BLOG DO ONIPRESENTE: O EXCOMUNGADO!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MÁ EDUCAÇÃO DOS TUCANOS EM SÃO PAULO DE JOSÉ SERRA E EM MINAS DE AÉCIO NEVES

Depois de SP, livros escolares com palavrão geram polêmica em Minas Gerais



Livro foi distribuído a alunos do Ensino Fundamental até a 9ª série - Reprodução/TV Globo

SÃO PAULO - Uma polêmica ganhou as ruas de Minas Gerais. Após

casos semelhantes em São Paulo,

agora foram os alunos da rede estadual mineira de ensino que receberam livros com palavrões.

Palavras de baixo calão aparecem em textos de literatura, usados em frases em que os personagens demonstram raiva. No texto aparece frases como "Quem foi o grande filho da p... que me derrubou?" e "Carimbê fica com vontade de mandá-lo tomar no c..."

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Eu fiquei bem assustada, porque eu nunca tinha visto um livro com essas palavras. São bem pesadas mesmo. Eu não gosto que falem, não falo



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O livro foi distribuído para alunos do Ensino Fundamental até o 9º ano e provocou a indignação de pais, professores e alunos. A dona de casa Rosane Ferreira levou um susto ao ler livros da filha. Entre textos, exercícios de português e matemática, ela encontrou palavrões.

- Eu fiquei bem assustada, porque eu nunca tinha visto um livro com essas palavras. São bem pesadas mesmo. Eu não gosto que falem, não falo, e não aceito que falem também - afirma.

Um professor de português, que não quer se identificar, se recusou a usar o livro em sala de aula.

- Eu fiquei indignado. O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender. Aliás, na minha sala de aula nem o direito de falar isso ele tem - afirma.

- Eu não posso mandar os alunos rasgarem o livro que é do estado, mas minha vontade foi essa - diz o professor.

O professor, no entanto, não conseguiu impedir que os alunos tivessem acesso ao livro, que continua sendo usado para as aulas de matemática.


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O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender



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- É uma falta de respeito, porque é uma escola. E isso não devia estar aqui. Não só por causa da gente, mas pelos professores também - comenta um aluno.

- Eu falei com meu professor que eu podia falar essas palavras, porque estava aprendendo no livro. Poderia falar em casa. É uma falta de respeito, porque é uma escola e isso não deve estar na escola. Não só para a gente, mas para os professores também - diz outro aluno.

A Secretaria de Educação de Minas Gerais informou que o livro foi aprovado pela equipe pedagógica e só deve ser usado por alunos que tenham mais de 15 anos.

O público leitor do livro tem idade mínima de 15 anos. O material didático, segundo ele, chegou com atraso. Somente em julho passado os adolescentes tiveram contato com a obra. Com o avançar da leitura, descobriram-se os termos.

O presidente da Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), Mário de Assis, afirmou que irá enviar hoje um ofício ao governador Aécio Neves cobrando explicações. O Ministério Público também deverá ser acionado. "Nenhum pai reclamou para a federação. Mas não me sentirei confortável caso meus filhos se dirijam a mim com os mesmos termos usados no livro", ponderou Assis.

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Por outro lado, a presidente da Associação de Professores Públicos de Minas (APPMG), Joana D’arc Gontijo, avalia que as expressões foram usadas em um contexto específico, que pretendia explorar as diversas formas de linguagem. "Não tem nada além do linguajar do dia a dia. Está mostrando a realidade nua e crua do brasileiro pobre. Indecente e imoral é roubar. Não estou defendendo o palavrão, mas houve um objetivo, que era mostrar uma comunicação mais simples", analisou Joana. Os professores deverão ser convidados pela associação para discutir o material.

Em nota, a SEE esclareceu que o livro foi examinado e aprovado pela equipe pedagógica da secretaria para ser usado na faixa etária que corresponde ao projeto. Foram distribuídos 15 mil exemplares aos alunos do programa. Ainda conforme a secretaria, o livro não será recolhido.
"O debate precisa sair da esfera moral. Recolher o livro seria lamentável. É um pecado privar os alunos de uma leitura crítica desse conteúdo", observou o pedagogo e professor da PUC Minas Luiz Carlos Rena. Outra observação do especialista é que o autor literário não precisa restringir sua liberdade. "Vale a pena debater e não condenar", disse.

Apesar de não ter tido contato com o livro, a estudante Natália Malta, 15, classificou o palavreado como impróprio. "Não acho correto para um livro. Me assusta um pouco."

