BLOG DO ONIPRESENTE: O EXCOMUNGADO!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

No dia 03 eu quero ver a SUBIDA DE SERRA!

ESSA EU QUERO VER!

Lembra do E.T?

Serra se diz Professor, não tem amigos (exceção de Gilmar Mendes) dissimulado, mentiroso e individualista

THEÓFILO SILVA

Lembrai-vos de Hitler

Adolf Hitler, ditador da Alemanha e segundo homem mais perverso da história (o campeão é Josef Stalin), disse em seu livro, Minha Luta, algumas palavras que merecem ser lembradas neste momento: “a propaganda, sim, é preciso fazer dela um ato de fé, a fim de que não se possa distinguir mais o que pertence ao terreno da imaginação e o que constitui a realidade.” Para dar ainda mais força a essa afirmação, Hitler encontrou em Joseph Goebbels, um gênio tão depravado quanto ele, alguém com capacidade para por essas palavras em prática. Goebbels, o homem propaganda, que ajudou a construir a imagem de Hitler, também cunhou outra frase exemplar: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Por que estou trazendo para a superfície o pensamento desses monstros das profundezas, que deveriam ser esquecidos? Por uma razão: estamos em período eleitoral e, mais do que nunca, é preciso alertar os eleitores sobre o poder que a propaganda tem na construção da imagem de um candidato. Ocorre que, alguns políticos por terem o dom da palavra vivem de uma imagem falsa, construída com artifícios cuidadosamente preparados para iludir os inocentes úteis. Úteis aos seus propósitos.

 
Como identificar esses filhotes de Hitler? Dissimulados, mentirosos, corruptos – alguns são psicopatas - e preocupados apenas consigo mesmos? Esses homens e mulheres que pretendem administrar nossos destinos, que usam de todos os artifícios para conquistar nossos votos? Será que há um jeito de evitar que erremos tanto ao votar? A Lei eleitoral tenta oferecer aos eleitores uma maneira de mostrar os candidatos como eles realmente são. No entanto, o marketing caro utilizado na política, muito bem feito, consegue mascarar muito bem esses farsantes. Infelizmente, a Internet calha bem para esses candidatos, adeptos da máxima de Goebbels. Eles espalham tantos factoides e mentiras pela mídia que o cidadão tende a achar que é verdade o que eles dizem que fazem.

 
Eu diria que uma maneira razoável de identificar melhor um político é saber como são suas relações: como pai, marido, filho. Se é um chefe compreensivo; se é muito ambicioso (tipo que pisa no pescoço da mãe para alcançar seus objetivos); se tem amigos... É difícil fazer isso quando se mora noutra cidade e se escolhe um governador, por exemplo! Mas, se você valoriza seu voto, não custa nada tentar saber como é esse candidato enquanto pessoa. Os que já têm fama de corruptos, é porque são corruptos mesmo: esqueça-os.

A questão é identificar os mascarados.

 
Na verdade, esses sujeitos criam um tipo: Coitado, Justiceiro, Ético, Professor etc. Tudo muito bem construído. Vistos de perto, muitas vezes, são individualistas, gente que não dá um copo d’água a ninguém. Lembro que Hitler forjou sua imagem, pintando um sofrimento e uma vida de privações muito maior do que realmente teve. Hitler ao chegar ao poder livrou-se de seus amigos, irmãs, parentes, vizinhos, professores.
Não estou dizendo que estamos ameaçados por ditadores, apenas que existem pequenos Hitlers escondidos atrás de uma falsa reputação. Lamento dizer isso, mas corruptos são dotados de encanto pessoal. São profundamente convincentes e aplicam a máxima de Goebbels com toda intensidade que lhes é possível. Precisamos parar essas pessoas.
Lembrar-se de Hitler diminui as chances de mais tarde, arrependido, você dizer, como o velho Rei Duncam traído pelo barão de Cawdor, em Macbeth: “Não existe arte que possa ver no rosto a alma de um homem”. Não se iludam, muitos políticos não são o que parecem!

Theófilo Silva é autor do livro “A Paixão Segundo Shakespeare”.

A incrivel saga de uma família racista (leitora da veja) em Miami. Os olhos do Brasil que perdeu

Publicado magistralmente no blog O BISCOITO FINO E A MASSA


Em Miami, olhei nos olhos do Brasil que perdeu (parte 1)
Um dia terei que reunir meus causos de aeroporto. Eles parecem acontecer meio aleatoriamente, mas não há como negar que eu os procuro. Se aeroportos costumam ser lugares onde não ocorre nada de importante e tudo se arrasta na brutalidade do eternamente igual, os roces ocasionais entre pessoas, línguas, religiões e nacionalidades diferentes podem produzir a faísca, a centelha de um acontecimento. Ao longo dos anos, desenvolvi um certo faro para esses estranhos lugares e aprendi a reconhecer quando se aproxima uma história.

