Por dasilva.daselva
23/03/2006
Pela segunda vez em menos de quinze dias a polícia municipal do rio de janeiro apreende livros em praça no centro da cidade.
Num país onde o acesso a cultura é negado de maneira veemente às populações de baixa renda, os livreiros de rua, também chamados de "sebistas" são muitas vezes a luz da salvação. J.E., escritor, brasileiro e desempregado faz da venda de exemplares impressos o seu nobre ganha-pão. Meia-idade, vocabulário distinto, J.E. não se faz de rogado quando se começa a falar sobre literatura, abre a boca e compartilha com quem estiver por perto o que conhece sobre o assunto e não é pouco o que ele sabe, passa de Gibran Khalil Gibran pra Julio Cortázar pra literatura marginal tranquilamente como quem passa manteiga no pão, tudo o que não se encontra em funcionários de livrarias especializadas.
E como se isso não fosse o bastante, ainda faz descontos inacreditáveis pros clientes e não se furta em deixar que pessoas deixem seus livros também lá, em consignação.
Pois foi contra este brasileiro que policiais municipais do rio de janeiro (a dita cidade maravilhosa)investiram na tarde de 23 de março, na Rua do Passeio em frente ao número 90.
De cassetetes em punho como se estivessem à procura de cão raivoso ou coisa pior, pegavam os exemplares e os arremessavam no carro com se lixo fosse (e pra eles deve ser,mesmo), um deles, cínico (aquele tipo que as pessoas chamam de "policial bom"), ficava pedindo informações sobre as obras apreendidas, que o livreiro dava, sem sinal de rancor vísivel, aliás, rancor teve um dos policias contra os colegas, pois eles estavam lhe atrapalhando a hora do almoço (!!!).
E ainda reclamaram de um comerciante legalizado por ele ter emprestado a tábua onde o J.E. expunha os livros. E enquanto isso, outras tantas pessoas passavam do lado e continuavam o seu caminho, pois afinal não era da conta deles, só se torna da conta deles quando a desgraça lhes assoma à porta, que brasileiro é assim, apesar da pecha de boa gente que nos dão.
E os policiais, porque fazer isso? por que apreender livros usados que já se pagaram e que agora poderiam estar diante dos olhos de nós, a grande maioria que vive à margem de tudo que seja relacionado à informação? mas isso não (n)os comove, afinal de contas, somos brasileiros e brasileiro que é brasileiro só se interessa por futebol e cerveja e bunda. ou não?
23/03/2006
Pela segunda vez em menos de quinze dias a polícia municipal do rio de janeiro apreende livros em praça no centro da cidade.
Num país onde o acesso a cultura é negado de maneira veemente às populações de baixa renda, os livreiros de rua, também chamados de "sebistas" são muitas vezes a luz da salvação. J.E., escritor, brasileiro e desempregado faz da venda de exemplares impressos o seu nobre ganha-pão. Meia-idade, vocabulário distinto, J.E. não se faz de rogado quando se começa a falar sobre literatura, abre a boca e compartilha com quem estiver por perto o que conhece sobre o assunto e não é pouco o que ele sabe, passa de Gibran Khalil Gibran pra Julio Cortázar pra literatura marginal tranquilamente como quem passa manteiga no pão, tudo o que não se encontra em funcionários de livrarias especializadas.
E como se isso não fosse o bastante, ainda faz descontos inacreditáveis pros clientes e não se furta em deixar que pessoas deixem seus livros também lá, em consignação.
Pois foi contra este brasileiro que policiais municipais do rio de janeiro (a dita cidade maravilhosa)investiram na tarde de 23 de março, na Rua do Passeio em frente ao número 90.
De cassetetes em punho como se estivessem à procura de cão raivoso ou coisa pior, pegavam os exemplares e os arremessavam no carro com se lixo fosse (e pra eles deve ser,mesmo), um deles, cínico (aquele tipo que as pessoas chamam de "policial bom"), ficava pedindo informações sobre as obras apreendidas, que o livreiro dava, sem sinal de rancor vísivel, aliás, rancor teve um dos policias contra os colegas, pois eles estavam lhe atrapalhando a hora do almoço (!!!).
E ainda reclamaram de um comerciante legalizado por ele ter emprestado a tábua onde o J.E. expunha os livros. E enquanto isso, outras tantas pessoas passavam do lado e continuavam o seu caminho, pois afinal não era da conta deles, só se torna da conta deles quando a desgraça lhes assoma à porta, que brasileiro é assim, apesar da pecha de boa gente que nos dão.
E os policiais, porque fazer isso? por que apreender livros usados que já se pagaram e que agora poderiam estar diante dos olhos de nós, a grande maioria que vive à margem de tudo que seja relacionado à informação? mas isso não (n)os comove, afinal de contas, somos brasileiros e brasileiro que é brasileiro só se interessa por futebol e cerveja e bunda. ou não?
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