo colocado quando termina o primeiro turno.
Em 10 das 17 viradas, a distância entre o vitorioso e o segundo colocado no primeiro turno das eleições era bem pequena, de até 5,2 pontos percentuais. Ou seja, são casos de candidatos que terminaram quase empatados.
Apenas em sete oportunidades ocorreram viradas mais eloqüentes. A primeira e quase sempre lembrada foi em 1990, entre Paulo Maluf (à época no PDS, hoje PP), que terminou o primeiro turno para o governo de São Paulo com 34,3%. O segundo, Luiz Antônio Fleury (PMDB, hoje no PTB), ficou 12,1 pontos percentuais atrás, com 22,2%. No segundo turno, Maluf foi a 40,9%, mas perdeu porque Fleury atingiu 43,8% -percentuais dos votos totais.
Em 1998, em Minas Gerais, Hélio Costa (PP, hoje no PMDB) teve expressivos 48,3% dos votos válidos contra Eduardo Azeredo (PSDB), que marcou 27,2%. No segundo turno, aconteceu algo incomum: a votação de Costa encolheu. Registrou só 41,3% e perdeu para Azeredo, que teve 58,6%.
São raros esses episódios em que o primeiro colocado nas eleições vai para o segundo turno e perde votos. Nas 17 viradas de 1990 até hoje, esse fenômeno ocorreu apenas em quatro ocasiões.
Outro fato a ser mencionado sobre viradas nas eleições no país é que até hoje existem apenas três casos de governadores que concorriam à reeleição, ficaram na frente no primeiro turno mas acabaram perdendo na segunda rodada.
Um dos casos recentes foi o de Cristovam Buarque (então no PT), em 1998, que perdeu a reeleição para Joaquim Roriz (PMDB). O petista saiu com 42,1% e passou ao segundo turno na frente. Mas acabou derrotado para o peemedebista no turno final.
(FERNANDO RODRIGUES)
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