O Brasil dos 4%, da ressentida fração da classe média que lê a Veja, do Instituto Millenium, dos três jornalões, de Ivete Sangalo, Hebe Camargo, Ali Kamel e Regina Duarte, o Brasil, enfim, da rancorosa ignorância monoglota dos bairros chiques de São Paulo encontrou-se, pessoalmente, numa sensacional disputa de bola ombro-a-ombro, com o Brasil da nova classe C do Lula, o Brasil de pele negromestiça com algum dinheirinho sobrando no bolso, o Brasil dos nordestinos que se reúnem com parentes há muito não vistos no Sul Maravilha, alguns deles já com um carrinho, outros com a casa própria, outros fazendo sua primeira viagem ao exterior, todos eles, no entanto, com sua marca registrada, que é a nova dignidade estampada no rosto.

Essa disputa de bola aconteceu na noite do dia 22 de setembro, no Aeroporto Internacional de Miami. Meninos, eu vi.

Zanzando pelos aeroportos do mundo e, em especial, do Brasil nos últimos anos, aprendi a reconhecer um novo fenômeno: o olhar de ódio, desprezo e ressentimento que os membros dos 4% dirigem ao Brasil da Nova Classe C que, segundo eles, não deveria estar lá. É um olhar carregado de história, do sinhô que se sente desrespeitado pelo batuque do escravo à madame que se sente ultrajada quando a empregada doméstica reclama seus direitos trabalhistas. Se você quer entender a onda de ódio que caracteriza a campanha da oposição e da mídia nas últimas semanas, basta mapear a frequência com que esses encontrões têm acontecido no Brasil contemporâneo.

Afinal, a Nova Classe C começou ocupar estacionamentos e saguões de aeroportos, lugares que os 4% acreditavam ser cativos seus, propriedade sua exclusiva.

O voo 927 da American Airlines, que sai de Miami rumo a Santiago, segue viagem rumo a Guarulhos, e isso explica a imensa maioria de brasileiros que se amontoava na sala de embarque na noite de 22 de setembro. Lado a lado, vi duas famílias: uma branca, dirigindo à vizinha, negromestiça, o olhar de ódio que aprendi a reconhecer. Eu havia topado com meu amigo L.T., belga de origem flamenga que, como sói ser o caso com seus compatriotas, tem uma grande facilidade para as línguas. Este dado é importante para entender o que se segue.

Decidimos nos sentar no chão, de frente para as duas famílias, e foi quando eu percebi que a hostilidade dirigida pela família branca à negromestiça não se limitava ao olhar. Acompanhavam-no com comentários do tipo tem gente que não se enxerga, feitos na cara da outra família, que tentava continuar seu próprio bate-papo enquanto circulavam entre si sua caixa de cookies adquirida, suspeitava eu (e depois comprovei que acertara), na visita a algum parente expatriado em busca de melhores oportunidades durante a era FHC. Aquilo foi me enchendo de raiva. Não demoro muito para identificar sotaques, e depois de 2 ou 3 minutos eu já havia detectado que a família branca era paulistana e a negromestiça, mineira.

L.T. e eu havíamos chegado à sala de embarque conversando em espanhol, que é uma das quatro línguas que usamos entre nós, segundo a conveniência e o humor (o português de L.T. é perfeito, com sotaque carioca e tudo). Vendo aquela agressão, e sem ânimo para um bate-boca que, com certeza, teria sido desagradável, bolei uma brincadeirinha. Poderia ter dado incrivelmente errado, mas deu certo.

A brincadeirinha com a qual L.T. e eu nos unimos à família da Nova Classe C, que terminou lavando a alma ante as agressões de membros dos 4%, na noite do dia 22 de setembro de 2010, no Aeroporto Internacional de Miami, será o tema do próximo post.




Em Miami, olhei nos olhos do Brasil que perdeu (parte 2)


Em primeiro lugar, impõe-se um comentário antes de continuar a história (se você caiu aqui do nada, leia isto primeiro). Eu não esperava todo esse surto de interesse que se gerou na caixa de comentários. Honestamente falando, o post só ficou incompleto porque já era bem tarde e eu não tinha condições físicas de escrever mais, o que eu espero que não aconteça hoje. A história, na verdade, não é tão interessante assim, portanto rebaixem as expectativas.

Em segundo lugar, à guisa de explicação aos leitores mais novos que chegam do Twitter e não conhecem a trajetória do blog, recorro ao testemunho dos leitores históricos para que fique claro que não sou do tipo de pessoa que sai dando carteiradas. Há 1.200 posts e mais de 38.000 comentários aqui, e em nenhum deles você encontrará o anfitrião dizendo tenho tal e qual título ou ganhei tal e qual prêmio. Já entrei de sola em muitas discussões, mas não com esse tipo de argumento.

Faço a ressalva porque dar uma carteirada foi exatamente o que fiz na noite do dia 22 de setembro em Miami, com a família racista típica do Brasil dos 4%. Digo isso sem orgulho nem vergonha, foi simplesmente o que aconteceu. Foi só a forma que encontrei para revidar aquela agressão que a família negromestiça vinha sofrendo ali. Tratou-se, no entanto, de uma carteirada de um tipo muito particular. Continuemos a história, pois.

