quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pré-sal pode mudar foco da Vale, diz Haroldo Lima

O governo federal estuda expandir a indústria siderúrgica e reduzir as exportações de minério de ferro da Vale para explorar as reservas do pré-sal. Serão necessários cinco mil quilômetros de tubos de aço especiais para a perfuração de poços na região do cluster de Tupi, revelou o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, um dos integrantes da comissão criada para discutir o tema.

"É aço suficiente para suspender as exportações de minério de ferro da Vale e começar a construir siderúrgicas capacitadas para a fabricação desse tipo de aço especial", disse.

Ele sugere que a região de Tupi precisará de investimentos da ordem de US$ 400 bilhões, aproximadamente o montante estimado por bancos de investimentos em análises recentes.

A comissão interministerial deve mostrar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de dezembro, que o desenvolvimento das jazidas do pré-sal com investimentos na indústria local vão demandar tempo.

A orientação do Planalto é estimular a cadeia de fornecedores do petróleo, mas há gargalos que impedem a tarefa. Não há capacidade instalada na indústria siderúrgica disponível para tantas encomendas.

Se o governo quiser desenvolver fornecedores locais, com geração de emprego e renda no país, vai ter que esperar, segundo o relatório que será entregue ao presidente da República.

"Não temos pressa. É melhor ir com calma e desenvolver o país do que correr e ter de importar tudo", afirmou Haroldo Lima, durante apresentação da 10ª Rodada de Licitações da ANP para empresários da Bahia, em Salvador.

Empresas têm pressa

As petroleiras, por sua vez, têm declarado que o governo federal deveria agilizar os estudos para explorar o petróleo do pré-sal.

Haroldo Lima ressaltou que a parte do pré-sal que já foi licitada às empresas, da ordem de 42% da área do cluster de Santos, será explorada dentro dos prazos.
As discussões que pretendem desenvolver o pré-sal em ritmo de espera da siderurgia local envolvem 58% da área, além das outras regiões que podem possuir petróleo abaixo da camada de sal e ainda estão sob domínio da União.

80 bilhões de barris
Na última sexta-feira passada, Haroldo Lima afirmou que o cluster de Tupi pode conter reservas da ordem de 80 bilhões de barris.

Considerando que o custo de desenvolvimento estimado é de US$ 400 bilhões, portanto, o custo exploratório, sem considerar outros gastos, ainda está bem abaixo do preço do barril de petróleo, abaixo de US$ 70.
Haroldo Lima apresentou ontem a 10ª Rodada de Licitação de áreas de Petróleo para empresas da Bahia, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).

A rodada vai oferecer apenas blocos terrestres, em sete bacias - Sergipe, Alagoas, Amazonas, Paraná, Potiguar, Parecis, Recôncavo e São Francisco.

Na bacia do Recôncavo Baiano serão oferecidos 21 blocos, em municípios como Amália Rodrigues, Camaçari, Candeias, Dias D'vila, Mata de São João, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Teodoro Sampaio e Terra Nova.


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