sexta-feira, 7 de novembro de 2008

HELIO FERNANDES - Tribuna da Imprensa


Nem fusão nem compra ou venda, o ITAÚ INCORPOROU O UNIBANCO

Impressionante a desinformação da mídia,, em relação à incorporação do Unibanco ao Itaú. Não houve fusão ou compra e venda, cada jornalão escolheu a forma de se posicionar. De acordo, lógico, com os poderosos interesses dos bancos e dos próprios jornalões.

Não houve fusão alguma. Nem compra ou venda. Houve incorporação do Unibanco pelo Itaú. Tanto assim que o Itaú ficou com a maioria das ações. Caso contrário, não teria o poder de comando. A incorporação, claro, atingirá o nível de emprego (desemprego) e de agências do novo banco que surge. Basta verificar o seguinte: em ruas, como a Visconde de Pirajá e a N.S. de Copacabana, não poderão existir agências lado a lado do mesmo banco.

Por sinal, quando assumiu o Nacional, a direção do Unibanco informou que manteria todas as agências do BN. Não houve nada disso. O Unibanco fechou quase todas. Não há condição de acontecer o contrário no capitalismo.

Com a operação, o Itaú manterá a rentabilidade total do compulsório pela Selic, nos termos da própria resolução do Banco Central. Isso de um lado. De outro, os colunistas amestrados estão enaltecendo a "fusão", esquecendo o passivo do Unibanco. Só focalizaram o ativo? E as dívidas? E as operações de risco de câmbio? Tudo isso tem que ser levantado pelas reportagens econômicas. Um tema fundamental.

A operação Itaú-Unibanco (na verdade mais uma incorporação do que fusão ou compra e venda) foi o aliciamento ou acumulação de dois bancos, que têm aspectos inacreditáveis.

1 - Assim que a notícia foi publicada, segunda-feira, a impressão geral era a seguinte: "O negócio começou a ser tratado na sexta-feira e terminou no domingo às 10 da noite". Fantástico.

Informação corretíssima: o acordo já vem sendo negociado há 13 meses, e muita gente sabia do que estava sendo tratado, conversado, desenvolvido.

2 - Só existiam duas pessoas interessadas na fusão. Roberto Setubal, do Itaú, e Pedro Moreira Salles. Este com mais três irmãos é o único que se interessa pelo banco. O Fernando tem duas obsessões e interesses maiores. A editora (Companhia das Letras, da qual tem 51 por cento) e a mineradora de nióbio de Araxá, uma das maiores do mundo, e da qual tem também 51 por cento.

Os outros dois irmãos, João e Waltinho, tidos como os intelectuais da família, não querem nem saber o que é que vai acontecer com o ex-Unibanco, qualquer que venha a ser o seu futuro nome. Pela aparição de horas na televisão, Pedro Moreira Salles merece também ser tido como "intelectual". Deu um show completo, só por causa disso Roberto Setubal deveria anular o negócio.

Apesar do patrimônio do Itaú ser 4 vezes maior do que o do Unibanco, na apresentação da televisão Pedro Moreira Salles deixou o Setubal em quinto plano.

No ranking distribuído às empresas por Wall Street, o Itaú-Unibanco (fundido ou vendido, tanto faz) aparece em 6º lugar na América Latina. Enquanto o Bradesco está em 8º. A partir de agora não existe banco que não interesse ao Bradesco.

Apesar de dizerem que "ninguém sabia de nada", o Bradesco trabalhou intensamente para que o governo fizesse o que está sendo feito nos EUA e na Europa: o Banco do Brasil comprar o Unibanco. Seria a concretização do novo CAPITALISMO-SOCIALISTA-MARXISTA. E quase o BB virou dono do Unibanco.

Podem colocar de 8 meses a 1 ano, para que as coisas se consolidem. E nesse tempo, o Bradesco fará todas as propostas, qualquer que seja o preço para comprar bancos menores. E existem vários à venda.

O único que realmente só soube na segunda-feira, pela televisão, foi o ministro da Fazenda. O presidente do BC, que comandou tudo, não contou nada a Mantega.

22 pessoas (quase todas Vilela, herdeiras de Olavo Egidio de Souza Aranha, fundador do Itaú) tiveram seus problemas resolvidos. Como eram apenas financeiros, nenhuma complicação.

O Unibanco, em situação desesperada, foi salvo pela incorporação. Se não fosse isso, não resistiria. Quando o Nacional faliu, o Unibanco percebeu a possibilidade de consolidação, não deu certo. Agora, tendo saído do jogo, o Unibanco pelo menos salvou a face. Finge que ainda está em cena, e deu ao simpático Pedro uma chance de se firmar como comentarista de televisão.

PS - Isto é apenas um esclarecimento inicial. O que houve: um acordo de acionistas, sem que ninguém movimentasse um real sequer. Toda a obsessão do Itaú era com o Bradesco. E os acionistas que não são Vilela, Setubal ou Moreira Salles?

PS 2 - Para os Moreira Salles, a mina mesmo é a de nióbio, que rende fortunas. Mas há tanta coisa escondida, que não dá para contar de uma vez.

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