terça-feira, 10 de outubro de 2006

ZIRALDO - Porque eu vou votar no Lula

Segundo o Mauro Santayana, que não nasceu em Minas - como o Itamar, que nasceu no mar -, mas é uma instituição mineira, a gente tem que ter muito cuidado com paulista.

É claro que estou tratando a coisa como uma brincadeira, somos todos brasileiros (meus seis netos nasceram em São Paulo, a esposa do meu filho e os maridos de minhas filhas são paulistas e estou muito feliz com essa arrumação).

Como em nossa História, porém, nós, mineiros, andamos de pinimba revolucionária com a paulistada, as lendas correm soltas. Os cariocas diziam que mineiros compravam bondes.

Compravam, sim, confirmam alguns mineiros mais espertos; mas pra vender pra paulistas. Conta-se também que mineiros nunca se importavam de ver seus times sempre perdendo para os times paulistas.

E explicavam: "Futebol nós perde; o que nós num perde é revolução." Segundo o Mauro, que explica como a frase que vou citar surgiu - história da qual me esqueci -, a rapaziada de Minas mais próxima da fronteira com São Paulo avisa pro resto da mineirada: "Paulista, nem à prazo nem à vista!"

Taí o Fernando Henrique Cardoso que não deixa a mineirada mentir, não é mesmo, Itamar? Bem, depois de ler esta introdução e ver lá em cima o título do artigo, os mineiros que me leêm neste instante e para quem um pingo é letra já perceberam onde quero chegar.

Pra simplificar, antes de entrar em considerações é só lembrar ao meu povo - mineiro, como vocês sabem, chama o povo lá de casa de povo - que nós, o Brasil inteiro, ficamos, a esta altura, entregues a duas possibilidades paulistas: ou entra o Álck'min (cujo sobrenome é um desrespeito a Minas, terra dos alquimíns de Bocaiuva) ou entra o Lula que, no fundo, é um metalúrgico paulista que venceu na vida.

Nunca podemos nos esquecer de que, quando FHC assumiu, o projeto deles era o de ficar 20 anos no poder. Dentro do plano, tiveram a cachimônia (adoro esta palavra!) de inventar o acontecimento mais antiético da história da República brasileira: a reeleição.

Ela foi um sujo golpe às instituições, uma medida que nem os militares da ditadura tiveram a coragem de perpetrar, realizada em causa própria - com o principal beneficiário no poder - e conseguida da maneira mais desonesta de que se tem notícia: comprando, por preço nunca sabido, o voto dos deputados que, sem que a imprensa brasileira se escandalizasse ao nível do que se escandaliza hoje, começavam a desmoralizar mais ainda o nosso tão desmoralizado Congresso. Tudo começou com essa gente. E eles querem voltar ao poder.

"Non pasarán!" - os mineiros têm a obrigação de dizer. A trajetória política do Lula serviu para provar que a alma humana é que atrapalha todos os mais nobres planos de salvação de um povo. A verdade é que ninguém, mas ninguém mesmo, ama o povo. É tudo conversa.

As pessoas se movem em torno do poder e só depois é que descobrem uma causa para justificar sua luta por ele (o poder). Enquanto o ser humano, como indivíduo, mover-se em função do rancor, da carência afetiva e da inveja, não haverá possibilidade de êxito para qualquer causa coletiva.

Mas isso é outra história. O Luis Fernando Veríssimo descobriu a pólvora: Lula é o sertão - vejam sua vitória no Norte e Nordeste; na alma do povo ele é mais de lá do que de São Bernardo - e o Alckmin é da Daslu.

Delenda Daslu! Não é possível que nós, mineiros - depois de termos cometido o erro que o Itamar cometeu, este de inventar essa deletéria figura do Fernando Henrique - vamos agora eleger o Alckmin.

"Um erro, nós admitimos, dois, não." - como diria o macaco que não devolveu o troco a mais na primeira compra e exigiu o troco a menos na segunda.

Tenho certeza de que o Aécio está no palanque apoiando o Alckmin por uma questão de lealdade ao seu partido - onde ele me parece um estranho no ninho, mas já que está lá... - e não por convicção.