Havíamos parado no momento em que eu e L.T. nos sentamos no chão, de frente para as duas famílias que ocupavam, cada uma, uns seis assentos daquelas insuportáveis salas de embarque do Aeroporto de Miami. Como dito, havíamos chegado conversando em espanhol mas, exagerando um pouco no tom de voz, eu disse a ele:
Now we're gonna have some fun. When I switch languages, you do the same, right away. [tradução livre: vamos brincar de Neymar e Ganso com esses bacacas. Mude de língua na hora em que eu mudar]

Meu amigo belga, cujo Q.I. está bem mais próximo de Goethe que de Eliane Cantanhêde, sacou imediatamente que alguma gozação viria. Pela altura da minha voz naquela frase, ele deve ter percebido que a gozação jogaria com a minha completa certeza de que eles não entenderiam, ou entenderiam precariamente, o que nós disséssemos em inglês. Foi dito e feito.

Cabe aqui uma explicação para quem não tem tantas horas de aeroporto como eu. Nada faz os racistas da República Morumbi-Leblon se transformarem de carrascos sádicos em cordeirinhos dóceis e obedientes como a chegada de um estadunidense. Qualquer um. Eles tiram a pele de lobo e adotam aquela constrangedora subserviência colonizada, estilo Celso Lafer. Como L.T. fala com perfeito sotaque do meio-oeste e o inglês é praticamente uma língua de infância para mim, o sucesso da impostura estava garantido. A ignorância da República Morumbi-Leblon é algo com o qual você sempre pode contar.

O leitor Ticão, num comentário ao post anterior, adivinhou exatamente a indumentária do chefe da família racista: jeans Yves Saint Laurent e um par de mocassins cheios de penduricalhos dourados. A senhora fazia o gênero perua, com um collant de oncinha e uma quantidade enorme de quinquilharias nos braços. O filho, de uns 20 e poucos anos, trazia seu iPod e vestia uma camisa de mangas compridas—no calor de Miami em setembro!--do São Paulo Futebol Clube. Essa camisa do Tricolor do Morumbi será importante para a continuação da história. Nos outros três assentos ocupados pela família paulistana, uma quantidade imensa de badulaques eletrônicos se amontoava, desde telas planas de computador até, incrivelmente, uma tostadeira.

A primeira frase havia chamado a atenção da família racista, mas não o suficiente. Ainda não prestavam atenção em nós. Era o que eu queria – só lançar uma primeira isca-- para ter alguns segundos e dirigir, sem que eles me vissem, olhares de cumplicidade, sorrisos e sinais de positivo com o polegar para a outra família, que a estas alturas tampouco sabia que eu era brasileiro. Depois de estabelecido esse primeiro contato de cumplicidade, fiz a eles o tradicional gesto com a palma da mão direita estendida na vertical, como quem diz deixa com a gente.

Nesse momento, no entanto, L.T. quase estragou meu plano. Ao bater os olhos na gigantesca tostadeira, ele não se conteve e começou a rir. L.T. tem uma gargalhada bem parecida com a de Sílvio Santos, então vocês imaginem. Já havíamos chamado a atenção de todo mundo. Era necessário agir rápido. Apontando para a camisa do rapaz, perguntei:
Is that a soccer jersey?

Enquanto o rapaz, em inglês balbuceante, tentava me responder, eu ia arquitetando em minha cabeça a vingança, que será narrada em detalhes na terceira e última parte desta saga.


Em Miami, olhei nos olhos do Brasil que perdeu (parte 3, final)
(se você caiu aqui do nada, leia primeiro isto, depois isto e aí volte).

--Is that a soccer jersey? era uma pergunta simples de se responder, mas o garoto não resistiu: começou a tentar recitar as glórias do Tricolor do Morumbi que, sabemos, são muitas. Ele não havia chegado à terceira palavra quando o pai e a mãe interromperam o que faziam para acompanhar a conversa do filho com o “americano”, com aquela cara radiante e subserviente só encontrada na República Morumbi-Leblon e nos ladinos da América Central. Ele não havia chegado à quinta palavra quando eu subitamente lhe dei as costas, como se ele não existisse, e passei a conversar de novo com L.T., que a estas alturas já havia sacado qual era a brincadeira. Enquanto o garoto ainda balbuciava e os pais nos olhavam, à espera de atenção, eu disse a L.T.:
-- Die Schuhe. Sag etwas über die Schuhe.

Meu alemão falado é horroroso, péssimo, capenga mesmo. Mas L.T. é generoso comigo sempre que—em geral animado por umas biritas—resolvo praticar um pouco com ele, que tem proficiência nativa. A mudança de língua ali tinha a função de garantir que os membros do Brasil dos 4% não entendessem que a senha agora era uma gozação aos mocassins. Emendando de bate-pronto, com os burgueses paulistanos ainda sem entender por que eu havia feito uma pergunta e lhes dado as costas, L.T. dirige um olhar ostensivo aos mocassins do sujeito, escandalosamente aponta com o dedo, vira em minha direção e diz bem alto:
-- Who wears mocassins with golden chains around them? For God's sake, where did those come from?

Eu nem precisei fazer força. O entusiasmo de L.T. era tal, sua gargalhada-Sílvio Santos tão contagiante, que eu também terminei rindo com vontade. De vez em quando, dirigíamos o olhar a eles, para que ficasse bem claro que era deles que estávamos rindo. Agora sim. Não sei se compreenderam a frase, mas com certeza começaram a entender que estávamos tirando um sarro.

