segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Nosso país tem sua rede terrorista própria

Nosso país, que está fora da rota internacional do terrorismo,mas tem sua rede terrorista própria, “made in Brazil”: São Paulo. O PCC (Primeiro Comando da Capital), que vem promovendo uma série de atentados na capital paulista, desta vez extrapolou. O grupo seqüestrou o repórter da TV Globo, Gilberto Portanova, e o auxiliar técnico Alexandre Lacerda Calado, numa tática para que a emissora divulgasse um comunicado denunciando as más condições carcerárias das prisões brasileiras, sob risco de executar os jornalistas.

A emissora cedeu à pressão e divulgou o comunicado, gravado no melhor estilo Al Qaeda, com homens encapuzados e mensagens com um tom de guerrilha. Ou seja, cada vez mais, o PCC deixa de ser uma organização meramente criminosa – o que, por si só, seria muito grave – para se transformar num poderoso grupo paramilitar, com objetivos escusos.

Entre as várias autoridades ouvidas, um coronel do Exército aposentado criticou o descaso das autoridades brasileiras para com o setor de segurança e espionagem, após a chegada ao poder de Fernando Collor de Mello. Com o intuito de apagar da memória dos brasileiros os momentos nefastos da ditadura militar – simbolizado pelo Doi-Codi (que se encarregava de deter esquerdistas) -, desarticulou-se o sistema de inteligência do país. Assim, a polícia e as forças armadas não conseguem detectar os focos de articulação para agir com rapidez e neutralizar as ações dos marginais.

Some-se a isto a falta de integração entre os vários órgãos policiais – Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar. Uma ação efetiva de órgãos de inteligência conseguiria desmantelar a estrutura de uma organização do porte do PCC, identificando a hierarquia do grupo e agindo antes deles. Como o próprio coronel exemplificou, “muitas vezes um contador, que pouco aparece, é muito mais importante para o grupo do que as lideranças, porque é ele o encarregado da lavagem de dinheiro, entre outras coisas”.

São Paulo não está muito distante de Bagdá e Beirute. A Colômbia teve que pedir ajuda externa e vem conseguindo, com sucesso, neutralizar as ações dos narcotraficantes que já haviam tomado conta do país. Tomara que o Brasil não precise disso.

Um comentário:

Anônimo disse...

ALCKMIN E A INDIGNAÇÃO DE BUSATO


O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, repudiou o seqüestro do auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado e do repórter Guilherme Portanova, ambos da TV Globo, por membros da organização criminosa PCC. Não somente o seqüestro do repórter da Globo merece repúdio, todos os seqüestros merecem nosso repúdio e indignação. Toda forma de violência merece ser repudiada, deve ser condenada, deveria ser evitada. O PCC se fortaleceu nesses 12 anos do governo do PSDB em SP. Alguns irão pensar que eu estou usando isso eleitoreiramente, o que é um equívoco. Os fatos mostram que o governo de SP, o governo de Alckmin, não soube controlar a violência, não teve a vontade e o empenho necessários para combater o crime organizado. Alckmin deixou o sistema penitenciário de SP apodrecer, os presídios estão superlotados, os presos estão confinados de forma degradante, desumana. Muitos dirão que eles não são gente direita, são criminosos que cometeram vários crimes bárbaros. É verdade. Mas as nossas leis determinam que eles sejam presos, que sejam afastados da sociedade, porque livres oferecem perigo. O Estado não pode agir como os bandidos, não pode cometer barbáries contra os presos. O Estado é responsável pela construção e manutenção dos presídios, e pela vida dos detentos; o Estado é responsável pela integridade física dos presos. O Estado é responsável por evitar fugas e rebeliões, mortes de presos, de agentes e policiais. Os próprios bandidos sabem que o sistema de segurança em SP está falido, sabem quem são os funcionários públicos que podem subornar. Eles sabem quem são os advogados corruptos que os ajudam, que fornecem celular, que levam as ordens dos chefes do crime organizado para fora dos presídios. Eles sabem que podem subornar diretores de presídios para obter regalias, eles sabem que podem fazer acordos com o secretário de segurança. Que moral tem o governador Alckmin para combater o crime organizado? Se ele desvia dinheiro da estatal Nossa Caixa em beneficio próprio, se foi conivente com a sonegação fiscal da contrabandista dona da Daslu, se sua esposa recebeu 400 modelitos (cada um vale milhares de reais) do estilista Rogério Figueiredo, caracterizando improbidade administrativa, se diminuiu o contingente da PM e arrochou os salários das polícias? Como combater a violência e a criminalidade se as pessoas – pretensamente ilibadas – que deveriam fazê-lo de forma correta, dentro das leis, estão envolvidas com o crime organizado? Em todos os segmentos da sociedade, em todas as profissões, temos os bons e os maus profissionais. São Paulo, nesses 12 anos de PSDB no governo do estado, escolheu os piores para gerenciar e coordenar a segurança pública. Esses fatos foram revelados por reportagens, por matérias investigativas na TV e nos jornais. Há juizes, advogados, policiais, políticos e militares presos pela PF do governo Lula, por terem compactuado com o crime organizado. Alckmin não pode transferir para o governo Lula responsabilidades que são exclusivas do governo do estado. Ele não teve competência para cuidar da segurança pública em SP, foi incompetente para nomear seu secretário de segurança pública, foi incompetente, negligente, omisso, para governar o estado mais rico e populoso do país. O governo Lula está oferecendo desde maio ajuda para combater a violência e o crime organizado, sob forma de homens da Força de Segurança Nacional, tropas do Exército, agentes da Polícia Federal: o governo de SP, do PSDB/PFL, não aceita. Eles não estão preocupados com a segurança da população, com as vidas de inocentes, mas estão preocupados com o quanto essa ajuda vai mostrar a incompetência de Alckmin e o quanto isso poderá ser prejudicial para sua campanha eleitoral. Alckmin e o governo de SP, do PSDB/PFL, estão usando essa violência de modo eleitoreiro. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, deveria se indignar com isso, deveria se indignar com os advogados que estão a serviço do crime organizado, deveria se indignar com a incompetência de Alckmin. Espero que o Sr. Busato, que diz estar tão indignado, não apóie Alckmin para a eleição presidencial. A conferir!
Jussara Seixas

Marcadores