"Enquanto Sarkozy já está no aeroporto Charles De Gaulle confortando os familiares das vítimas do avião da Air France que partiu do Rio de Janeiro, Lula, como no vôo da TAM, não está nem aí para o sofrimento dos mesmos, seguindo firme na sua cruzada para encontrar esquerdistas recém eleitos e líderes acusados de assassinato no Caribe. Quando saiu do Brasil, já sabia o que havia ocorrido. Poderia ao menos ter atrasado a sua viagem. Agora só falta o Lula mandar a Dilma Rousseff para o Galeão, para faturar politicamente o episódio".
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Como no ACIDENTE da TAM.
"Enquanto Sarkozy já está no aeroporto Charles De Gaulle confortando os familiares das vítimas do avião da Air France que partiu do Rio de Janeiro, Lula, como no vôo da TAM, não está nem aí para o sofrimento dos mesmos, seguindo firme na sua cruzada para encontrar esquerdistas recém eleitos e líderes acusados de assassinato no Caribe. Quando saiu do Brasil, já sabia o que havia ocorrido. Poderia ao menos ter atrasado a sua viagem. Agora só falta o Lula mandar a Dilma Rousseff para o Galeão, para faturar politicamente o episódio".
NA BAHIA TAMBÉM
Jaques Wagner deu a Dilma Rousseff a seguinte informação num encontro ocorrido na quinta-feira em Brasília: uma pesquisa encomendada pelo seu governo a um instituto baiano registrou um empate técnico entre ela e José Serra em Salvador. Ambos estariam na faixa dos 35 pontos. No estado inteiro, Serra ganharia de 43 a 30 pontos. A Bahia - e isso a pesquisa do Vox Populi divulgada pelo PT na semana retrasada já registrara - é o estado onde Dilma tem os porcentuais mais altos de intenção de voto.
Da Série "O DESMANCHA PRAZERES"
As montadoras estão em festa: foi o melhor mês de maio da história da indústria automobilística brasileira. Foram vendidos 247 005 veículos, 2% a mais que os 242 009 de maio de 2008. Em relação ao mês de abril, representa um crescimento de 5%.
Entre janeiro e maio, foram vendidos 1 149 657 veículos, magros 1 500 a menos que no mesmo período do ano passado - o melhor ano da história para o setor. O desempenho da indústria aponta para algo em torno dos 3 milhões de veículos até o final do ano.
Um colosso para um setor que iniciou o ano com a crise batendo nos calcanhares. Qual a mágica? Além da redução do IPI, a queda nos juros e a maior oferta de crédito: em maio Itaú e Santander passaram a financiar veículos em até 72 meses e o Bradesco fechou o mês aumentando seu prazo para 80 meses.
"CABEÇA-FURADA" não aceita pesquisa da CENSUS

segunda-feira, 1 de junho de 2009
Leitores me perguntam como pode ser tão grande a diferença entre os números do Datafolha e do CNT-Sensus. Olhem, os especialistas encontrarão dezenas de explicações, todas elas, claro, destinadas a justificar as… pesquisas. Que desafiam a racionalidade, não duvidem. Ou vejamos.
As pesquisas foram feitas praticamente ao mesmo tempo. O eleitorado brasileiro deve andar aí pela casa de 127 milhões de pessoas. Na pesquisa do Datafolha, Dilma teria hoje 20.320.000 votos (16%); na do CNT-Sensus, 29.845.000 (23,5%) — uma diferença brutal: 9.525.000 eleitores. No que as duas pesquisas convergem? Dilma cresceu. Pode-se atribuir a distância a diferenças metodológicas? Sem dúvida: uma das metodologias está bem mais errada do que a outra. Ou as duas convergiriam para erros semelhantes, encontrando-se no meio? Vai saber.
Já no que diz respeito a Serra, a diferença em pontos percentuais é bem menor, não? No Datafolha, ele tem 38%; na do Sensus, 40,4%. Vejam que coisa. Na primeira, Serra teria 48.260.000 votos; na da Sensus, 51.308.000 — uma diferença de 3.048.000 votos. Num universo de eleitores, então, muito maior, a divergência, em número de votos, é inferior a um terço na comparação com os números de Dilma.
Desconfiança?