Nessas horas você vê a natureza essencialmente colonizada da República Morumbi-Leblon. Se estivéssemos fazendo a mesma coisa na condição de brasileiros, a pancadaria já teria comido solta no Aeroporto de Miami. Se estivesse acontecendo em português essa brincadeira idiota (sim, sim, reconheço, era uma brincadeira babaca, grosseira e esnobe a que fazíamos, mas lembrem-se, aqueles sujeitos passaram um bom tempo ali humilhando uma família negra), a reação com certeza teria sido outra. Como éramos “gringos”, o olhar deles era simplesmente aquele sorriso meio sem graça, impotente.

A brincadeira ia encaminhando-se ao seu final, mas ainda faltava o golpe de misericórdia. Dirigindo-me ao pai da família, soltei a pergunta:
-- Where are you all from?
Essa ele me respondeu de bate-pronto:
-- Brazil.
Era a senha de que eu precisava:
-- Oh, Brazil! Do you know Sancho Santos, by any chance?

Aqui cabe uma explicação. “Sancho Santos” é uma criação da banda de rock da Carolina do Norte, Southern Culture on the Skids. A canção, se não me falha a memória, intitula-se “Viva de los Santos”. A gozação feita pela banda em seus shows alude à total ignorância do estadunidense médio acerca de tudo o que está ao sul do Rio Bravo. Sempre que se encontra com alguém da América Latina, o personagem pergunta: como vai o Sancho Santos? Em outras palavras, a banda sugere que para o gringo médio,

México ou Uruguai, Honduras ou Brasil, é tudo Sancho Santos.

Evidentemente, não há nenhum Sancho Santos para se conhecer no Brasil, mas o sensacional é que sempre que você encontra a burguesia colonizada brasileira e pergunta, em inglês, pelo Sancho Santos, eles dizem que ele vai muito bem. Não falha nunca.
-- How's Sancho Santos doing?
-- He is fine, he is fine.

L.T. já estava tendo convulsões de gargalhadas. Enquanto ele ria e preparava a facada final, eu dava as costas à família racista e me dirigia agora aos meus conterrâneos, falando com eles em tom de voz bem baixo, inaudível para a turma que estava do outro lado:
-- Boa noite, pessoal, vocês são de Minas, não são?
-- Somos, como você sabe?
-- Eu reconheci o sotaque. É parecido com o meu, sacumé. São de Belo Horizonte?
-- Sim, de BH.
-- Eu sou da Cidade Nova, e vocês?
--- Pertinho! Do Caetano Furquim.
Sim, leitores, no Brasil de Lula existem famílias do Caetano Furquim viajando ao exterior.
-- A gente viu o que estava acontecendo aqui. Queria ser solidário. Ainda faltam duas horas e meia para o voo. Eu conheço um bar/restaurante cubano aqui ao lado, muito bom. Eu e meu amigo queríamos convidá-los para tomar uma cerveja, dar um refrigerante aos meninos. Vamos?
-- A gente tem medo de perder o voo, somos novatos.
-- Deixem com a gente, não tem perigo. Tem muito tempo. É bobagem ficar em pé naquela fila que fazem, não faz diferença.

Do lado de lá, eu ouvia um L.T. ainda gargalhante dizer:
-- That's funny. I always thought that Sancho Santos didn't exist. But maybe he does.
[engraçado, sempre pensei que o Sancho Santos não existisse. Mas talvez ele exista].
Falando agora bem alto, em português, para que a família de racistas me ouvisse, eu disse:
-- L.T., vamos ali no La Carreta tomar uma cerveja com meus conterrâneos.
L.T., cujo português, eu já disse aqui, é impecável, respondeu:
-- Vamos sim. Isso aqui já deu.

Os racistas nos olharam estupefatos. O intercâmbio em português tinha, evidentemente, o propósito de transmitir aos racistas a única mensagem que importava transmitir ali: vocês se comportam como verdugos ante seus compatriotas negros e como cachorrinhos amestrados com qualquer gringo que apareça tirando sarro de vocês. Se havia melhor maneira de transmitir essa mensagem, ela não estava disponível pra mim naquele momento. Fiz o que deu, com os recursos que tinha.

Na saída, dirigi um olhar cheio de hostilidade e desprezo aos racistas, virei as costas, peguei na mão do garoto de 12 ou 13 anos da família belo-horizontina negromestiça e nos dirigimos todos ao La Carreta, que fica a menos de 50 metros do saguão onde estávamos. Passamos uma hora agradabilíssima, em que conversamos, inclusive, sobre as semelhanças entre as culinárias mineira e cubana.

Aos racistas mais eu não disse e mais não me foi perguntado.
Não, eu não os vi dentro do voo.

 

BOBINHA...deixou-se enganar o tempo todo... Bem feito!

 

Marina diz que irritação de Serra mostra que tucano mudou
O Globo


SÃO PAULO (Reuters) - A candidata do PV à Presidência, Marina Silva,

disse nesta sexta-feira que o presidenciável do PSDB, José Serra, mudou , pois ANTES,

sempre a ELOGIAVA...