OUÇA ABAIXO TRECHOS DAS ENTREVISTAS COM O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DE PAIS E A PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES:

Mário de Assis, presidente da Federação de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais

Joana D'Arc Gontijo, presidente da Associação de Professores Públicos de Minas Gerais



Flash

O texto literário que suscitou a polêmica tem cinco páginas e está inserido no capítulo "Outras Histórias, Outros Mundos, Outras Vidas"







Material constrange crianças

Esta não é a primeira vez que o uso de palavrões em livros didáticos levanta polêmica na relação entre pais e escolas no Brasil. Em maio passado, frases de duplo sentido e termos chulos foram descobertos em livros de alunos que cursam a 3ª série do ensino fundamental (faixa etária de 9 anos) de São Paulo. O material foi recolhido pelo governo.

Mas a polêmica não é novidade em São Paulo. Um livro didático de geografia, usado por alunos da 6ª série do ensino fundamental nas escolas públicas, indicava o Paraguai duas vezes em um mapa da América do Sul e excluía o Equador. Na época, a Secretaria de Educação informou que o problema era da editora, mas trocou os exemplares errados. (FP)
Publicado em: 30/09/2009


DE NOVO!

Nojento!!

O fotógrafo do site R7, flagrou o governador de São Paulo, José Serra (PSDB,) com o dedo no nariz durante visita a Ribeirão Preto (SP).(Clique na imagem para ampliar)



Suspeita: gráfica que vazou Enem é da Folha ? Será possível ? O PiG (*) seria capaz disso ?

1/outubro/2009 18:41

GraficaPlural

Na foto, o presidente da República e o seu Frias, na inauguração da Plural

O Conversa Afiada recebeu de amigo navegante suspeita estarrecedora.

A gráfica de onde vazou a prova do Enem teria sido a gráfica Plural, da Folha (*), que fica em Alphaville, em Santana do Parnaíba, perto de São Paulo.

Alguém da empresa da Folha teria vazado para um jornalista do Estadão e não da Folha.

Será possível ?

A Plural foi contratada para fazer a impressão das provas.

Será que a Polícia Federal vai ter peito de investigar a Folha ?

Clique aqui para ler sobre as últimas manipulações políticas do diretor geral da Polícia Federal, que levaram à greve na instituição.

Isso seria verdade, amigo navegante ?

Será que a tentativa do PiG (*) de derrubar o presidente Lula chegou a esse ponto: boicotar o Enem para cancelá-lo ?

Não deve ser verdade, não é isso, amigo navegante ?

Paulo Henrique Amorim

Ciro Gomes muda domicílio eleitoral para São Paulo


Deputado descarta concorrer ao governo apesar da mudança e diz que o governador de São Paulo ''quebrou o país três vezes''

Agência EstadoDo R7, com Agência Estado

O deputado federal Ciro Gomes, PSB, anunciou na tarde desta quinta-feira (1), no Palácio do Campo das Princesas, no Recife, a transferência de seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo. A mudança será assinada nesta sexta-feira (2). O anúncio foi feito juntamente com o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. De acordo com Campos, a decisão foi do próprio partido. Ciro disse que aceita com entusiasmo e que isso não significa que ele será candidato ao governo de São Paulo. Ele se mantém como pré-candidato à Presidência da República.

Na entrevista, depois de falar que o governo Lula ultrapassou brilhantemente a crise mundial, ele fez um ataque ao governador José Serra dizendo que ele foi ministro da Fazenda do governo Fernando Henrique Cardoso e que quebrou o país três vezes.

Ciro quer se lançar presidente no ano que vem, mas disse na última segunda-feira, durante filiação do vereador Gabriel Chalita ao partido em São Paulo, que não vai disputar contra a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, "em nenhuma hipótese". A ministra é a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituí-lo na Presidência.

O deputado disse ainda ao R7 que "fez uma brincadeira" ao dizer que Serra é "mais feio na alma do que no rosto". O governador respondeu na ultima segunda-feira que não iria "baixar o nível" do seu possível adversário na disputa de 2010 e Ciro disse que "os aristocratas" desqualificam o que as outras pessoas falam por "baixaria".

O que fazer para a OPOSIÇÃO parar de CHORAR: MAIS VASELINA! - Parte 14

Com IPI reduzido, venda de carro em setembro bate recorde histórico



Agência Estado

Em setembro, último mês de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros zero quilômetro com motor 1.0 as vendas de veículos no mercado brasileiro somaram 308.713 unidades, recorde histórico mensal, e que representa um avanço de 19,60% ante agosto. Na comparação com setembro de 2008, a alta é de 14,88%, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

No acumulado dos primeiros nove meses do ano, foram comercializados 2.302.096 veículos, com elevação de 4,21% ante igual intervalo de 2008. Os dados incluem automóveis comerciais leves, caminhões e ônibus

O impulso ao setor veio com a prorrogação, pela segunda vez em junho, da isenção do imposto para veículos 1.0 a gasolina ou flex, que terminou ontem. "Com a volta do imposto, as vendas de veículos devem se retrair um pouco devido, inclusive, à antecipação das compras. Mas não causará grande impacto. O fim do benefício chega num momento em que a economia está praticamente restabelecida, há oferta de crédito e consumidores confiantes", comentou o presidente da entidade, Sérgio Reze.

