
A foto, de uma parede de dinheiro, era a estrela dos comerciais de campanha de Geraldo Alckmin.
Dinheiro preso com petistas, diz o texto.
O comercial repetia o bordão: DE ONDE VEIO O DINHEIRO?
Pergunta à qual eu acrescento esta: estas fotos são resultado de cenografia?
O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, pode ter usado seus dotes de cenógrafo para preparar o material que vazou a jornalistas na sexta-feira, dia 29 de setembro, a dois dias do primeiro turno da eleição.
Os reais contidos no malote foram apreendidos pelo próprio delegado, num hotel de São Paulo, com dois homens acusados de negociar, em nome do Partido dos Trabalhadores, a compra de um dossiê que poderia implicar candidatos do PSDB com a máfia das ambulâncias.
As fotos do dinheiro, feitas durante perícia da Polícia Federal, na quinta-feira, por volta das cinco da tarde, foram entregues em um CD a quatro jornalistas antes do meio dia da sexta-feira.
O encontro entre o delegado Edmilson e os quatro repórteres foi gravado por ao menos dois deles.
Transcrições de trechos da gravação foram divulgadas pela primeira vez neste site no dia 2 de outubro, a partir de anotações que fiz enquanto ouvia a fita no gravador emprestado por um colega.
Ouvi a fita diante da casa de José Serra, enquanto esperávamos a saída do candidato a governador para votar.
Na mesma ocasião, pelo menos mais uma colega ouviu a gravação.
As anotações que fiz batem com o conteúdo da fita, cujo teor foi divulgado no dia 18 de outubro.
No início da conversa, o delegado quer provar que as fotos que está entregando são mesmo as do dinheiro apreendido com petistas.
DELEGADO: PRA PROVAR QUE O DINHEIRO É...Ó...ELE...Ó(...) DINHEIRO SEM SABER DAONDE É. E A CINTA, ESSA CINTA [DE PRENDER O DINHEIRO] É DA CAIXA, NÃO É MAIS A CINTA DO PAB [POSTO DE ATENDIMENTO BANCÁRIO]. E AQUI PROVA QUE É UM MILHÃO, CENTO E SESSENTA E OITO, Ó, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.
REPÓRTER: O QUE É ISSO?
DELEGADO: ISSO AQUI Ó... O DINHEIRO...Ó... QUE TÁ NA CUSTÓDIA DA CAIXA ECONÔMICA, Ó... E DA PROTEGE... QUE ESTÁ AQUI À DISPOSIÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL... CAIXA ECONÔMICA FEDERAL... CUSTÓDIA Ó... FONTE: CUSTÓDIA... É O DINHEIRO.
REPÓRTER: UM MILHÃO...
DELEGADO:... CENTO E SESSENTA E OITO... QUE É O DINHEIRO DA...DO...
REPÓRTERES AO MESMO TEMPO: É O REAL... O REAL
DELEGADO: SÃO OS REAIS. ENTÃO AQUI... VOCES TIRAM AQUI... TIRA O NOME DA PROTEGE.
REPÓRTERES AO MESMO TEMPO: TÁ...
DELEGADO: PRA NÃO SABER QUE TÁ NA PROTEGE...
REPÓRTER: TÁ...
DELEGADO: VOCES FAZEM UMA EDIÇÃO. EU TENHO OUTROS DOCUMENTOS QUE FALA ASSIM: PAB [POSTO DE ATENDIMENTO BANCÁRIO] POLÍCIA FEDERAL. SE VOCES QUISEREM EU TRAGO PRA VOCES. ISSO AQUI, Ó, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL E TEM UM QUE TÁ ESCRITO PAB [POSTO DE ATENDIMENTO BANCÁRIO] POLÍCIA FEDERAL, QUE É DE TREZENTOS EM TREZENTOS MIL OS DEPÓSITOS. AÍ EU FIZ JUNTAR NUM MALOTE SÓ E TEM A FOTO DESSE MALOTE... ENTÃO ISSO PROVA QUE É O DINHEIRO, TÓ.
