A massa de remediados que se expressam na internet clama por justiça, mesmo à custa de insuflar a soldadesca que atira a esmo e mata Inocentes. Uns e outros revelam impulso incontrolável para difundir uma visão do mundo elaborada a quatro mãos por Gêngis Khan e Al Capone.
Antes de expor o texto de MINO CARTA, uma explanação sobre A FRASE: TRANSPOR O RUBIÇÃO:
Quanto à expressão «passar o Rubicão» ou «transpor o Rubicão», ela faz lembrar um dos mais famosos episódios da história de Roma. O Rubicão é um pequeno rio da Itália Setentrional que, no tempo da antiga Roma, separava a Gália Cisalpina da Itália propriamente dita. Por essa razão semiestratégica, estabelecera-se que nenhum general romano pudesse atravessar o Rubicão à testa de forças armadas. Com esta proibição, pretendia-se evitar a ameaça que, por vezes, os generais de Roma, vencedores de guerras de conquistas na Europa, na Ásia ou em África, representavam, com a sua pretensão de se imporem pela força ao poder civil. No ano 49 a. C., Júlio César, vencedor na Gália, pretendia regressar a Roma, mas o Senado, partidário de Pompeu e receando um acto de força, entregou a este e às suas legiões a defesa da cidade, já que Pompeu era um declarado inimigo de César. Este general escreveu, então, uma longa carta ao Senado, em que enumerou os seus serviços à República, repeliu as acusações do seu adversário e se prontificou a resignar o seu comando e a licenciar as suas legiões, se Pompeu fizesse o mesmo, pois não poderia entregar-se desarmado ao seu inimigo, mas o Senado proclamou-o inimigo da Pátria, o que fez com que César, após profunda meditação, tomasse a decisão de atravessar o Rubicão à frente dos seus homens armados, tendo proferido a célebre frase Alea jacta est! («Os dados estão lançados!»). Pompeu fugiu e acabou por ser morto no Egipto. E foi grande a obra governativa de Júlio César.
No caso dos oficiais portugueses referidos no artigo, eles preparavam-se para, com o seu poder de militares, enfrentar uma governação civil, política: assim, estavam decididos a «passar o Rubicão».
Mino Carta
Passado o Rubicão, alea jacta est
11/07/2008 18:03:20
Hugo Chicarone, professor na gangue do Opportunity, disse: O problema para nós está na primeira instância, no STF e no STJ a gente tem vida fácil. A frase é recente, e certamente apressada. Confiante demais. Inegável, porém, é que a situação de Daniel Dantas na 6ª Vara de São Paulo está destinada a um desfecho fatal, enquanto o habeas corpus concedido pelo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, não passou de paliativo. O banqueiro já voltou à prisão.
O Rubicão foi transposto. O disco rígido retirado pela PF da sede do Opportunity há quatro anos finalmente foi aberto e a nação tem o direito de conhecer seu conteúdo. Altíssima figura da República, em fins de 2005, quando perguntei em off por que o disco continuava fechado, respondeu textualmente: “Se for aberto, o Brasil pára por dois anos”. Outra personagem de primeiro plano foi além: acaba a República.
(...)De resto, a questão ainda não chegou ao ponto de fervura. Esta operação batizada em sânscrito tende a ser, entretanto, o começo de uma mudança capital na história do País. Assim seria se o Estado provasse sua disposição e sua capacidade de debelar a corrupção e a sociedade a mesma determinação para afastar quem a envergonha. Envergonha?
Cautelas e dúvidas sempre cabem. Nem tanto em relação ao governo do presidente Lula, que age agora com insólita firmeza depois de muitas tergiversações, abençoadas pela ministra do Supremo Ellen Gracie, e a despeito de claras divergências dentro da própria corporação policial. As dúvidas maiores dizem respeito ao establishment, a viver no momento entre o espanto e o pânico, na percepção de que o entrecho é muito maior e mais complexo do que parece.
Não causa surpresa, pelo contrário, a reação imediata do império midiático, porta-voz dos graúdos do Brasil, dos senhores, dos barões. Está claro o empenho em conter a situação dentro dos limites do passado próximo e do presente, como se a origem da investigação remontasse apenas e tão-somente ao chamado mensalão. No entanto, é do conhecimento até do mundo mineral que o fio da meada está no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, na infame marmelada das privatizações, quando o Opportunity se tornou o banco do tucanato, depois de ter prestado inestimáveis serviços ao PFL.
Longo período de mazelas e falcatruas, cujo fruto de recente maturação é a celebradíssima BrOi, a fusão apresentada como indispensável aos interesses do Brasil. Quanto ao valerioduto, não passa de um capítulo da história, e nem mesmo significativo. Ainda assim, a tentativa de turvar as águas, de engodar os ingênuos e os aspirantes ao privilégio em geral está em pleno andamento, com a contribuição de jornalistas (?), editorialistas, colunistas e quejandos, que até ontem tocaram seus violinos a favor do orelhudo. Do orelhudo e da sua turma, aconselhada e defendida por um exército de advogados e até por um pelotão de jornalistas (?), ou melhor, mercenários da imprensa escrita e falada.
Já houve tempo em que Dantas tentou corromper CartaCapital, por meio de uma campanha publicitária. Veio a equipe do Comercial: “Aceitamos?” Por que não, se os anúncios não forem politicamente incorretos? Tudo não foi além de duas inserções. Logo saímos com mais uma reportagem de capa sobre as façanhas do orelhudo. A campanha foi cancelada, e a gente riu muito.
O banqueiro moveu dois processos contra o acima assinado. O primeiro no Cível, e perdeu. O segundo, no Criminal, está em curso. Quem advoga a causa de Daniel Dantas é o escritório de Márcio Thomaz Bastos, e a ação foi iniciada durante o primeiro mandato do governo Lula. Bastos desligara-se da atividade advocatícia pelo tempo em que ocupasse a pasta da Justiça. Não engulo, contudo, este pormenor da história, decerto secundário. Bem como não engulo outro, muito mais importante: o encontro do então ministro da Justiça com Dantas, para um jantar na casa do senador Heráclito Fortes, graças à intermediação de dois deputados petistas.
Pois infinitos foram os caminhos do orelhudo, para a vergonha do Brasil.
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