Quando via Aécio Neves (PSDB) ao lado de Fernando Pimentel (PT) sorrindo e avalizando o mesmo projeto, desconfiei, como todos os cidadãos com um mínimo de senso crítico fizeram. E quem chegou a pensar que o governador tucano seguiria com essa postura amena e em sintonia com o Partido dos Trabalhadores, quebrou a cara. Nem bem a poeira das eleições de Belo Horizonte baixou vimos Aécio demonstrar o que realmente pensa sobre o partido do presidente Lula.
Semana passada, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, o tucano classificou o governo Lula como "extremamente perdulário", referindo-se as gastos "excessivos" praticados pelo governo federal. O tom áspero das declarações foi além, quando o Aécio disse que em um eventual governo futuro do PSDB, não gastará com a "companheirada". Lembrou-me seu colega peessedebista Geraldo Alckmin, que, durante a disputa presidencial de 2006, referiu-se aos petistas como "patota", que inchava a máquina pública. Opiniões deselegantes e desnecessárias.
Aécio ainda criticou as políticas sociais do governo, em especial os programas de transferência de renda, como "instrumentos eleitorais". Sou da opinião de que transferir renda às populações mais carentes, que sempre foram pisoteadas e desprezadas pelos seguidos governos, é o mínimo que se pode fazer para corrigir a abissal diferença que separa classes no Brasil. Aliás, pelo que sei, alguns desses programas que sofreram críticas desmedidas exigem como contrapartida dos cidadãos o investimento em seus estudos. Cá pra nós, se os projetos tivessem apenas cunho eleitoreiro, não seria um tiro no pé investir no estudo, que implica em mais senso crítico do povo? O melhor seria, então, continuar o sucateamento do ensino público, que foi acentuado em um governo recente do qual não se tem saudades, né não?
A jornalista Cristiana Lobo disse no programa Fatos e Versões do canal fechado Globo News que, em um evento dos tucanos, Aécio Neves foi muito mais incisivo em suas críticas a Lula e ao PT. Uma vez que o governador visa a sucessão presidencial de 2010, penso que é erro de estratégia ele destilar essa fúria agora. Seu principal obstáculo até o Planalto não é o Partido dos Trabalhadores, e sim seu colega de PSDB José Serra, que está bem à frente na corrida interna para ser candidato a presidente da república. A distância foi aumentada após as eleições municipais, nas quais o governador de São Paulo saiu fortalecido.
Outro erro do presidenciável mineiro é que "bater" em Lula não traz os resultados desejados. Quase todos os políticos que seguiram esse caminho se deram mal nas urnas.
Por Orozimbo Souza Júnior, jornalista e especialista em comunicação política
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