Não costumo, podem procurar, pôr resultado de pesquisa em dúvida. Até porque a imaginação dos que pensam em censurar esses levantamentos logo se excita. O fato de que acho que todos tentam acertar não me impede de apontar um problema real. “Ah, garanto que você acha que o Datafolha está mais certo”. Não! Não acho. Nem mesmo o fato de o Sensus estar confirmando agora, numa pesquisa para a CNT, os números da pesquisa que fez para o PT me levam a isso.
O que acho é que os institutos não podem, confortavelmente, se esconder nas tais “diferenças metodológicas”. Com diferença de 2 ou 3 pontos, vá lá. Com diferença de mais de 7 pontos num intervalo que vai, no máximo, a 23,5 pontos, bem, aí não dá. Aí estamos mais perto da adivinhação do que da ciência.
Dilma empata pela primeira vez com Serra nas intenções de voto para 2010, diz CNT
Da Agência Brasil
Em BrasíliaA ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, empatou pela primeira vez com o governador de São Paulo, José Serra, na pesquisa CNT/Sensus. Na abordagem espontânea sobre em quem o eleitor votaria nas próximas eleições, Dilma obteve 5,4% das intenções de voto, e Serra 5,7%, o que significa um empate técnico, pois a margem de erro é de 3%, segundo a CNT.
Na pesquisa anterior, divulgada em março, Dilma tinha 3,6% das intenções e Serra, 8,8%.
A pesquisa da CNT incluiu na pesquisa nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve 26,2% das intenções de voto, contra 16,2% da abordagem anterior. Porém, pela legislação eleitoral, o presidente Lula está impedido de concorrer a um terceiro mandato.
Dilma empata pela primeira vez com Serra nas intenções de voto ...
Terra Brasil - São Paulo,SP,Brazil
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, empatou pela primeira vez com o governador de São Paulo, José Serra, conforme pesquisa CNT/Sensus.
Petrobras rebate informações "inverídicas" publicadas no jornal O Globo
Em outro trecho da nota, a estatal afirma que as informações equivocadas da matéria são ideológicas e visam macular a imagem da Petrobras. "Trata-se, evidentemente, de um extrato de informações de livre interpretação de interessados em macular a imagem da Companhia e distorcer dados por ela disponibilizados, é portanto importante frisar, com objetivo de travar uma disputa ideológica e ou política partidária que não se coaduna com os interesses da empresa, seus acionistas privados e da maioria da população brasileira, representada pelo governo acionista majoritário da empresa".
Leia aqui a íntegra da nota <http://www.informes.org.br/documentos/Nota%20petrobras.pdf>
DILMA EMPATA COM JOSÉ SERRA, DIZ CNT/SENSUS
O Globo - Rio de Janeiro,RJ,Brazil
Dilma e o candidato do PSDB, José Serra, registraram empate técnico: ele com 5,7% e ela com 5,4%. O levantamento foi realizado de 25 a 29 de maio .
Editorial do Vermelho
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=57148
A autoimagen dos tucanos, que gostam de se apresentar como éticos, sai arranhada de duas notícias publicadas ontem (31) pelo jornal O Estado de S. Paulo. Uma delas relata a movimentação tucana em torno de cientistas políticos e marqueteiros para afinar o discurso eleitoral do ano que vem. Não adianta mais proclamar, como em 2006, as virtudes do melhor gerenciamento do Estado, disseram eles; este é um tema perdido para os tucanos. Há outras perdas discursivas: o tema da estabilidade econômica não funciona mais; disputar a paternidade do Bolsa Família também não dará certo pois os eleitores já decidiram que ela é de Lula. Criticar o Bolsa Família, então, nem pensar... o melhor é defender sua ampliação. Bater em Lula será mortal: isso fará perder votos, disse o professor Marco Antonio Teixeira, da FGV/SP.
Sem discurso, o PSDB busca agora a emoção. E ''flerta'', diz o Estadão, com as idéias do neurocientista Drew Westen, da Emory University, de Atlanta (EUA), autor do livro The political brain (''O cérebro político'') onde sustenta que o eleitor decide o voto com o coração e não com o cérebro. E, com base nisso, sugere que emocionar o eleitor será mais eficiente do que usar um discurso racional.
São idéias que levam a pensar. Usa-se a emoção - e a propaganda está cheia disso - quando não se pode, ou não se quer, falar toda a verdade para o eleitor (ou consumidor).
