quarta-feira, 5 de março de 2008

Sobre ALI KAMEL e o BOLSA FAMÍLIA

Kamel conseguiu o impossível: desagradar todo mundo com seu texto fora de hora, sem pé nem cabeça, menos, é claro, o TIO REI!!
O texto de KAMEL:

Bolsa-eletrodoméstico - Ali Kamel





Brasília (04 de março) - Todos são testemunhas de que, quando o Bolsa Família foi lançado, o objetivo era matar a fome de 54 milhões de brasileiros. Meus leitores são também testemunhas de que, desde o início, venho dizendo que não existem 54 milhões de famintos. Pois bem, uma visita à página do Ministério do Desenvolvimento Social vai surpreender. Ali, o governo anuncia que vários estudos comprovam que o Bolsa Família tem ajudado os beneficiários a comprar eletrodomésticos. Isso mesmo, nada de arroz, feijão e carne, isso tudo que há muito já está na mesa dos pobres brasileiros, como provou a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE; o que tem sido comprado é geladeira, microondas, máquina de lavar, fogão, liquidificador, forno elétrico, televisão e DVD
A REAÇÃO À KAMEL:


Post de esquerda


É, amigo, de vez em quando é inevitável, com a qualidade da direita que temos. O Ali Kamel, aplaudido pelo Reinaldo Azevedo, investe contra a ignomínia que é os pobres usarem o dinheiro do Bolsa Família para comprar eletrodomésticos no lugar de alimentos. Ele diz que o BF foi feito para combater a suposta fome de 54 milhões de brasileiros. Eu não sabia. Pensei que tivesse sido feito para aliviar a miséria e a pobreza de 50 e tantos milhões. O RA diz que o AK notabiliza-se como um jornalista que pesquisa seus assuntos, e que assim os aborda com níveis não comumente encontráveis de rigor e seriedade. Balela, as análises são pedestres, e o argumento dele de que gastos de 0,4% do PIB (o BF) num orçamento público de 37% - gastos aqueles destinados a aliviar a pobreza e a miséria de quase 30% dos brasileiros - fazem uma falta danada para a educação é de um absurdo surreal. Por que você não tira o dinheiro extra da educação dos restantes 36,6%, ô Kamel?!
Com teses deste nível sendo defendidas pela direita, num país onde a maioria é pobre, não dá para reclamar (muito) da hegemonia gramsciana
F. Arranhaponte


First prize


Eu ia escrever mais extensamente sobre isto, mas acho que os Torreões já falaram sobre quase tudo que havia para ser dito a respeito. O texto do Kamel pode ser encontrado, é óbvio, no blog do Tio Rei.
Só um detalhe do texto do Kamel que lhes passou despercebido:
“Na realidade, o programa transfere, mas não gera renda: o consumo só aumentaria se a propensão de consumir dos beneficiários do Bolsa-Família fosse maior do que a propensão dos que pagam o imposto que torna o programa possível, o que é improvável. O contribuinte, sem o imposto, gastaria o dinheiro em alguma coisa. Assim, trata-se de uma soma de resultado zero, não havendo aumento de produção. “
Tenho um saco de balas juquinha para quem apontar qual erro crasso de análise econômica o jornalista comete neste trecho.
Enfim, continua sendo mais difícil um Kamel passar por uma faculdade de economia do que um rico subir ao reino dos céus.


-A propensão de consumir dos beneficiarios do BF comcerteza é maior do que a dos contribuintes, pois devemgastar 100% da grana. Definitivamenteeles não deixam esse dinheiro na poupança ou em fundosDI. Nem mesmo debaixo do colchão.O chato é que parte disso deve ser gasto em jurosdas 200 prestações do liquidificador.
-O aumento do consumo nessas áreas carentespropicia um aumento do comercio local, o que geraemprego e que cria outras demandas, estimulandouma produção local. veja que a compra de eletrodomésticosem muitos casos deve ser considerado investimento, poisse compra uma batedeira para, por exemplo, fazer bolo para vendernum desses pequenos centros comerciais que surgem.Portanto não se deve considerar apenasos ganhos pelo aumento da produção de eletrodomésticos.
-O Kamel, assim como outros tantos, teimam em acharque o próprio incremento na qualidade de vida dessasfamílias não é um ganho em si. Tudo o que lhe interessaé se eles vão produzir ou consumir alguma coisa comesse dinheiro, se vão incrementar o PIB, ou se vai sairalgum premio nobel de lá. Se não, é melhorque eles vivam na miséria absoluta e e esse dinheirofique num fundo de investimento da classe media, ganahndosobre os altos juros que o governo paga.

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