terça-feira, 10 de outubro de 2006

Gedimar isenta Freud Godoy de envolvimento na compra do dossiê

Publicada em 10/10/2006 às 21h54m

CUIABÁ e BRASÍLIA - O policial federal aposentado Gedimar Passos isentou nesta terça-feira o ex-assessor da Presidência Freud Godoy de envolvimento na compra do dossiê contra candidatos tucanos

. De acordo com a defesa apresentada por seus advogados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gedimar só citou o nome de Freud diante da promessa de liberdade feita pelo delegado da Polícia Federal Edmílson Bruno durante o interrogatório. Freud e Gedimar também já haviam trabalhado juntos. O delegado é o mesmo que fez as fotos do dinheiro do dossiê e as divulgou. Por isso, ele responde a inquérito e sindicância na PF.

Ainda de acordo com os advogados, Gedimar afirmou que a "autoridade policial não se conformava com a verdade, ou seja com o absoluto desconhecimento" da origem do R$ 1,7 milhão que seria usado para a compra do dossiê. Ele disse ainda que "o conteúdo do depoimento reflete muito mais as apreciações de quem perguntava do que a verdade de quem respondia". Ele declarou também só ter tido conhecimento do dinheiro quando "dois desconhecidos levaram a quantia até ele".

Na defesa, os advogados de Gedimar argumentam que ele "não é filiado e nunca foi a nenhum partido político". Gedimar foi contratado pelo ex-chefe do núcleo de informação e risco do PT Jorge Lorenzetti para trabalhar no comitê de campanha da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele deveria analisar e testar a autenticidade de documentos.

Gedimar, porém, não explicou na defesa porque não citou o nome de Lorenzetti. Seus advogados argumentaram que no primeiro depoimento ele estava "extenuado e moralmente abalado". Ele disse ainda que foi ouvido sem um advogado e sem um mandato judicial da justiça federal de São Paulo.

Advogado de Freud Godoy, Augusto de Arruda Botelho disse que seu cliente reagiu aliviado à defesa de Gedimar:

- Freud recebeu com alívio. Essa era uma questão que não havia sido respondida. A justiça está sendo feita finalmente - disse.

Na segunda-feira, em defesa apresentada ao TSE, Freud já havia negado seu envolvimento

no caso do dossiê, tendo confirmado apenas os contatos telefônicos com Gedimar.

De acordo com a PF, qualquer irregularidade que Edmílson Bruno tenha cometido será apurada e que Gedimar poderia ter retificado a declaração em relação a Freud Godoy quando foi ouvido por outro delegado, mas decidiu ficar em silêncio.

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