No caso de um eventual novo discurso eleitoral, quais serão as emoções que os tucanos podem usar? Dificilmente será uma emoção positiva como a esperança, bandeira que mobiliza o povo pobre para quem a perspectiva de melhoria da vida é fundamental, e ela veio justamente com Lula. Ou os tucanos teriam esquecido que a esperança venceu o medo em 2002?
Talvez seja então uma emoção negativa, como o medo. Mas que medo eles podem sugerir para os eleitores de renda mais baixa, que precisam conquistar? O que causa medo mesmo no povo é o programa tucano e sua principal bandeira, a privatização, que simboliza para o eleitor toda a má experiência que os trabalhadores tiveram sob os oito anos de Fernando Henrique Cardoso e os tucanos no governo do país.
Medo provocado pelos próprios tucanos. Fantasma que eles procuram esconjurar, como ficou claro com a nota - uma reação medrosa - divulgada dia 19 por FHC ante as primeiras manifestações públicas de condenação da CPI da Petrobrás instaurada por um golpe dos senadores do PSDB. E que, ao contrário do que esperavam os cardeais emplumados, foi prontamente rejeitada pelos setores progressistas e denunciada pelo movimento social como uma tentativa de atingir a estatal.
O teor da nota de FHC é desmentido pela outra notícia publicada pelo Estadão, onde a jornalista Suely Caldas relata uma conversa com o banqueiro Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do BNDES no governo de FHC e um dos principais operadores da privatização.
Nela, o banqueiro desmonta a alegação de FHC de que, como presidente, fora contra a privatização da Petrobras e revela que a idéia, em seu governo, era ''criar uma segunda empresa com um pedaço da Petrobrás, com a finalidade de romper o monopólio'', explicou ele. Isto é, despedaçá-la para favorecer o controle do petróleo brasileiro por empresas privadas, brasileiras e estrangeiras.
Tudo isso permite pensar que a relação dos tucanos com a verdade é no mínimo ambígua. E que o PSDB, não podendo apresentar de peito aberto seu programa porque ele é rejeitado pelos brasileiros, quer emocionar o eleitor para evitar que ele pense.
O MÉTODO "SERRA" DE PROTEGER O CIDADÃO. Ele "AINDA" quer ser Presidente do Brasil...

Moradores denunciam violência da PM l Barracos foram invadidos sem mandados judiciais. Trabalhadores, crianças e idosos relatam sessões de tortura. Comando da PM nega abusos e agressões na favela
Por Bruno Paes Manso, no O Estado de S. Paulo
Os números oficiais da Operação Saturação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, são chocantes. De acordo com a Prefeitura, moram 60 mil pessoas no bairro. Durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores do bairro.
A operação teve início depois dos tumultos provocados por algumas dezenas de moradores, em 2 de fevereiro, que deixaram três PMs baleados. Entre os agitadores havia integrantes do tráfico de drogas local. Como resposta, nos dias que se seguiram ao quebra-quebra, parte da tropa deixou rastros de abusos e violência. "Durante a ocupação, tentativas de desestabilização das forças de segurança foram levadas a efeito por parte de pessoas que se sentiam incomodadas com a presença da polícia", defende o capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM. Segundo ele, não há provas de abusos e agressões.
Na semana passada, o Estado esteve em Paraisópolis. Ouviu dezenas de histórias chocantes, em diferentes pontos do bairro. Testemunhos semelhantes já foram ouvidos por entidades como Associação dos Juízes pela Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e Associação Paulista dos Defensores Públicos.
De acordo com a polícia, no balanço da operação constaram 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de cocaína apreendidos. Mas o saldo final vai além: sobrou raiva, humilhação, revolta, indignação que ninguém ainda é capaz de dizer o que isso de fato pode significar para a cidade. Seguem os testemunhos de moradores colhidos pelo Estado:
EM DEFESA DOS FILHOS
Auxiliar administrativa em uma empresa de telefonia, Gisele Cristina dos Santos, de 28 anos, teve o barraco invadido seis vezes pela polícia. Em nenhuma delas havia autorização judicial. Na primeira, um domingo de manhã, ela, marido e seis filhos, crianças de 1 a 12 anos, estavam em casa. O marido esticava um novo varal e chamou a atenção dos policiais por causa de uma tatuagem. Perguntaram se ele tinha "passagem". Ele informou que estava sob condicional, mas não devia na Justiça. Os policiais chutaram o portão e invadiram o quintal perguntando por drogas. Em seguida, entraram na casa e rasgaram o sofá. O pai apanhou na frente dos filhos.