 

O TODO PODEROSO

Lauro Jardim Radar on-line
veja.com


Se for para o segundo turno (ou melhor, se houver segundo turno)

José Serra vai propor que os debates sejam livres das regras.

 

TUDO LIBERADO, onde, abaixo do pescoço, tudo é cintura!

Marina caiu na real

Marina diz que Serra desconstruiu própria imagem e vai 'perder ...
Jornal Pequeno


Em seu mais duro ataque ao presidenciável José Serra (PSDB), a candidata Marina Silva (PV)

disse, na madrugada desta sexta-feira, que o tucano desconstruiu sua própria imagem.

DENGUE: Uma epidemia erradicada do Brasil, que José Serra trouxe de volta!

·         Pior ministro de todos os tempos

Essa história de "melhor Ministro da Saúde que o Brasil já teve" é a maior balela que já foi contada... Para quem não sabe, a Dengue estava erradicada no Brasil, na Faculdade de Medicina a doença só existia nos livros, pois havia sido eliminada pelo grande Oswaldo Cruz, este sim o maior sanitarista do país. Serra demitiu os agentes que matavam os mosquitos vetores da Dengue, provocando assim uma epidemia que até hoje assola o Brasil. Em muitos lugares, Serra é conhecido como o "DENGUE-MAN" .

 

La Jornada: tucanos já acusam Serra de uma "derrota histórica"

José Serra toma seu lugar no palco, arregaça as mangas de sua eterna camisa azul e se mete nos papéis que leva consigo. Concentrado em sua leitura, nunca volta a ver os oradores.

Por Arturo Cano, no La Jornada
Tradução: Katarina Peixoto (Carta Maior)

Ele, que julga ter sido o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve, deve conhecer de memória todos os dados que os funcionários encarregados citam no microfone. Tanto que segue em seus papéis. É possível que revise os dados que citará no breve discurso que pronunciará pouco depois, com esse tom de professor autoritário que seus adversários gostam de sublinhar.

No entanto, a julgar por seu rosto neste ato da campanha, com funcionários e empregados da saúde, também pode estar repassando os gráficos de sua derrota. Todo um caso de estudo para os especialistas, pois Serra, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), conseguiu a proeza de perder 190 mil votos por dia, desde a data de início da disputa oficial, algo como 15 milhões de votos em 40 dias de horários gratuitos de rádio e televisão.

O auditório onde ocorre o ato tem várias regiões vazias. Os assistentes, funcionários e empregados de hospitais públicos e privados, muitos deles ligados a igrejas, como provam os padres e freiras com suas bandeirinhas do tucano – símbolo do PSDB – só se entusiasmam quando Geraldo Alckmin é apresentado, candidato ao governo de São Paulo, ligado a Opus Dei e candidato nas eleições presidenciais de 2006, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito. O ato ocorre num enorme centro de convenções, onde o maior número de visitantes está na vizinha exposição de instrumentos musicais.

Sua adversária, Dilma Rousseff, esteve com Lula 20 vezes em seus atos e comícios de campanha. Serra nunca foi acompanhado pelo líder honorário de seu partido e ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, com quem trabalhou desde os anos de exílio.

Do exílio à antipatia

José Serra era um promissor líder estudantil quando, em 1964, os militares brasileiros deram um golpe de estado. O presidente da União Nacional dos Estudantes pôde fugir para o Chile, depois de algumas peripécias. Neste país segue seus estudos e trabalha para a Comissão Européia para a América Latina e Caribe. Também durante esses anos colabora com Fernando Henrique Cardoso, que nos anos futuros o chamaria para ser ministro.

O golpe de Estado de 1973 no Chile obriga a Serra a ir aos Estados Unidos. Ele faz o doutorado na Universidade de Cornell e dá aulas em Princeton. Na biografia oficial, que os maiores jornais do Brasil ecoam, sublinha-se que Serra é filho de um imigrante italiano que vendia numa quitanda e que nasceu e cresceu na Mooca, o bairro italiano do leste de São Paulo.

Seu passado de filho de um imigrante e vendedor de fruta numa quitanda foi sublinhado na biografia oficial de Serra, que os jornais ecoam talvez para marcar a diferença com a candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff que, segundo a revista Veja, viveu sua infância numa casa espaçosa com três empregados, num bairro de classe média alta.

Francisco de Oliveira, professor emérito da Universidade de São Paulo, disse que Serra sempre ocultou sua origem. Agora a usa, mas isso não tem a menor importância política. Além de sua formação acadêmica, Serra, de 68 anos, tem uma longa história de cargos públicos. Depois de seu regresso ao Brasil, após 14 anos de exílio, foi deputado federal, senador duas vezes, ministro, governador do estado de São Paulo e candidato a presidente duas vezes. Por outro lado, Rousseff nunca havia pleitado um cargo pela via da eleição popular.

Quando se observa Serra metido com seus papéis, órfão de sorriso, tende-se a crer que o que o professor Chico Oliveira disse é verdade. Ele tem uma vocação autoritária muito grande, sempre fala num tom doutoral e é muito antipático pessoalmente.

