quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Alckmin tem apoio de Garotinho e dois deputados do PSDB, acusados de compra de votos no RIO.


Compra de votos no RJ pode envolver 5 mil nomes


Mais de cinco mil pessoas podem ter participado de esquema de compra de votos em Duque de Caxias, que teria beneficiado os candidatos a deputado federal Geraldo Pudim e estadual Antônio Carlos Félix, ambos do PMDB. A denúncia, investigada pela Polícia Federal de Nova Iguaçu, levou o Ministério Público Eleitoral a pedir a cassação do registro da candidatura dos dois. Pudim e Félix fizeram dobradinha em Caxias, mas só Pudim, que tem como padrinho político o ex-governador Anthony Garotinho, conseguiu se eleger.

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No dia 1º de outubro, Ageu Nery da Silva, 36 anos, e Ana Cláudia Miranda da Silva, 33, mulher de Antônio Carlos Félix, foram presos no bar Point do Pagode, em Gramacho, Duque de Caxias, com R$ 750 em dinheiro, cerca de 500 fichas cadastrais com nome, endereço e título de eleitores, um carimbo, além de "santinhos" com os nomes de Pudim e Antônio Carlos Félix.

O delegado Ricardo de Carvalho, que investiga o caso, disse que poderá indiciar Garotinho, Pudim e Félix, caso fique comprovado que os três orientaram eleitores para votar em troca de dinheiro. Em depoimento à PF, testemunhas disseram que Ana Cláudia e Ageu prometeram dar R$ 50 a cada morador de Gramacho que conseguisse outras nove que aceitassem preencher a ficha cadastral. A polícia apurou que uma parte do dinheiro foi entregue antes das eleições e o restante seria pago no dia 1º.

"O primeiro nome da ficha cadastral era o da pessoa que receberia R$ 50. Esta pessoa deveria convencer outras a entrarem no esquema", disse o delegado. Ana Cláudia e Ageu foram soltos no dia 1º pelo juiz Antonio Carlos Arrábida Paes, da 194ª Zona Eleitoral, que concedeu o relaxamento das prisões. Os envolvidos serão indiciados em crime de corrupção eleitoral, cuja pena é de quatro anos de prisão.

Além de Pudim, outros nove deputados eleitos estão sendo investigados pelo Ministério Público Eleitoral e também podem perder o mandato. O MPE entrou com ações no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra os federais Bernardo Ariston e Solange de Almeida, do PMDB, e os estaduais Alair Corrêa e Álvaro Lins, também do PMDB; Jane da Núbia (PTC), Wilson Cabral (PSB) e Sabino (PSC).
PSDB
Nos próximos dias, o MPE entra com ação contra o federal Silvio Lopes e seu filho Glauco, reeleito para a Alerj. Os dois são do PSDB.

Garotinho esteve em galpão

Em depoimento à Polícia Federal, testemunhas disseram que o ex-governador Anthony Garotinho esteve no dia 28 de setembro, às 18h, no Point do Pagode, em Gramacho, mesmo local onde foi feita a apreensão das fichas e do dinheiro no dia 1º. Na ocasião, Garotinho teria pedido votos para Pudim.

Ontem, Antônio Carlos Félix divulgou nota em que nega que tenha orientado a prática ilícita de compra de votos. Pudim também negou as acusações. "Quem foi presa foi a mulher e o assessor do Felix. O que eu tenho a ver com isso?", ressaltou. A prefeita Núbia Cozzolino disse que as denúncias contra ela e a irmã, Jane Cozzolino, representam "uma perseguição" do Ministério Público Eleitoral, acrescentando que Jane está viajando.

Casa com placas e fotos de candidatos

Placa com as fotos dos candidatos Geraldo Pudim e Antônio Carlos Félix está na frente da casa de Ageu Nery da Silva, 36 anos, um dos acusados de envolvimento no esquema de compra de votos. A residência, que fica numa rua do bairro Gramacho, em Duque de Caxias, estava vazia. Ageu informou à Polícia Federal que só fará declarações em juízo.

No apartamento de Antônio Carlos Félix, no Centro de Duque de Caxias, a mulher dele, Ana Cláudia, informou que as respostas do casal às acusações seriam dadas apenas ao Ministério Público Eleitoral. "Não temos mais nada a declarar sobre esse assunto", disse ela.

Já o dono do Point do Pagode, que não se identificou, informou que apenas emprestou o clube para o encontro do dia 28, que contou com a participação de Garotinho. Ele não soube dar informações sobre o esquema de compra de votos. Segundo o delegado Ricardo de Carvalho, até agora quatro testemunhas prestaram depoimento e confirmaram o funcionamento do esquema. Ele pretende convocar agora alguns eleitores para saber se eles também receberam dinheiro para votar em Pudim e Félix.

O delegado lembrou que tanto o autor da corrupção quanto quem é corrompido pode ser punido por crime de corrupção eleitoral. Ele tem até o dia 1º de novembro para concluir o inquérito.

Denúncias e prisões

A Polícia Federal começou a investigar o caso no dia 1º, após a prisão de dois cabos eleitorais do PMDB comprando votos no bairro Gramacho, em Duque de Caxias. A PF recebeu denúncias de que no galpão do Point do Pagode eleitores estariam sendo pagos. Ao chegar ao local, os policiais encontraram vários eleitores, que foram detidos e levados para a Delegacia da PF de Nova Iguaçu.

Ana Cláudia Miranda da Silva e Ageu Nery da Silva estavam entre os detidos. As investigações mostraram que eles seriam os responsáveis pelos pagamentos. Os policiais federais apreenderam, no galpão, títulos de eleitor, formulários de recrutamento para compra de votos, dinheiro e material de campanha de Geraldo Pudim e Antônio Carlos Félix.

Segundo as denúncias, cada pessoa receberia R$ 50 para convencer outras a se cadastrar e a votar na dobradinha formada por Pudim e Félix. Para receber o dinheiro, bastava apresentar o comprovante de votação. Pelo menos duas eleitoras que se encontravam no galpão na hora da ação da polícia confirmaram que estavam vendendo seu voto. Elas apontaram um homem conhecido como Jorge, como responsável pelo oferecimento do dinheiro. Além de votar em Pudim e Félix, as pessoas pagas ainda teriam de arregimentar mais nove eleitores.


O Dia

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