Em outras duas vezes, policiais entraram quando só havia crianças em casa. Falaram para a mais velha que o pai havia pedido a eles que buscassem o revólver. "Onde está a arma?",
Gisele teve seu MP5 furtado.
Depois das seguidas sessões de abuso, ela fundou o movimento "Paraisópolis Exige Respeito!", com um blog na internet. Perguntada se o nome dela podia aparecer no jornal, Gisele foi categórica: "Coloque em negrito, com letras maiúsculas."
CHAMADA ORAL DA BÍBLIA
Nos cálculos da aposentada Maria Alves da Rocha, de 59 anos, policiais invadiram a casa onde ela mora com a neta de 17 anos e dois filhos por cerca de 15 vezes. Nunca apresentaram mandado. Na primeira invasão, eles entraram com um pontapé na porta. Os vizinhos avisaram ao filho, que é pedreiro e trabalhava na vizinhança, que chegou em instantes e sugeriu para a mãe que deixasse a polícia trabalhar. "Quem não deve não teme", disse. A polícia depois não se cansou de voltar. Bagunçavam o guarda-roupa, xingavam e humilhavam os que estavam em casa. Dona Maria contou aos policiais que era evangélica. Um deles solicitou uma Bíblia para perguntar o que estava escrito em dado versículo do Evangelho de João. "Sou analfabeta, mas entendo a palavra dos pastores e consegui responder", diz Maria. O pé de capim-santo que ela cultivava no quintal para fazer chá foi arrancado pelos policiais, para checarem se não era droga.
É PROIBIDO CHORAR
Quando viu o movimento de policiais na viela em que mora, Antonio, de 13 anos, entrou em casa correndo. Os policiais o seguiram. Na porta do barraco, um anúncio escrito a giz pela mãe oferece: "Fais chapinha." Dentro de casa, Antonio teve a arma apontada para cabeça. "Por que estava correndo? Onde é a boca?", perguntava um deles, enquanto o estapeava. Outro policial revistava a casa. Antônio, que aparenta 10 anos, estava sozinho com o irmão, de 9. Os dois choravam muito. "Cala a boca vacilão. Vamos levar você para um quartinho escuro na Febem", ameaçava o policial. Com os braços cruzados, esfregando os ombros, Antonio explica que ficou ainda mais assustado porque há alguns anos teve um tio assassinado por policiais. Os vizinhos, do lado de fora, viam tudo sem poder intervir porque temiam apanhar.
ESPINGARDA DE BRINQUEDO
Agnaldo Jesus Viana teve o sobrado em que mora, em cima do bar de sua propriedade, invadido quatro vezes. Os policiais cismaram com o jogo eletrônico que ficava na frente do estabelecimento e tinha uma espingarda a laser como acessório. Perguntaram para ele onde estavam as armas e quem fazia o tráfico na favela. Ele respondeu que "não mexia com isso". A arma do videogame foi quebrada pelos policiais. A mulher de Agnaldo, nervosa, para tentar intimidar, disse que as câmeras que ficam dentro do bar estavam gravando os abusos. Eles obrigaram o casal a retirar o material do vídeo e entregar a eles. As visitas se repetiram. Agnaldo conta que a câmera digital e o notebook do vizinho foram roubados.
QUEM APANHA É A MÃE
Solange conta que estava bêbada no dia em que apanhou da polícia. Foi reprimida depois de chegar chorando e pedindo para não baterem no filho, que estava sendo revistado. Eles se irritaram com a cena e pediram a ela que os levasse em casa para ver se não havia drogas. O filho foi junto, sob tapas e socos. Na confusão, ela acabou levando uma cabeçada do filho agredido pelos policiais. Ficou com o olho roxo. "Hoje eu só sinto ódio", diz o filho de Solange.
COMPENSADO DE MADEIRA
O ajudante geral Luiz Claudio Carlos, de 23 anos, estava na viela perto de casa sem documentos quando foi abordado por três policiais. Sem poder provar quem era, foi esculachado. Os policiais pegaram um compensado de madeira, jogaram em cima dele e começaram a pular em cima. Perguntavam sobre drogas e davam tapas no seu rosto. A alguns metros de distância, um menino jogava bolinhas de gude. Uma delas desceu em direção ao local onde ocorria a sessão de tortura. O policial perguntou o que menino queria e começou a estapeá-lo. O garoto apanhou sem dizer nada. Quando foi liberado, disse ao policial: "Muito obrigado." O soldado ficou irritado e voltou a agredir o menino.