A partir deste mês, o IPI volta a subir até retomar a alíquota cheia em janeiro. O imposto sobe a 1,5% em outubro, 3% em novembro e 5% em dezembro. Em janeiro, volta aos 7% que vigoravam até o ano passado. Para os carros a gasolina com potência acima de 1.0 e abaixo de 2.0, a alíquota evolui dos 6 5% que vigoraram até setembro para 8% em outubro, 9,5% em novembro e 11% em dezembro. No início de 2010, serão restaurados os 13% originais. No caso dos motores bicombustíveis (flex) em veículos acima de 1.0 e abaixo de 2.0, a mudança é a seguinte: de 5,5% até setembro para 6,5% em outubro, 7,5% em novembro, 9% dezembro e 11% janeiro de 2010.

Leia mais:

Acaba isenção do IPI para carros populares, mas imposto ainda fica menor até dezembro
Fim da isenção do IPI provoca falta de carros

Considerando apenas automóveis e comerciais leves, as vendas de 296.651 mil unidades exibiram um incremento de 19,85% entre agosto e setembro. No confronto com setembro de 2008, vê-se um acréscimo de 16,71%. De janeiro a setembro, este segmento vendeu 2.211.421 unidades, o que traduz um incremento de 5,49% em relação a período correspondente de 2008. "Apesar da crise, o desempenho das vendas de automóveis e comerciais leves foi positivo, uma consequência não apenas da redução da alíquota do IPI, mas também da oferta de crédito", afirmou o presidente da Fenabrave.

Já a comercialização de caminhões e ônibus, com 12.062 unidades em setembro, mostrou avanço de 13,84% no mês, apesar da queda de 17,11% em relação a setembro de 2008. As vendas acumuladas no ano foram de 90.675 caminhões e ônibus, número 19,60% menor que os registros de janeiro a setembro de 2008. "O setor já está reagindo ao aquecimento da atividade econômica. Além disso, as vendas do segmento foram estimuladas também por iniciativas como o Programa ProCaminhoneiro e pelo aumento de 80% para 100% do valor financiável do produto na linha do Finame", disse Reze, em nota.

Segundo a Fenabrave, em setembro foram vendidas 139.686 motocicletas, o que representa um acréscimo de 2,29% na comparação com agosto, mas uma baixa de 24,24% ante setembro do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, foram vendidas 1.185.701 motos, com declínio de 21,36% ante igual período de 2008. Já as vendas de implementos rodoviários somaram 3.333 unidades em setembro, o que indica uma elevação de 16,05% em relação a agosto e uma queda de 29,19% no confronto com mês idêntico do ano passado.

Mercado

A liderança do mercado de automóveis no acumulado do ano até setembro ficou com a Volkswagen, com 25,79% de participação. A Fiat vem na segunda posição, com 25% das vendas de automóveis, seguida da General Motors, com 20,26%, e Ford, com 9,55%. Os dados foram divulgados hoje pela Fenabrave. Na categoria de comerciais leves, a Fiat está na dianteira com 22,34% do mercado seguida de GM (17,81%), Ford (13,38%) e Volks (11,04%).

No mercado de caminhões, a principal fatia é de Volks, de 30,98% entre janeiro e setembro. Mercedes-Benz vem com 28,08%, Ford com 18,51% e Volvo com uma participação de 7,89%. A Mercedes-Benz tem larga vantagem em ônibus, com 46,60%. Depois dela estão Volkswagen (27,88%), Marcopolo (16,09%) e Iveco (3,39%). Em motocicletas, a Honda aparece com 72,21% do mercado. Yamaha assumiu 12,29% das vendas de janeiro a setembro, enquanto Suzuki e Dafra apareceram com, respectivamente, 5,42% e 4,27%.

Assista: : isenção do IPI enquanto estoque durar

"VEJA" que MENTIRA!

Cidade de Sobral se revolta contra matéria porca de Veja
A sessão desta terça-feira (29) na Assembleia Legislativa do Ceará foi marcada por uma onda de protestos contra uma matéria sobre Sobral, publicada na última edição da revista Veja. Ao criticar a campanha insidiosa de Veja contra a cidade cearense, o deputado estadual Lula Morais (PCdoB) chegou a rasgar um exemplar da revista em plena tribuna.
Na tribuna, Lula Morais condena e rasga a última edição de Veja
Com o título "Vida brasileira: The United States of Sobral", Veja esculhamba a cidade localizada na região norte do estado. Segundo a matéria, "sob inspiração francesa, Sobral ergueu seu arco do triunfo. Agora, usa ônibus escolares americanos e incentiva a prática do beisebol". A reportagem tacha ainda o ex-prefeito do município e atual governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), como "o ex-escoteiro socialista que implantou no sertão uma amostra do american way of life".

