segunda-feira, 14 de julho de 2008

DAVI CONTRA GOLIAS

Cientista político vê "luta entre Davi e Golias" nas decisões de Gilmar Mendes e de Sanctis


A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de conceder pela segunda vez hoje (11) um habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, repercutiu, também, no meio acadêmico. Para o conselheiro do Transparência Brasil, David Fleischer, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), neste caso, estabeleceu-se "uma luta entre Davi e Golias", envolvendo o juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, e o presidente do STF, Gilmar Mendes.

Por duas vezes nessa semana, Daniel Dantas teve mandados de prisão provisória e preventiva expedidos pelo juiz Sanctis, que foram derrubados por Gilmar Mendes por pedidos de habeas corpus impetrados junto ao STF pelos advogados do dono do Banco Opportunity.

"O Gilmar Mendes sabia de antemão que o Daniel Dantas seria preso. O pedido foi feito há cerca de 15 dias. Ele começou a espumar, a reclamar, antes da prisão do Daniel Dantas. O interessante é que ele deu a dica antes da hora, em outra operação realizada pela Polícia Federal", afirmou David Fleischer.

Ele também criticou as declarações de Gilmar Mendes quanto ao modo dos agentes da PF conduzirem a operação. Para Fleischer não cabe neste caso, por exemplo, as críticas do presidente do STF ao que denominou "espetacularização" pela Polícia Federal com o uso de algemas e filmagem da prisão de Dantas.

O professor de Ciência Política da UnB, João Paulo Peixoto, do seu ponto de vista, disse que a Polícia Federal tem o direito legal de algemar as pessoas, que prende durante suas operações. "Eu sou pelo republicanismo. Vimos em outras operações da Polícia Federal os indiciados saírem algemados, inclusive com gravações feitas pela imprensa. Esse não é o problema. A justiça é para todos. O regime republicano pressupõe que devemos fazer valer as benesses e os deveres para todos os cidadãos independente de classe social", afirmou Peixoto.

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