Será que entendi direito?
Uma vez apreendido, o dinheiro foi depositado, em lotes de 300 mil reais cada, em nome do delegado Edmilson Bruno.
AÍ EU FIZ JUNTAR NUM MALOTE SÓ E TEM A FOTO DESSE MALOTE, afirma o delegado na gravação.
Ele juntou o dinheiro para fazer volume?
Na versão apresentada por Edmilson Bruno, um dia depois do vazamento das fotos, ele disse que se apresentou indevidamente aos peritos como delegado do caso.
Edmilson disse ter decidido contar a verdade para não prejudicar os peritos.
AÍ EU FIZ JUNTAR NUM MALOTE SÓ E TEM A FOTO DESSE MALOTE, disse Edmilson Bruno.
Quem juntou? Os funcionários da Protege? Os peritos da Polícia Federal?

Olhe mais uma vez para a foto acima. Por que o corte dela, rente à esquerda, elimina parte do malote?
Teria sido usado o programa de edição Photoshop?
Pelo menos foi o que sugeriu Edmilson Bruno no diálogo gravado com os repórteres.
Embora falasse a três repórteres de jornal e a um de rádio, o delegado estava com a cabeça nos noticiários de tevê:
Delegado Bruno: - Quando vocês passarem na TV... ó, tira o nome da Protege, tira essa data aqui, ó.
Voz masculina de repórter: - Tá, 28 do 9.
Voz feminina de repórter: - Tira a data...
Delegado Bruno: - Não, a data até pode deixar.
Voz feminina de repórter: - É...
Delegado Bruno: - Quer pôr a Protege, quer pôr a Protege?
Voz feminina de repórter:- Por que tirar a Protege?
Voz masculina de repórter: - Deixa... Foda-se...
Delegado Bruno: - Porque na realidade foi furtado e a Protege tem um monte de imagem, depois se isso aí vazar, pelo amor de Deus. E no Banco Central, falou assim: "essa aqui é a foto da Globo", que eles colocaram todo o dinheiro, só o dinheiro e pronto. Aí tem um envelope... escrito Banco Central, e todos os dados do dinheiro, dos dólares e meu nome embaixo. Agora, vocês têm que fazer um photoshop, porque tem fotos que aparece...
Voz masculina de repórter: - As pessoas do Banco Central...
Delegado Bruno: - Não, não... da Protege... do lado, contando o dinheiro, porque eu fui dentro...
Voz masculina de repórter: - Ah...
Voz feminina de repórter: - É só isso mesmo, doutor? Porque a gente já vai correndo para lá...

Esta foi a foto vazada pelo delegado Edmilson Bruno.

Esta é a foto que aparece na campanha eleitoral de Alckmin.
E estas são fotos reproduzidas nas capas de jornais na véspera do primeiro turno da eleição.
Socorro, o espírito conspiratório tomou conta do meu corpo...
Será que eu entendi direito?
Teria a cena acima, de uma verdadeira parede de dinheiro, sido montada para estrelar nos noticiários de televisão e na campanha eleitoral?
É o que deduzo a partir desta fala do delegado aos jornalistas que recebiam as fotos em um CD:
"E no Banco Central falou assim: essa aqui é a foto da Globo, que eles colocaram todo o dinheiro, só o dinheiro e pronto".
[Antes que se fale em mais uma conspiração da Rede Globo, é bom notar que a fala é do delegado e quem disse isso provavelmente queria caprichar para a emissora de maior audiência. Aguardem, que não demora e vão dizer que a Globo derrubou o avião da Gol]
Quem são ELES a que se refere o delegado?
Seriam os funcionários da Protege, que estavam ao lado contando dinheiro?
Os mesmos que o delegado pediu para eliminar das fotos usando o programa Photoshop?
Se foram os peritos, qual é o uso investigativo que esse tipo de foto pode ter para a perícia?
O delegado Bruno agia por vingança? Ou por motivos eleitorais...
