Estudantes iniciaram, na tarde desta terça-feira (15), uma vigília de 24 horas em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, para protestar contra a posição do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes. A presidente da União nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumf, em frente a estátua de olhos vendados, disse que o objetivo da vigília é "abrir os olhos da justiça brasileira contra a impunidade e o tratamento desigual que é dado ao cidadão comum e a elite".
Policiais do GDF tentam impedir manifestação
Impedidos de montarem acampamento pelos policiais do Governo do Distrito Federal (GDF), os estudantes decidiram fazer a vigília apenas com as faixas que carregavam pedindo a anulação do Habeas Corpus de Dantas. "Os estudantes estão exigindo a prisão de Daniel Dantas e toda sua quadrilha, que estão envolvidos em crimes desde o escândalo das privatizações das Teles no governo de Fernando Henrique", lembrou a dirigente estudantil, destacando que "eles precisam ser julgados e punidos pelos crimes que cometeram".
Stumf disse que "a partir da vígilia, os estudantes querem incentivar a mobilização de entidades da sociedade civil, como OAB, ABI, MST e outros para, até sexta-feira (18), uma manifestação conjunta demonstre o quanto a sociedade brasileira está insatisfeita com as manifestações do Judiciário e cobrar ações neste sentido".
No final da tarde, o número de policiais do GDF tinha aumentado em maior proporção que o de manifestantes. Os manifestantes decidiram se mudar atravessar a praça, mudando-se para a frente do Palácio do Planalto, onde o presidente do Supremo esteve em audiência com o Presidente Lula.
Diferença de classe
Leandro Cerqueira, presidente da União da Juventude Socialista (UJS-DF), disse que além do protesto contra a posição do presidente do Supremo de conceder Habeas Corpus ao banqueiro Daniel Dantas, "os estudantes assumem um posicionamento político de denunciar que não pode existir diferença de classe para pessoas que cometem infração".
Ele diz que "é inadmissível que fosse concedido Habeas Corpus para uma pessoa que publicamente tenta subornar autoridades, o que demonstra que ele precisa se manter preso".
Cerqueira também denunciou "as tentativas de criminalização dos movimentos sociais, enquanto por outro lado se privilegia a elite", acrescentando outro aspecto que também foi alvo de crítica dos estudantes: "o peso que o STF tem tido na política, se sobrepondo ao Parlamento e aos demais tribunais", afirmou.
O ministro Gilmar Mendes atraiu a crítica dos estudantes ao conceder por duas vezes Habeas Corpus libertando o banqueiro Daniel Dantas. Na segunda-feira (14), os juizes federais e os procuradores da República também fizeram uma manifestação, em São Paulo, contra a posição de Gilmar Mendes e em desagravo ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, que mandou prender Dantas.
De Brasília
Márcia Xavier
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