terça-feira, 18 de abril de 2006

A camisa pirata

A camisa pirata
Dedicado à Niccolò Machiavelli da UNIVERSIDADE DE SAO PAULO

Por Laerte Braga

Uma primeira avaliação das andanças do ex-governador Geraldo Alckmin pelo País, à guisa de fazer campanha para as eleições presidenciais de outubro, é que o dito não anda e fala ao mesmo tempo. Tropeça e cai. Enrola-se nas pernas e na língua. Talvez os tais 400 vestidos que a mulher ganhou para doar (não doou) aos pobres estejam afetando o candidato tucano.

Alckmin é corrupto de carteirinha. Teve uma explicação singela para a compra de uma camisa pirata. “A pressa, a correria da campanha”. Bobagem. Talvez não exista um único brasileiro que não tenha comprado um produto pirata num País onde a pirataria prospera e pode ser encontrada na esquina a preços bem mais convidativos que os ditos produtos normais.

E um detalhe, no caso da camisa. Trabalho de um artesão que sobrevive disso. Numa região dominada por coronéis, latifundiários, políticos corruptos e venais. Onde o povo é um pormenor e lembrado apenas em época de eleição.

Candidato tucano, que quando visitou a Bahia disse que era baiano por conta de seus ancestrais, agora explicou que, além da correria de campanha, em São Paulo havia adotado um negócio chamado “simples” para pequenos empresários não pagarem impostos. Piada.

É tão idiota que não sabe que a totalidade dos estados brasileiros dispõem do tal simples. Essa é a ameaça tucana que se avizinha. Se acrescentarmos o enviado divino Garotinho, aí não tem jeito. Explode de vez, vira pó, ou confirma a condição de colônia dos EUA. Alckmin é a versão paulista de Eduardo Azeredo. Pela noite desligam, tiram a bateria, ou pilha, guardam na caixa e no dia seguinte colocam para funcionar.

Se os controladores não estiverem por perto desandam, ele e Azeredo. A única coisa que conseguem fazer de maneira certa e com autonomia é meter a mão no dinheiro público.

Fora isso são dois desastres. No caso do paulista, os controladores querem que venha a ser o próximo presidente da República. O ex-PSD mineiro, segundo Villasboas Corrêa um “estado de espírito mineiro”, tinha um deputado que costumava olhar os candidatos e afirmar: “esse pode falar, esse não pode”. Era Último de Carvalho. Latifundiário, extrema-direita, mas esperto como nunca. Para ele alguns candidatos quando abriam a boca deixavam entrever a derrota. Calados tinham alguma chance. Parece ser o caso do ex-governador de São Paulo. Esse episódio da camisa pirata revela o candidato DASLU/400 vestidos em sua totalidade.

Já os documentos que comprovavam a corrupção no banco paulista, do governo paulista, Nossa Caixa sumiram numa operação de arrombamento do cofre onde estavam guardados.
Alckmin é um bocó, mas a turma que está com ele não. É máfia de alta periculosidade. Bancos, latifundiários, FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo), tucanos, PFL, gente que não hesita em colocar a mãe na bolsa se der lucro.
Mais um que toma sorvete com a testa. Operado a distância pelos donos do Estado brasileiro."

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