Ele sabe que Lula tem que ganhar disparado em Minas neste segundo turno para evitar que Alckmin assuma a presidência e mele o projeto nacional de ter o Aécio como presidente do Brasil no próximo pleito.

Então, é isto: o Aécio está falando que é pra gente de Minas votar no Alckmin. Mas, todo mineiro sabe que isto é como aquela velha anedota da rodoviária: "Ocê tá dizendo que vai pra Manhuaçu pra eu achar que ocê vai pra Manhumirim, mas, ocê vai é pra Manhuaçu, mesmo".

Ou seja, ele tá dizendo pra nós votá no Geraldo, mas é pra nós votá no Lula, mesmo. Para aplacar a consciência dos possíveis eleitores do Lula que não votarão nele com muita alegria, prestem atenção: independente das razões que dei até agora pra nós, mineiros, votarmos no Lula, tenho outras razões mais consistentes.

Todo mundo fala do escândalo da corrupção no governo Lula. É realmente assustador, nunca vimos pessoal mais incompetente, mais desastrado, mais canhestro e - vamos lá - mais desonesto.

Quer dizer, mais desonestos já vimos, sim. É só lembrar que a maioria dos escândalos que são atribuídos a estes melancólicos sindicalistas da tropa do Lula, esses peleguinhos de quinta ordem, sempre foram frequentes em administrações anteriores, só não tiveram tanta visibilidade como têm agora.

Muitos dos escândalos que se creditam à administração Lula começaram no governo anterior, como o escândalo dos sanguessugas - cujo teor de gravidade pode ser medido pelo valor atribuído ao dossiê que o denuncia - e a fabulosa aventura do Marcos Valério.

Agora tudo se denuncia, tudo se apura, ainda que tudo vá ficar por isso mesmo, mas vejam um detalhe: a turminha do Lula, meus amigos, é descartável! Eles são ladrõezinhos de m. dos quais o país pode se livrar com um peteleco. Vai ser fácil ficar livre deles.

O que nós nunca conseguiremos é livrarmo-nos da oligarquia brasileira, dos bornhauses da vida, dos jereissatis, dos ACMs, dos ricos paulistas que já tiveram a coragem de confessar: "Somos todos corruptos!"

É essa gente que herdou as capitanias hereditárias e que está montada no povo desde que os portugueses chegaram aqui. É essa gente que construiu a parte indecente da história do nosso país. É essa gente que fala em ética, mas acha que aceitar voto de qualquer um é correto.

É essa gente farisaica que pensa que é melhor do que o povo do Lula. Mas, não é. Temos que dar mais uma chance a este segmento da sociedade que chegou ao poder com o Lula.

Eles estão sendo minados o tempo todo, mas, pelo menos, são outra gente. Não quero de volta os hipócritas da paulicéia desvairada. Prefiro o messianismo sertanejo do Lula.



http://www.otempo.com.br/colunistas/lerMateria/?idMateria=65147

2 comentários:

Anônimo disse...