Vale sempre repetir: de onde veio o dinheiro?
E onde estão as fotos do dinheiro SEM EDIÇÃO?
Atualizado em 22 de outubro de 2006
Como tudo no Brasil, esta é mais uma história que vai acabar em pizza.
Em acertos "por cima".
O delegado Edmilson Bruno não será mais investigado.
Diz a promotoria que agiu em defesa do interesse público.
Fica a gravação da conversa dele com os jornalistas, pelo menos.Um registro importante para os professores, que podem usá-la em salas-de-aula para ensinar como NÃO se faz jornalismo.
Atualizado em 28 de outubro de 2006

Enfim surge alguma informação sobre o conteúdo do dossiê.
Resta saber como este depoimento será noticiado.
Veloso diz que Planam pagou contas de campanha de Serra
O ex-diretor do Banco do Brasil, Expedito Veloso, disse em depoimento à CPI dos Sanguessugas nesta quarta-feira que os supostos documentos do dossiê contra políticos tucanos relatavam que a empresa Planam pagou restos de dívidas de campanha do tucano José Serra à Presidência, em 2002.
"Após Valdebran ter conseguido os documentos, fui solicitado por Lorenzetti para ir a Cuiabá para poder checar a veracidade deles e eles eram autênticos", disse Veloso.
O pagamento teria sido feito pela Klass, uma das empresas do grupo Planam.
Veloso descreveu que o documento analisado por eles eram os seguintes: 15 cheques e comprovantes de 20 transferências bancárias, que somavam em torno de R$ 900 mil.
Os cheques totalizavam um pouco mais de R$ 600 mil.
Todos os pagamentos teriam sido indicados por Abel Pereira, segundo Veloso.
Diante da informação, parlamentares de oposição se irritaram e questionaram por que o ex-petista não revelou esta informação em seus depoimentos à Polícia Federal (PF).
Veloso disse que não se lembrava porque havia dado muitos depoimentos.
Segundo o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), Veloso apenas sustentou uma "tese nova" criada ontem pelo ex-petista Valdebran Padilha no depoimento dado por este última à CPI.
"É um depoimento cheio de mentiras criadas recentemente. Em nenhum outro momento, Expedito falou em restos a pagar. Ele inventou uma tese que não disse à Polícia Federal", atacou o tucano.
Sampaio disse ainda que quer o depoimento urgente do delegado da Polícia Federal Diógenes Curado, encarregado das investigações do escândalo do dossiê.
O deputado também criticou o fato de Veloso declarar desconhecimento sobre qualquer negociação financeira para a compra do dossiê.
"Dizer que não sabe da transação envolvendo dinheiro é vergonhoso", disse.
Sampaio ainda afirmou não enxergar como estratégica uma acareação entre Veloso, Valdebran e Gedimar Passos, conforme cogita o vice-presidente da comissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
"Acareação entre mentirosos não traz resultados para a investigação", ironizou Sampaio.
O temor dos Vedoin de voltarem para cadeia, segundo o ex-presidente do BB, foi explorado pelos petistas, que teriam conseguido manter as negociações mesmo descartando qualquer pagamento em dinheiro.
"Receber R$ 10 milhões na cadeia poderia não ser um bom negócio", afirmou Veloso.
"Pelo que eu estou entendendo vocês usaram de chantagem", disse o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).
Veloso respondeu que, usando de chantagem ou não, cumpriu seu papel de cidadão.
De acordo o ex-diretor do BB, durante as negociações os donos da Planam revelaram que os R$ 20 milhões exigidos pelo dossiê serviriam para custear "um advogado de peso, de preferência que pudesse ficar em Brasília".
Segundo Veloso, o grupo de petistas não pagaria o dinheiro, mas eles admitiram que forneceriam os serviços advocatícios.
"Lorenzetti disse que não haveria nenhuma negociação financeira, mas que estava buscado apoio jurídico para os Vedoins", disse Veloso aos parlamentares [Do UOL com a Agência Câmara].