RODÍZIO PARA BATER
Sílvio de Moraes Pereira, de 21 anos, quer ser tatuador. Tem piercings, sobrancelhas cortadas e tatuagens. Fez estágio na Galeria do Rock. Andava pela viela às 8 horas da manhã quando foi abordado e obrigado a tirar a roupa e ficar de cueca. Sentou em cima da mão e o acusaram de trabalhar no tráfico. Ele negou a ligação. Os seis homens perguntaram se ele teria coragem de levá-los à sua casa. Pereira topou. Jogaram o jovem em cima da cama e ele apanhou em rodízio: um dava socos na cara, outros nos rins e todos chutaram ao mesmo tempo com coturnos de bico de ferro, quando ele caiu no chão. Com medo de novas represálias, acabou se mudando.
CABEÇA DE MENINO
José Maria Lacerda, de 54 anos, coordenador da União de Defesa dos Moradores, revoltou-se com a prisão de William, que é deficiente mental. "Tem corpo de homem, mas cabeça de menino", explica . Em um sábado de março, policiais viram a porta da casa do jovem aberta e a invadiram, enquanto William dormia. Ele apanhou, tomou um soco na boca e foi levado como traficante e até hoje se encontra preso no CDP de Osasco.
Lacerda decidiu brigar em defesa do rapaz, que trabalhava como ajudante de carretos. Pediu ao amigo e advogado Gilberto Tejo Figueiredo, que atua na associação em processos imobiliários de usucapião, para defender William. "As testemunhas sempre são apenas os policiais que efetuam a prisão. Nunca levam os moradores que presenciaram a cena. É uma covardia", diz Figueiredo.
Mineiro, há tempos na luta por moradias, Lacerda é daqueles que preferem evitar conversas sobre crime, como se não fosse assunto de pessoa correta. Mas observa que os moradores de Paraisópolis estão sendo estigmatizados e ganharam na cidade a pecha de ladrões. "Para conseguir emprego precisamos evitar dizer o nome do bairro em que moramos", diz.
OUTROS OLHOS PARA O MUNDO
Extrovertida, vaidosa, unhas pintadas de vermelho, a cabeleireira Aurenice Soares dos Santos sempre gostou de policiais. Na última eleição, fez campanha para Gilberto Kassab. "O Kassab é um homem lindo!", diz. Passou a enxergar o mundo com outros olhos em uma manhã de março. Na viela onde mora, quatro casas foram invadidas. O marido estava no andar de cima do sobrado, com a máquina de lavar ligada. Um grupo de 11 policiais chegou ordenando que ela abrisse a casa. Nervosa, disse que não conseguia encontrar a chave.
Os policiais quebraram a janelinha da porta, colocaram a cabeça para dentro e tentaram forçar a entrada. Aurenice aguardou calada. Os policiais desistiram quando parte do grupo começou a entrar na casa de baixo. No vizinho, a polícia abriu a janela com um soco, assustando as duas irmãs de 16 e 17 anos que estavam de pijama e acordaram com o barulho. Ela ouviu o choro do outro irmão, de 3 anos, com deficiência nas pernas. Viu o filho da vizinha ser humilhado e obrigado a se sentar em cima de uma poça d?água. Enquanto a operação durou, Aurenice evitou sair de casa. Permanece em depressão e toma diazepam, clonazepan, Tofranil e Diurex.
IZAQUE CIRIACO MARTINS
Izaque Ciriaco Martins, de 26 anos, trabalha como copeiro em uma churrascaria do Morumbi e chega todo dia em casa após a 1 hora da manhã. Cansou de ser revistado nas operações da polícia. Foram pelo menos cinco vezes em que era tratado como bandido por viver em Paraisópolis. Em certas madrugadas, teve de dar longas caminhadas a pé para chegar em casa porque o caminho mais curto estava bloqueado pela polícia.
A POSIÇÃO DA POLÍCIA
O capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM diz: "A presença de criminosos na comunidade exigiu uma pronta ação, que culminou na estratégia de ocupação, objetivando criar um clima de segurança às pessoas de bem. E foi o que efetivamente ocorreu! Duas denúncias chegaram a ser feitas formalmente." E completa: "Restou provado que não houve abuso ou agressão."
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