quarta-feira, 12 de novembro de 2008

PMs da Rocam de Pernambuco obrigam presos a se beijar e postam cenas na internet



Humilhação gravada em vídeo


RECIFE - Os vídeos podem ser vistos na internet, no YouTube. Gravados por policiais militares de Pernambuco, eles mostram dois presos algemados obrigados a se beijarem na boca e outros três, em um camburão, a fazerem coreografia cantando refrões como "eu sou todo feio" e "A Rocam é f.." Rocam é a sigla de Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas da PM. O vídeo do beijo dura 19 segundos. "Bora bora, beija de língua, quero ver a língua", diz a voz de um policial, para depois mandar: "agora diz a Rocam é f..".






O vídeo da coreografia, em que um policial de costas levanta os braços movendo para um lado e para o outro, sendo imitado pelos presos só com a cabeça, por estarem algemados, dura 44 segundos. Os abusos foram condenados, em nota oficial distribuída ontem, pelo Comando da Polícia Militar de Pernambuco, que promete punição aos autores e a retirada dos vídeos da internet. A nota pede às pessoas mostradas nos vídeos que denunciem e ajudem a identificar os policiais e à população que denuncie abusos deste tipo.

O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) considerou a atitude criminosa e criticou o abuso de poder e a impunidade. De acordo com Ronidalva Melo, do MNDH, o movimento solicitou providências à Ouvidoria do Estado e à Corregedoria da PM e pediu audiência com o Ministério Público Estadual e com o governador Eduardo Campos (PSB), com o objetivo de discutir medidas de controle e formas de punir exemplarmente os policiais, se possível, com indenização em dinheiro às vítimas.

De acordo com a assessoria de imprensa da PM, os vídeos foram feitos em junho do ano passado, mas começaram a ser acessados com freqüência na web recentemente. O comandante da Rocam, capitão Afonso Queiroga, disse ter tomado conhecimento do fato através da imprensa e supõe que alguns dos autores dos abusos já tenham sido afastados da corporação em meio a 90 policiais que foram demitidos quando ele tomou posse, em novembro do ano passado (45 deles por desvio de conduta). "Quem faz isso (os vídeos) deve ter algum distúrbio, alguma doença", afirmou ele, prometendo investigação rigorosa.

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