Atualizado em 22 de novembro de 2006
2 comentários:
Porque a Globo é golpista?
A história responde.
Quem não se lembra da edição do debate Lula x Collor, uma obra-prima da Globo para beneficiar este?
O noticiário diário da emissora é fraudado, manipulado sob medida. Tudo bem, este é o seu papel de porta-voz de uma elite mais do que corrupta e que vendeu, por exemplo, a Vale do Rio Doce pelo preço do faturamento de 1 ano da estatal, de forma que o Brasil teve amargou um prejuizo em torno de 100 bilhões de dólares. Sem falar no Sistema Telebrás.
Disso a Globo nunca vai falar. O telespectador pode ficar tranquilo. Nada que prejudica os tucano-DEMentes sai na mídia. O controle é absoluto. Temos uma espécie de pool cujo pensamento é único: dar uma mãozinha a Serra. FHC, Aécio, Bornhausen, etc.
Acerca da mania golpista da Globo, não é preciso ir muito longe não.
Quem não se lembra daquela 6a. feria anterior às eleições? A campnha eleitoral já havia sido encerrada mas, como a Globo é a Globo e, quanto mais desigual o País, mais poder a mídia tem, a Globo continuou tentanto levar Alckmin, seu candidato, para o segundo turno, o que de fato ocorreu. Prá isso, a Globo tinha faca e o queijo na mão: as imagens de uma "montanha de dinheiro," que seriam usados na compra do dossiê tucano-DEMente. A impressão de ser uma montanha de dinheiro foi obra de truque fotográfico, ou seja, além do fotoshop, a foto foi tirada de baixo prá cima.
Montanha de dinheiro? Montanha de dinheiro seriam os 100 bilhões de prejuízo dado a este País pelos tucano-DEMentes na venda da Vale do Rio Doce, isso para ficar somente neste exemplo.
Recordo-me muito bem. Enquanto outras emissoras davam destaque ao acidente com o avião da gol, que vitimou quase 200 brasileiros, a Globo insistia, usava e abusava, no seu Jornal Nacional, com as imagnes da "montanha de dinheiro" do delegado Bruno. Falando nisso, cadê ele? Será que continua sob os cuidados de seu psiquiatra? Engraçado a elite brasileira. Eles pintam e bordam e, na hora H, dizem que estão doentes. Não seria o caso de passarmos a considerar os crimes, todos eles, inclusive aqueles praticados pelos pobres, como doença?
É que em Curandéia é assim. Lá, crime se escreve crime=doença. Lá existe o Poder Curador, de curar, no lugar do Judiciário, de julgar. Para todos, e não apenas para alguns.
Voltando ao assunto da criminosa=golpista Globo, a emissora tinha que, a todo custo, jogar a eleição Lula x Alckimin para o segundo turno, o que de fato conseguiu. Ocorre que o povo, quase 70% da população, resolveu dar um chega prá lá na emissora.
PS1: Quem seria o Ministro da Justiça tucano-demente senão esta laia à qual pertence o delegado Edmílson Bruno? E qual uma das consequências caso a população tivesse optado pelo candidato da Globo? Sem a menor sombra de dúvida, esta operação da PF, a Furacão, que colocou na cadeia a alta patente do Judiciário brasileiro, teria sido interrompida.
É verdade que os ladrões vagabundos, estes magistrados que vendiam sentenças, já foram soltos por seus coleguinhas de serviço.
Afinal de contas, o que eles furtaram não foi um pote de margarina para matar a fome e sim milhões de reais. Nestes casos, o réu nunca fica preso. A lei, feita sob medida para estes malas, não deixa que eles durmam no xilindró.
Quanto àquela senhora que furtou um pote de margarina para alimentar a si própria e seus filhos, passou vários dias presas.
continua no blog www.curandeia.blogspot.com
Querido Oni
Falndo em Serra, cadê o ABEL? aquele de Piracicaba que sabia do contúdo do dossiê, que queria até comprar? cadê ele??
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