JOSE DIRCEU
Cortar, cortar e cortar
O candidato de FHC tem insistido que a única saída para o Brasil é cortar os gastos públicos, dar um choque de gestão, acabar com a ineficiência na administração pública. Quando fala em cortar, diz textualmente, como afirmou no debate da TV Bandeirantes, domingo passado, que está se referindo a gastos com corrupção, comissionados, ineficiência e licitações malfeitas. Como não se trata de ingenuidade, já que Geraldo Alckmin foi prefeito, deputado e governador durante seis anos, depois de ser vice de Mario Covas por outros seis, só pode ser má fé.
E digo por quê. No Brasil, só existe uma maneira de reduzir os gastos públicos: por meio da redução do serviço da dívida pública interna, que consome mais de 8% do nosso PIB, quatro vezes maior do que o déficit da Previdência, mais de duas vezes mais do que o déficit público nominal, e quase o dobro do superávit fiscal. Fora isso, há opções, que o candidato tucano, de forma mentirosa, diz ao eleitor-cidadão que não fará: redução dos gastos sociais e de custeio, arrocho e demissão de funcionários públicos, congelamento do salário mínimo e, por fim, corte nos investimentos públicos. Nada do que os governadores tucanos não tenham feito em vários estados brasileiros, e que o governo FHC também não tenha feito.
Outra inverdade de Geraldo Alckmin é seu desmentido sobre as declarações e propostas de seus principais assessores e formuladores de seu programa de governo, que vêm sendo chamados pela imprensa de Grupo Bandeirantes. Eles defendem abertamente a privatização da Petrobras e dos bancos públicos, além da retomada das privatizações das empresas energéticas e de saneamento. Mas, ao analisarmos todos os governos tucanos nos estados e o governo FHC, vamos ver que não só privatizaram, como continuam privatizando, como aconteceu em São Paulo nos governos Covas e Alckmin. A última tentativa foi a da privatização da Nossa Caixa, para tapar o rombo de R$ 1,2 bilhão produzido pelo “choque de gestão” de Alckmin, o que levou à suspensão de todos os pagamentos, e à paralisação das principais obras do estado, como as do Rodoanel. Na bacia das almas, a Nossa Caixa quase deixou de ser nossa para ser dos bancos privados, que já haviam planejado a repartição do butim. Principal instituição de investimento do Estado de São Paulo, a Nossa Caixa foi salva no último minuto pelo gongo das aparências eleitorais.
A histeria contra os gastos sociais do governo Lula e contra a política de recuperação do salário mínimo, das pensões e dos salários dos servidores públicos, é o verdadeiro e único programa de Geraldo Alckmin e de grande parte da direita brasileira. Isso porque são incapazes de apostar e arriscar na redução contínua e sistemática dos juros para que os investimentos público e privado aumentem, e o crescimento econômico faça com que o aumento das despesas públicas cresça menos que o PIB, reduzindo assim, na prática, os gastos públicos e, a médio prazo, a carga tributária. Somente a redução do serviço da dívida interna pode liberar recursos para investimentos na infra-estrutura social e econômica, permitindo uma redução do custo Brasil e dos impostos.
A solução é mais crescimento, e não menos gastos públicos em programas sociais e investimento. O receituário tucano, segundo deixou claro, em entrevista, Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda de São Paulo, e um dos que integram o Grupo Bandeirantes, é cortar mais de R$ 70 bilhões em recursos necessários ao funcionamento da máquina pública. O desmentido de Alckmim só fez crescer a certeza de que seu programa é cortar, cortar e cortar, até enfrentarmos PCC a nível nacional, exatamente como acontece em São Paulo, já que uma política de distribuição de renda não é pré-condição só para a estabilidade social. É necessária, principalmente, para o crescimento econômico sustentável.
Cortar, cortar e cortar
O candidato de FHC tem insistido que a única saída para o Brasil é cortar os gastos públicos, dar um choque de gestão, acabar com a ineficiência na administração pública. Quando fala em cortar, diz textualmente, como afirmou no debate da TV Bandeirantes, domingo passado, que está se referindo a gastos com corrupção, comissionados, ineficiência e licitações malfeitas. Como não se trata de ingenuidade, já que Geraldo Alckmin foi prefeito, deputado e governador durante seis anos, depois de ser vice de Mario Covas por outros seis, só pode ser má fé.
E digo por quê. No Brasil, só existe uma maneira de reduzir os gastos públicos: por meio da redução do serviço da dívida pública interna, que consome mais de 8% do nosso PIB, quatro vezes maior do que o déficit da Previdência, mais de duas vezes mais do que o déficit público nominal, e quase o dobro do superávit fiscal. Fora isso, há opções, que o candidato tucano, de forma mentirosa, diz ao eleitor-cidadão que não fará: redução dos gastos sociais e de custeio, arrocho e demissão de funcionários públicos, congelamento do salário mínimo e, por fim, corte nos investimentos públicos. Nada do que os governadores tucanos não tenham feito em vários estados brasileiros, e que o governo FHC também não tenha feito.
Outra inverdade de Geraldo Alckmin é seu desmentido sobre as declarações e propostas de seus principais assessores e formuladores de seu programa de governo, que vêm sendo chamados pela imprensa de Grupo Bandeirantes. Eles defendem abertamente a privatização da Petrobras e dos bancos públicos, além da retomada das privatizações das empresas energéticas e de saneamento. Mas, ao analisarmos todos os governos tucanos nos estados e o governo FHC, vamos ver que não só privatizaram, como continuam privatizando, como aconteceu em São Paulo nos governos Covas e Alckmin. A última tentativa foi a da privatização da Nossa Caixa, para tapar o rombo de R$ 1,2 bilhão produzido pelo “choque de gestão” de Alckmin, o que levou à suspensão de todos os pagamentos, e à paralisação das principais obras do estado, como as do Rodoanel. Na bacia das almas, a Nossa Caixa quase deixou de ser nossa para ser dos bancos privados, que já haviam planejado a repartição do butim. Principal instituição de investimento do Estado de São Paulo, a Nossa Caixa foi salva no último minuto pelo gongo das aparências eleitorais.
A histeria contra os gastos sociais do governo Lula e contra a política de recuperação do salário mínimo, das pensões e dos salários dos servidores públicos, é o verdadeiro e único programa de Geraldo Alckmin e de grande parte da direita brasileira. Isso porque são incapazes de apostar e arriscar na redução contínua e sistemática dos juros para que os investimentos público e privado aumentem, e o crescimento econômico faça com que o aumento das despesas públicas cresça menos que o PIB, reduzindo assim, na prática, os gastos públicos e, a médio prazo, a carga tributária. Somente a redução do serviço da dívida interna pode liberar recursos para investimentos na infra-estrutura social e econômica, permitindo uma redução do custo Brasil e dos impostos.
A solução é mais crescimento, e não menos gastos públicos em programas sociais e investimento. O receituário tucano, segundo deixou claro, em entrevista, Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda de São Paulo, e um dos que integram o Grupo Bandeirantes, é cortar mais de R$ 70 bilhões em recursos necessários ao funcionamento da máquina pública. O desmentido de Alckmim só fez crescer a certeza de que seu programa é cortar, cortar e cortar, até enfrentarmos PCC a nível nacional, exatamente como acontece em São Paulo, já que uma política de distribuição de renda não é pré-condição só para a estabilidade social. É necessária, principalmente, para o crescimento econômico sustentável.
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