terça-feira, 24 de abril de 2007

Questão de ética - DOIS TEMPOS

1º TEMPO

A falta de ética mais prejudica a quem tem menos poder (menos poder econômico, cultural, político). A transgressão aos princípios éticos acontece sempre que há desigualdade e injustiças na forma de exercer o poder. Isso acentua ainda mais a desigualdade e a injustiça.


A falta ou a quebra da ética significa a vitória da injustiça, da desigualdade, da indignidade, da discriminação. Os mais prejudicados são os mais pobres, os excluídos.A falta de ética prejudica o doente que compra remédios caros e falsos; prejudica a mulher, o idoso, o negro, o índio, recusados no mercado de trabalho ou nas oportunidades culturais; prejudica o trabalhador que tentar a vida política; prejudica os analfabetos no acesso aos bens econômicos e culturais; prejudica as pessoas com necessidades especiais (físicas ou mentais) a usufruir da vida social; prejudica com a discriminação e a humilhação os que não fazem a opção sexual esperada e induzida pela moral dominante etc.

A atitude ética, ao contrário, é includente, tolerante e solidária: não apenas aceita, mas também valoriza e reforça a pluralidade e a diversidade, porque plural e diversa é a condição humana. A falta de ética instaura um estado de guerra e de desagregação, pela exclusão.


Por que a conduta de um agente público tem que se pautar pela ética?


Um agente público é um cidadão que assumiu a responsabilidade de realizar o interesse público. Não há responsabilidade histórica maior que essa: de fazer valer e realizar a vontade e o interesse coletivo.


A idéia de "vida pública", "serviço público", "interesse público", tem sido uma idéia desgastada por nosso passado colonial, populista, autoritário-militar e pelo nosso presente neoliberal privatizante. O "público" em nossa história tem se realizado freqüentemente como sinônimo de ineficiência, descaso, desleixo, baixa qualidade, trampolim para a realização de interesses privados etc. A "coisa pública" tem sido considerada aquilo que, por ser "de todos", é "de ninguém", e por isso pode ser apropriada, usada e abusada. A atual generalização da corrupção política tem levado essa crise do "público" ao limite.


Nessas circunstâncias, torna-se muito maior a responsabilidade do agente público de agir eticamente. E torna-se mais urgente e trabalhosa a necessidade de se resgatar e restaurar a dignidade ética da vida pública.
Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal - CEPAM


2º TEMPO

Desde criança, o menino ouve o pai dizer que a justiça tarda, mas não falha. A menina escuta a mãe afirmar que a Justiça é cega, que não privilegia quem quer que seja.Quando vai crecendo, o guri ou guria começa a perceber que não é bem assim. Lê no jornal de credibilidade que uma mãe brasileira foi presa por furtar um pote de manteiga, que um pai de família foi detido por engano, mas que os deputados pegos com a mão na botija de um tal "mensalão" sequer perderam seus mandatos.

O correto passa a não ser justo... O justo jamais vai ser correto.Pensa o adolescente: que Justiça maluca é esta que meu pai me fez acreditar, a confiar piamente? No fundo, todos nós estamos acordando para uma realidade.

No Brasil, o crime não é organizado, já está faz muito tempo. Se não podemos mais confiar num Magistrado, iremos acreditar em quem? E as decisões penais, fiscais e trabalhistas envolvendo grandes corporações/interesses será que foram corretas e justas? Muitos podem ter sido prejudicados por decisões destes magistrados averiguados.

Muitos sem poder de fogo, de dinheiro, de pressão... Muitos brasileiros que não sabiam que eram ou que podem ter sido manipulados por membros da Justiça, escalados para defendê-los.Enfim, é preciso que todos os envolvidos nesta teia sejam afastados e que todos os processos por eles julgados sejam auditados.Não pode pairar uma sombra de dúvida neste episódio de republiqueta, sob pena da Justiça virar Papai Noel ou Coelhinho de Páscoa, nos quais nós só acreditamos enquanto crianças. O duro é que muito adulto aposta e acredita no bingo.

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