ALCKMIN NÃO É UM RISCO, É UMA BOMBA
Muitos me perguntam o porquê de meu empenho em reeleger Lula. Uns dizem que eu ganho um salário para isso, outros falam que sou funcionária do PT ou do governo, ou que sou funcionária publica. Nenhuma das suspeitas dos leitores que me escrevem procede. Não recebo salário para defender o presidente Lula, não sou funcionária do PT (ainda não sou nem filiada), não trabalho para o governo, não sou e nunca fui funcionária pública. Sou uma cidadã brasileira, consciente de que o presidente Lula provou nesses 4 anos de governo que é o melhor para o Brasil. Também sou consciente do perigo que nos espreita em um eventual governo Alckmin. Muitos podem achar que eu estou o usando o método PSDB/PFL de terrorismo eleitoral, como já foi feito contra o presidente Lula em 2002, mas isso também não é verdadeiro. O risco Alckmin para o país é verdadeiro, vai muito além do desemprego, da desestabilização econômica, do fim dos programas sociais do governo Lula, tão combatidos pelo PSDB/PFL – que serão governo se Alckmin, por uma imensa desgraça, for eleito. Além de tudo isso, o risco Alckmin inclui transformar o Brasil no quintal do EUA, vamos ser de novo um povo submisso aos mandos e desmandos dos EUA. Só faremos acordos de exportação e importação se os EUA deixarem, graças à ALCA. Para agradar aos EUA, o governo brasileiro poderá mandar nossos soldados para fazer parte das forças aliadas dos EUA no Iraque, por exemplo, e tenham certeza que não será em missão de paz. Outra medida de um governo Alckmin poderá ser deflagrar um conflito com a Bolívia, e uma guerra, como já ficou demonstrada em toda a história da humanidade, a gente sabe como começa e não como termina. Uma situação como essa, do gás da Bolívia, pode e deve ser tratada como está sendo feito, com diplomacia, com negociações, sem mortes de inocentes, sem destruição. Quando Alckmin diz que o governo Lula foi "fraco com a Bolívia", é isso que ele está sugerindo. Outro perigo de um governo Alckmin é a divisão do país entre ricos e pobres, entre o Sul e o Nordeste. Infelizmente, a corda sempre arrebentará do lado dos mais fracos, dos mais pobres e dos mais humildes, e esse povo iria comer o pão que o diabo amassou. Podem esquecer a Transnordestina, os investimento no Nordeste para gerar emprego e renda, a Transposição do Rio São Francisco, a energia elétrica nos grotões, a construções de cisternas, a ajuda financeira e crédito para pequenos produtores, para cooperativas. Com Alckmin todos esses planos do governo Lula e as ações já existentes vão desaparecer. Ele vai alegar que não tem dinheiro, os seus aliados do PSDB/PFL vão dar o aval, e o povo vai amargar tempos muito piores do que amargou com FHC. Há o risco de haver uma reação sangrenta por parte do povo, pois eles sabem agora, com o governo Lula, que suas vidas podem ser muito melhores, podem ser dignas, e não aceitar pacificamente retornarem à condição de escravos das classes abastadas do sul maravilha. Os sinais de que um governo Alckmin será autoritário, injusto, entreguista, podem ser notados quando se olha para o que foi feito em SP, para seus aliados, para o que foi o governo de FHC. Alckmin, como FHC, privatizou o que pôde em SP, e só não fez tantas privatizações como desejava porque houve reação contrária dos funcionários, do povo e dos políticos do PT contrários às privatizações escusas do patrimônio público, que causam prejuízo ao povo e desemprego. Não pensem que a classe média será poupada, pois as mudanças econômicas serão devastadoras. Ocorrerão sucessivos aumentos nos preços de alimentos, dos combustíveis, dos aluguéis, o dólar vai disparar. Serão favorecidos somente os membros da elite, com capital e informações privilegiadas para investir. Alckmin não respeita os Direitos Humanos, e a prova disso são as prisões em SP e as FEBEMs, verdadeiros depósitos de gente superlotados, onde são freqüentes as torturas, as mortes sem explicação e, em conseqüência disso, as rebeliões, as fugas, o aumento da criminalidade da violência. Defendo o presidente Lula porque ele defende o meu país, porque ele transformou o Brasil em um país de todos, soberano, com justiça social e paz. Há muito ainda a ser feito no Brasil, há muito a ser conquistado para todos, não podemos permitir que o retrocesso – um governo do PSDB/PFL – interrompa esse ciclo de avanços, de crescimento sustentável, de respeito pelo meio ambiente, de respeito por todo o povo brasileiro. Amo o meu país, o Brasil, amo os meus filhos e quero o melhor para eles, quero o melhor para os filhos de todos os brasileiros, quero o melhor para todos. Por isso é Lula de novo com a força do povo.
Jussara Seixas

Anônimo disse...

aLCKMIN seria lesivo ao país!!! extremamente lesivo!!!
entreguista ao extremo, ele desmontou são paulo!!! Não deixem ele desmontar o resto do Brasil!
A salvação do Brasil está nas mãos de Minas e Rio de Janeiro agora!!!
Esqueçam sp... o pessoal daqui é tacanho demais, preconceituoso demais!

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