“Um presidente não necessita de padrinho”

"O Brasil pode mais" é o nome da coalizão eleitoral que Serra encabeça. Ao pôr esse nome, o candidato pretendia indicar ao eleitorado que sua larga experiência era a melhor garantia de continuidade, frente à improvisada Rousseff. Foi assim que, no início de sua campanha se deu ao luxo de mostrar-se nas propagandas da televisão em fotografias ao lado do presidente Lula, em parte para aproveitar-se de sua popularidade (80% ao término de dois períodos presidenciais ajudam a qualquer um).

Mas até dentro de seu próprio partido a jogada, abandonada em seguida, é vista como uma forma de tomar distância do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que terminou a sua presidência em 2003, com uma popularidade de 47%. A estratégia resultou falida e o lema "o Brasil pode mais" se mantém agora em letras pequeninhas na propaganda do PSDB. Foi alterada para "É hora de mudança".

Em seus comerciais, órfãos de imagens em que não sorri, Serra enumera sua larga trajetória em cargos públicos: “me preparei para ser presidente”. Não usa mais a fotografia do presidente Lula, mas trata de desmascarar-se: “um presidente não precisa de padrinho”.

Chico de Oliveira, que trabalhou 12 anos no mesmo centro de pesquisa em que Fernando Henrique Cardoso, conhece Serra bem. É, sem dúvida, o mais preparado de todos, mas como político é um fracasso.

Parte desse fracasso são suas promessas de última hora. Enquanto a candidata da esquerda fala de aumentar o salário mínimo gradualmente, para chegar aos R$ 600 em 2014, Serra oferece um aumento imediato, além de um aumento de 10% nas aposentadorias e um décimo terceiro ao Bolsa Família. O candidato liberal levantando bandeiras populistas.

Se houver segundo turno buscarão alianças

Em seu partido já é acusado de ser o principal responsável por uma derrota histórica. O Brasil corre o risco de se converter numa democracia popular, e Lula, de adquirir o perfil de um caudilho, disse Cardoso, que hoje oferece seus serviços como ponte para conseguir a unidade das candidaturas de Serra e Marina Silva, do Partido Verde, e terceira nas pesquisas, em caso de Rousseff não superar os 50% dos votos válidos e haver segundo turno.

Esse é o debate do momento, que esquenta a publicação de pesquisas. O Datafolha, ligado ao jornal de maior circulação, dá à candidatura oficialista 46% dos votos, e 28% a Serra e 14% a Silva. Aumenta a chance de segundo turno, é a manchete do jornal. À tarde, o Vox Populi/Band/iG publica seus resultados; 49% para a candidata do PT, 25 para Serra e 12 para Marina (que detém seu crescimento nos últimos dias).

Os jornais e as agências publicam ao longo do dia informações sobre o possível segundo turno, ainda que os mesmos institutos de pesquisas dêem a Rousseff, depois de descontar os votos brancos e nulos, entre 51 e 55% dos votos válidos. Tanto Serra como seu candidato a vice, Índio da Costa, celebram no Twitter: "Datafolha: Dilma cai novamente: 46%. Nosso esforço é fundamental nesta resta final. Conquiste um voto para Serra 45!"

Por ora, os analistas e mesmo os líderes do PSDB só vêm o desastre chegar. Até o ex-presidente Cardoso tirou o corpo fora. Não só tem estado ausente dos atos de campanha como deu por fato, no britânico Financial Times, o triunfo de Rousseff. Na revista IstoÉ arrematou sobre o aspirante de seu partido: a campanha de Serra não está em sintonia com o Brasil. Com esses amigos...

Os ratos já abandonam o navio que vai à pique (Tucanic)

Roberto Jefferson retira apoio do PTB a Serra

O presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), anunciou hoje (1º) que seu partido está desembarcando da campanha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Em mensagens publicadas em seu microblog, Jefferson liberou os petebistas a votarem como quiserem para presidente no próximo domingo (3) e surpreendeu ao declarar a mudança de voto.

Roberto Jefferson disse que decidiu votar em Plínio de Arruda Sampaio (Psol). “Como presidente do PTB, libero meus companheiros a escolherem seu candidato a presidente do Brasil”, escreveu.

Em junho, o partido havia oficializado apoio à campanha do tucano. Apesar disso, parte da bancada do PTB no Congresso pede votos para Dilma. O ex-deputado criticou a postura do tucano no debate promovido ontem à noite pela TV Globo, o último antes da votação do próximo domingo. “Serra o mesmo de sempre. Sem graça, sem emoção, sem colorido. Sem compromisso com o coletivo de partidos a seu lado. Eu, eu, eu...”, atacou.

Para ele, Marina Silva começou bem o debate, mas perdeu energia. Dilma, na avaliação do presidente do PTB, se saiu bem. “Dilma começou de nariz pra cima, depois se afirmou. Acertou a maquiagem e o casaco rosa. Soube repelir o deboche da platéia”, afirmou, em referência ao momento em que a candidata repudiou os risos do público quando disse que todas as doações de sua campanha são oficiais.

Mas, segundo Roberto Jefferson, o grande vencedor do debate foi o candidato do Psol, de 80 anos. "Plínio terá meu voto pessoal para presidente do Brasil", escreveu. “Plínio mostrou a forca de terceira idade. Idealista, corajoso, fina ironia, coletivo, partidário. Me tocou seu brado pelo Brasil”, acrescentou.

