“O Ibope existe há 64 anos e ouvimos mais de 200 vezes o mesmo argumento: o de que as pesquisas mascaram a realidade. Isso me entristece ainda mais porque parece discurso de perdedores.
Esse é o discurso mais fora de moda que existe. O Ibope existe há 64 anos e ouvimos mais de 200 vezes o mesmo argumento: o de que as pesquisas mascaram a realidade. Isso me entristece ainda mais porque parece discurso de perdedores. No primeiro turno desta eleição, fizemos pesquisas para presidente, governador e senador nos 27 Estados. Foram ao todo 520 prognósticos. Acertamos 512, tivemos problemas em oito.
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No caso do governador Geraldo Alckmin, não é verdade que tenhamos errado. Tenho ouvido comparações simplistas que se vangloriam porque o candidato do PSDB-PFL teve mais votos do que José Serra em 2002. Mas as eleições são muito diferentes.
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Na disputa anterior, havia dois outros candidatos com musculatura eleitoral: Ciro Gomes e Anthony Garotinho, que conseguiu quase 17 milhões de votos. Agora, os outros dois na corrida – a senadora Heloisa Helena, do Psol e o senador Cristóvão Buarque, do PDT - são ex-petistas, petistas ressentidos. Isso fez com que o segundo turno fosse, digamos, antecipado. E o resultado seria definitivo, não fosse a ausência do presidente Lula ao debate na TV Globo e a divulgação da foto do dinheiro do dossiê, ambos nas últimas 48 horas.
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Um e outro fato fizeram com que os momentos finais fossem nervosos, agitados. Os eleitores foram bombardeados por essas notícias e isso fez com que o presidente Lula recuasse do patamar de 53 ou 52% para 50% ou 49%. Caso isso não ocorresse, ele seria eleito no primeiro turno, como se sabe.”
Carlos Augusto Montenegro / Jornal de Debates
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