sexta-feira, 9 de maio de 2008

Depoimento de Dilma detona CPI




O depoimento bem sucedido da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, esvaziou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista dos Cartões Corporativos e deverá acelerar seu fim. Um dos primeiros a defender ontem a conclusão dos trabalhos da CPI foi o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), observou que a criação da comissão trouxe "desgaste para o Congresso", além de observar que "para entrar em uma CPI a gente tem de saber o que quer investigar". Setores do DEM também avaliaram que o depoimento de Dilma sepultou a CPI dos Cartões Corporativos.

"Acho que a ministra respondeu satisfatoriamente a todas as questões. Creio que, a essa altura, não remanesce nenhuma questão. Se não houver nenhum fato novo, nós diríamos que a CPI, com esse depoimento, pode marchar para sua conclusão", disse Garibaldi Alves. "Essa CPI está marchando para o fim e deve ser cautelosa para que se tenha um fim honroso para o Congresso Nacional, apurando tudo que for necessário, mas encerrando também na hora que está se fazendo necessário encerrar."

Para ele, o suposto dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não pode ser o único assunto da CPI dos Cartões. "A história do dossiê é uma história que pode perdurar, mas, convenhamos, não é um assunto para CPI, não é assunto para mobilizar senadores que também têm de tratar de outros assuntos. Ficarem eles à procura de quem elaborou esse dossiê é demais. Vamos colocar a Polícia Federal atrás disso. O Senado é que não pode ficar com uma CPI atrás de um dossiê", disse Garibaldi. "O problema não é falta de assunto; o problema é que há senadores que só pensam 'naquilo'. Colocam um assunto na cabeça e acabou-se", argumentou.

Na avaliação de Sérgio Guerra, a CPI dos Cartões Corporativos acabou desgastando o Congresso, uma vez que não houve planejamento. "Entrar em uma CPI sem essa clareza, sem um planejamento investigativo pode conduzir a resultados nulos", disse o tucano. "As fontes de informação são o governo. E as informações não foram todas conhecidas", observou. "Aparentemente, a ministra Dilma se saiu bem e a oposição, mal. Mas isso não tem importância. O importante é não insistir em CPIs que não tenham planejamento e conteúdo."

Para o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), um dos integrantes mais atuantes da CPI Mista, a comissão de inquérito transformou-se em "briguinha de perfumaria". "Ficam vendo quem tomou o vinho mais caro. Essa CPI virou uma brincadeira e nos apequenou", disse Vic. "Ficou muito pior a situação da CPI depois do depoimento da ministra. A expectativa era de que a ministra seria detonada, mas ela é que nos detonou."

Instalada no dia 11 de março, a CPI Mista dos Cartões Corporativos fez até agora 12 reuniões, onde foram tomados os depoimentos de autoridades do governo Lula e do governo de Fernando Henrique e aprovados apenas 23 requerimentos de pedidos de informação e documentos e convocação de pessoas. Com maioria governista esmagadora entre os 24 integrantes titulares da CPI, a oposição não conseguiu aprovar requerimentos para que fossem enviados documentos com gastos sigilosos da Presidência da República e viu, por duas vezes, rejeitada a convocação da ministra Dilma Rousseff.

Nesses quase dois meses de funcionamento, 2.481 documentos foram enviados à CPI - todos eles públicos, sem sigilo. A última reunião da CPI foi no dia 16 de abril, há quase um mês, quando foi aprovado o único requerimento considerado importante: o acesso dos parlamentares aos documentos com os gastos sigilosos da Presidência da República em poder do Tribunal de Contas da União (TCU).

Eufóricos no início, os deputados da oposição não conseguiram encontrar, pelo menos até agora, nenhum dado relevante na papelada. A próxima reunião da CPI está marcada para o dia 27 de maio, quando o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) promete entregar seus relatório.

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