quinta-feira, 26 de outubro de 2006

DEBATE ESVAZIADO


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No primeiro turno, o debate da Globo na véspera da eleição levou uma formidável vantagem sobre os anteriores - nas demais emissoras - em termos de prestígio (e audiência). Afinal, na semana que antecedeu o pleito foram divulgadas as fotos dos pacotes de dinheiro que deveriam comprar o célebre dossiê dos Vendoim, naquela jogada armada pelo delegado Bruno, da Polícia Federal, em conluio com alguns setores da mídia.

Isso fez com que todas as atenções se voltassem para o confronto final e decisivo. Com a ausência do presidente-candidato, Alckmin, Heloisa e Cristovam deitaram e rolaram. Sem defesa, com a Globo do mostrando a todo instante a cadeira vazia, Lula virou saco de pancadas. Quem ganhou foi o tucano que conseguiu reverter a tendência da eleição de Lula logo no primeiro turno, como previam unanimente as pesquisas de intenção de voto.

Neste segundo turno, entretanto, tudo indica que o debate da Globo, por ser o último, vai ser um fiasco. Digo isso depois de assistir ao debate da Record. Impressionante, parece um video-tape dos debates da Band e do SBT. O desgaste dos candidatos – que se transfere ao telespectador – é evidente. Eles não têm mais o que dizer, o que perguntar e o que responder. Não será o fato de ser o último e na Globo que vai modificar esse panorama. Ficou chato, para não dizer intragável assistir àquele ramerrão de mentiras e troca de acusações. Vejo apenas por dever profissional.

A monotonia que tomou conta desse desgastante final de campanha foi muito bem captada pelo jornal argentino El Clarin. Para o jornal, o país está “anestesiado por uma guerra que gera mais cansaço do que entusiasmo”. A diferença de mais de 20 pontos nas pesquisas entre Lula e Alckmin também contribui para esse desânimo, diz o jornal, e a votação do dia 29 “parece mais uma sondagem para determinar qual será a vantagem do ganhador, mas não há muitas dúvidas sobre quem levará a vitória". O Clarin encheu a bola de Alckmin, afirmando que ele demonstrou ser “um político sólido e determinado (...) e que seu rótulo de insosso é apenas um estereótipo".

Nesse cenário, qualquer enfrentamento entre os candidatos nessa reta final é chover no molhado. Uma enfadonha repetição de tudo que foi dito nos anteriores e o eleitor já sabe de cor e salteado. A não ser que haja algum acontecimento do tipo “nitroglicerina pura” que jogue lixo no ventilador. Mas aparentemente isso é improvável, não só pela falta de tempo útil, como porque a oposição já gastou os últimos cartuchos.

De toda forma, se não houver surpresa, o país vai ter que conviver com o presidente Lula por mais quatro anos. Para alegria de uns e raiva de outros. E aí é que reside a grande dúvida: suportará ele o bombardeio dessa oposição raivosa, inconformada com a derrota que as urnas vão lhe impingir?

2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com vc oni. Não haveria mais tempo hábil, mas manter a vigilancia e a virada de votos dia 29 se faz necessário.
a direitalha porca não descansa um minuto!
dia 29 vou ser presidente de mesa de votação, quero a minha seção cheia de fiscais do pt hein!!!!

Anônimo disse...

O que??? o Clarin estava torcendo para o picolé??? ah fala sério!!!

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