Personagem principal da operação policial que culminou na prisão temporária do ex-banqueiro Daniel Dantas, o delegado Protógenes Queiroz notabilizou-se, porém, pelos motivos errados. Em primeiro lugar, seu relatório da investigação é uma peça de leveza insustentável, lisérgica, e com deduções desamparadas de provas.
O delegado se propôs a desmantelar o que via como uma gigantesca organização criminosa envolvendo políticos, jornalistas, empresários, ministros, magistrados e até assessores do presidente da República.
Durante mais de dois anos, Protógenes teve carta-branca para grampear e investigar a "organização criminosa". Ao final, tinha em mãos um único grande feito: a prisão em flagrante de emissários de Dantas que tentavam subornar policiais federais. O triunfo se seguiu com a prisão do próprio Dantas, logo solto por habeas corpus. O sucesso da operação acabou soterrado pelo estrambótico relatório e pela revelação dos abusos cometidos por Protógenes e sua equipe durante as investigações.
Abin cometeu crimes durante Operação Satiagraha, acredita PF
A Polícia Federal está convencida de que pelo menos outros cinco crimes, além do vazamento de informações sigilosas, foram praticados pela equipe de arapongas - que integram os quadros da própria PF e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) - mobilizada para conduzir a Satiagraha, operação que aponta o banqueiro Daniel Dantas como envolvido em suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes financeiras.
A PF constatou que 72 agentes da Abin participaram da Satiagraha, mas esse contingente pode chegar a 100. Para a PF, o deslocamento maciço de oficiais da Inteligência não teria sido possível sem concordância expressa do delegado Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Polícia Federal e diretor afastado da própria Abin. A PF descobriu que o Sistema Guardião, a máquina de grampos que alimenta suas missões, foi violado.
Os crimes identificados, segundo a investigação: gravações clandestinas de vídeo e áudio, filmagens e interceptações de conversas e escuta ambiental sem autorização judicial, usurpação de função pública, prevaricação e quebra de sigilo de senhas pessoais de agentes federais por arapongas da Abin para acesso a cadastros de telefonia e realização de grampos.
O inquérito 24447/08 foi aberto em julho para apurar o furo do sigilo que cercava a Satiagraha. No decorrer da investigação o delegado Amaro Vieira Ferreira, encarregado do inquérito, deparou-se com situações que avalia criminosas.
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