Durante a campanha, Jefferson causou polêmica entre aliados por meio de seu twitter. A primeira confusão ocorreu em 25 de junho, quando publicou pelo microblog, em primeira mão, que o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) seria o vice de Serra. O anúncio causou reação principalmente no DEM, que reivindicava a indicação do posto. Lideranças do Democratas criticaram, ainda, o vazamento da informação pelo petebista. Com a ameaça de implosão na aliança, Alvaro Dias acabou cedendo a vaga para o deputado Índio da Costa (DEM-RJ).

O petebista voltou a causar barulho em 19 de agosto, quando ele acusou José Serra de provocar “dispersão” entre os partidos aliados. “Ele nunca nos reuniu”, criticou. O ex-deputado afirmou, na ocasião, que só havia conversado com Serra duas vezes, uma na convenção do PTB, e outra na casa do candidato a governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

“Eu apoio Serra a pedido do Geraldo Alckmin. Sou Geraldo, não conheço o Serra. Só de ouvir falar”, escreveu o petebista no microblog. “Sem unidade das oposições ninguém, nem Cristo, venceria”, emendou.

Em 2005, o ex-líder da tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor deflagrou a maior crise do governo Lula ao denunciar que parlamentares e partidos da base aliada, inclusive o PTB, recebiam dinheiro em troca de apoio ao Planalto. Por causa do escândalo do mensalão, Roberto Jefferson acabou tendo o mandato cassado, juntamente com os deputados José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE).

Fonte: Congresso em Foco

O Medroso

Aliados se frustram com desempenho medroso de Serra em debate

Aliados de José Serra (PSDB) deixaram o debate frustrados pela decisão do candidato conservador à Presidência de não partir para o embate com Dilma Rousseff. Na avaliação de tucanos, troca de farpas aumentaria as chances de forçar um segundo turno contra a presidenciável da coligação Para o Brasil Seguir Mudando.

A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) — que coordena a agenda de Serra — lamentou a ausência de temas polêmicos como o mensalão e a demissão da ministra Erenice Guerra da Casa Civil. "Eu tava esperando a Erenice aparecer, e não apareceu... Também faltou a questão do mensalão. Falou-se muito na área econômica e social, mas da área moral não se falou."

"Talvez tenha ficado uma pontinha de frustração pela falta de confronto", disse, sem rodeios, o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves. Já o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, desconversou sobre a ausência dos escândalos nas falas de Serra. "A população já está sabendo o suficiente dessas coisas".

O assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia ironizou o comportamento light de Serra. "Acho que a retranca não deu certo. O estilo Dunga não funcionou pra ele". Para o petista, a falta de embates consolida a vantagem de Dilma mostrada nas últimas pesquisas.

Informações da Folha.com

CGU conclui auditoria sobre Erenice, a três dias das eleições

 

 

A Controladoria-geral da União (CGU) concluiu quatro auditorias de contratos suspeitos de irregularidades ligados à ex-ministra Erenice Guerra. Em três delas, o órgão não encontrou indícios de irregularidades -


01 de outubro de 2010 -
O Estado de S.Paulo - Estadao.com.br
Leandro Colon -




CGU conclui auditoria sobre Erenice, a três dias das eleições



- O resultado é bom para o governo
- Controladoria não aponta indício de ligação com casos suspeitos e não avança no tráfico de influência de seus parentes
- Segundo a controladoria, não houve também irregularidade na compra do remédio Tamiflu, no ano passado


A três dias das eleições, o governo conseguiu uma defesa política contra as denúncias que levaram à demissão de Erenice Guerra - braço direito da presidenciável Dilma Rousseff (PT) - do cargo de ministra da Casa Civil. A Controladoria-Geral da União (CGU) - vinculada ao governo federal - anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo. O resultado é bom para o governo porque blinda a ex-ministra, não avança no tráfico de influência de seus parentes, nem aponta indício de ligação dela com os episódios suspeitos.


A CGU foi rápida em dar uma resposta ao presidente Lula, que pediu uma auditoria interna no dia 14 em meio ao movimento para dar satisfações durante a crise. Avaliou, por exemplo, que o estopim da queda da ex-ministra não teve qualquer irregularidade contratual. Trata-se do episódio que envolveu o empresário Rubinei Quícoli e membros da Casa Civil.


Ele acusou integrantes do Palácio do Planalto de tentarem intermediar o pedido de financiamento - para um projeto de usina solar - feito pela empresa ERDB, a qual representava, ao BNDES.


Ao abordar o caso, a CGU se atenta a dados técnicos e explica que "concluiu que o pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES e que o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos".


Segundo a controladoria, não houve também irregularidade na compra do remédio Tamiflu, no ano passado.


De acordo com a revista Veja, Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil e sócio de um filho de Erenice numa empresa de lobby em Brasília, recebeu R$ 200 mil de propina pela compra do medicamento. A controladoria também afirma que não houve falhas nas multas aplicadas à Matra Mineração, empresa ligada ao marido de Erenice.


A CGU investigou ainda a contratação do escritório Trajano e Silva Associados pela Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Uma irmã de Erenice, Maria Euriza, era funcionária do órgão e autorizou em agosto de 2009 a contratação, sem licitação, do escritório, cujo um dos sócios era um irmão delas, Antônio Alves Carvalho.


A CGU afirma que ele entrou oficialmente na sociedade só em novembro, embora o advogado Márcio Silva, um dos sócios do escritório, tenha informado por escrito que ele era sócio desde fevereiro de 2009. A CGU revela que a própria Erenice já foi do quadro societário, admite falhas na contratação, mas faz só recomendações. A auditoria aponta problemas num contrato entre o Ministério das Cidades e a Fundação da Universidade de Brasília que teria o envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice. Diz que há irregularidades de R$ 2,1 milhões, mas não afirma que ele seria o culpado direto.


Anteontem, a Polícia Federal decidiu que só ouvirá os filhos de Erenice depois das eleições.


Demissão

Mesmo negando as denúncias contra seu filho, Israel, a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, pediu demissão do cargo. Ela ficou pouco mais de cinco meses no comando da pasta


De: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101001/not_imp618120,0.php



Dilma vence debate da Globo e aumenta chances de vitória no dia 3

Aconteceu tudo ao contrário do que a oposição esperava. O último debate, o da Globo, o de maior audiência, aquele que poderia comprometer Dilma e alavancar Serra e Marina e provocar o segundo turno saiu pela culatra para os oposicionistas. Nem o "fator" Plínio funcionou. A candidata do PT teve, sem sombra de dúvida, o melhor desempenho. Para quem lidera as pesquisas, não sair chamuscada já é uma vitória. Vencer o debate então é praticamente selar o destino das eleições no primeiro turno.

As regras engessadas do debate impediram um confronto direto entre Serra e Dilma, restando ao tucano fazer ataques indiretos ao governo federal, numa postura antipática.

Segundo informações iniciais, o debate teve média de audiência de 24 pontos na medição do Ibope, tendo liderado a audiência entre as TVs de canal aberto durante os três primeiros blocos.

Marina repete discurso idealista

Para quem passou a semana saltitando "ondas verdes", Marina Silva estava muito apagada na maior parte do debate. Acordou só a partir do terceiro bloco e foi justamente para brigar com Serra. O tucano caiu na armadilha e foi ríspido com a candidata do PV, lembrando que ela não deixou o governo Lula na época do "mensalão". Os marqueteiros já tinham avisado aos candidatos que deveriam fugir de embate ríspido com Marina.

Marina insistiu no debate de estratégias, sem propostas concretas. Repetiu o discurso idealista que atinge uma faixa muito reduzida da população. Seu pronunciamento final foi fraco e a candidata apareceu diante das câmeras da Globo com aparência séria demais, quase triste. Definitivamente, não ajudou a suposta "onda verde" a ganhar musculatura.

Plínio não estava afiado

Plínio teve sua pior performance, a menos engraçada, a menos espirituosa, e justamente no debate de maior audiência. O candidato do PSOL conseguiu retomar a forma só nas considerações finais, quando fez um discurso cativante e ideológico. Mas já era tarde, o debate estava no fim.

Quando tentou provocar os adversários, Plínio usou argumentos equivocados. Ao ser questionado por Dilma sobre funcionalismo público, ele acusou o governo Lula de "privatizar" e "terceirizar" os serviços. Deu a deixa para Dilma rebater, dizendo que quem privatizou e terceirizou foi o governo FHC.

Serra evitou confronto

Serra não conseguiu ir além das críticas técnicas e econômicas ao atual governo. Não teve oportunidade de apresentar propostas interessantes com argumentação palatável ao eleitor indeciso. O tucano precisava desesperadamente de um desempenho acima da média para conquistar novos eleitores. Ou torcer para um desempenho desastroso de Dilma para arrancar eleitores dela. Não conseguiu nem uma coisa nem outra. Em sua fala final, sequer foi aplaudido pela platéia de tucanos presentes no estúdio da Globo.

Dilma manteve a serenidade

Dilma, por sua vez, respondeu a todas as perguntas com serenidade e no episódio que poderia resultar em seu pior momento --quando riram de sua fala sobre doações de campanha--, ela teve presença de espírito suficiente para inverter a situação e acabar a fala recebendo aplausos ao dizer que "lamenta o riso daqueles que têm outra prática".

A candidata petista estava preparada para responder perguntas potencialmente embaraçosas sobre as denúncias envolvendo a Casa Civil, sobre liberdade de imprensa e sobre aborto. Temas com os quais a oposição e a mídia têm atacado a candidata. Mas nem precisou. Preocupados em não adotar posturas agressivas, os adversários de Dilma sequer tocaram nestes assuntos.

Decisão no primeiro turno ficou mais factível

O debate acabou sendo um passeio para a candidata favorita. Dilma fez a natural defesa do governo Lula, mas citou o nome do presidente pouquíssimas vezes, mostrando que a campanha ajudou-a a ganhar personalidade própria.

Muitos analistas políticos passaram a semana dizendo que o debate desta quinta-feira seria decisivo. Se for mesmo, aponta para uma decisão no primeiro turno, a favor de Dilma.

Cláudio Gonzalez

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