Moradores, lideranças e autoridades de Sobral não passaram recibo. Segundo o blog do jornalista Eliomar de Lima, entidades de moradores devem "promover, no próximo sábado, no tradicional 'Beco do Cotovelo', um ato de protesto contra a Veja". A matéria da revista, diz Eliomar, foi interpretada "como uma gozação e desrespeito para com os moradores e, principalmente, políticos da terra como o governador Cid Gomes e o seu irmão, o presidenciável Ciro Gomes (PSB)".

Parlamentar algum passou recibo. O vice-líder do Governo, deputado Roberto Cláudio (PHS), demonstrou indignação à reportagem, que se reporta, de forma "jocosa e desrespeitosa", como classificou ele, a Sobral. Para o deputado, a matéria foi "fundamentada em argumentos falaciosos, utilizando dados imprecisos e inverdades para criar uma tese preconceituosa com o Estado do Ceará".

Em aparte, o deputado Moésio Loiola (PSDB) disse que a matéria não é nem trágica, mas "gaiata". Na opinião dele, a intenção é ferir toda e qualquer pretensão do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) na corrida presidencial. Os deputados Dedé Teixeira (PT) e Manoel Castro (PMDB) também reforçaram as críticas a matéria da revista.

O líder do PSDB, deputado João Jaime se solidarizou com a revolta de Roberto Cláudio, dizendo-se chocado com a matéria. "Todas essas coisas que orgulham o sobralense foram colocadas numa situação de deboche e deve ser repudiado por todos nós", reiterou.

Já o deputado Luiz Pontes (PSDB) refutou as declarações do jornalista Leonardo Coutinho, autor da matéria vil. De acordo com Pontes, Sobral passou por grandes problemas administrativos e, quando está bem, é um referencial para a Zona Norte. "Sobral mostra a sua pujança. Prefiro ignorar esse jornalista, que não conhece a cidade", concluiu.

O deputado Hermínio Resende (PSL) também ressaltou que a única intenção da matéria foi combater a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Para o primeiro secretário da Mesa, deputado Zezinho Albuquerque (PSB), o jornalista "estava de porre e não conhece Sobral". Segundo o parlamentar, "Sobral é saneada quase na sua totalidade. Foram centenas de obras feitas lá graças ao trabalho dos sobralenses".

Leia abaixo a íntegra da matéria.

Vida brasileira: "The United States of Sobral"

É assim que os cearenses chamam a cidade de Cid Gomes, o ex-escoteiro socialista que implantou no sertão uma amostra do american way of life

Por Leonardo Coutinho, de Sobral

Encravada no sertão cearense, a cidade de Sobral cultiva estrangeirices com tal entusiasmo que passou a ser conhecida no resto do estado pelo título desta reportagem: "The United States of Sobral". Lá, circulam ônibus escolares americanos (originais), que, além de serem amarelos como os que se veem nos filmes, ainda trazem a inscrição em inglês: School Bus. Lá, pratica-se beisebol - ou uma versão rudimentar do jogo, segundo a confederação brasileira desse esporte. Lá, o Kentucky Derby, uma das mais tradicionais competições do circuito do turfe dos Estados Unidos, inspirou a criação do Derby Club Sobralense. A diferença é que, sob o sol do agreste, os jóqueis treinam com calção de futebol. Lá, a população apelidou o parque da cidade de "Central Park", parodiando seu congênere nova-iorquino. A veia, digamos, cosmopolita de Sobral não é nova, mas ganhou força entre 1997 e 2004, quando a cidade foi administrada por Cid Gomes, do PSB, o atual governador do Ceará. Desde então, já há quem veja semelhanças entre o Rio Acaraú, que corta a cidade, e o Hudson, que banha Nova York.

Antes de Gomes, a cidade mimetizava europeísmos, por obra e graça (muita graça) de um bispo que mandou e desmandou naquelas bandas durante a primeira metade do século XX: dom José Tupynambá da Frota. Ele queria conferir a Sobral um ar francês e, entre outros lampejos geniais, teve a ideia de homenagear Nossa Senhora de Fátima com um monumento inspirado no Arco do Triunfo, erguido em Paris por Napoleão Bonaparte, para comemorar suas vitórias militares. O monumento está localizado na Avenida Boulevard do Arco. Como tem bares e restaurantes, os sobralenses fazem uma associação imediata. "Ela lembra a Champs-Elysées de Paris", diz o colunista social Arnaud Cavalcante. Sob o domínio do socialista Cid Gomes, Sobral passou a se espelhar nos Estados Unidos. Ele começou a imaginar a aparência globalizada de Sobral em 1996, ainda na condição de deputado estadual. Escalado pela assembleia cearense para a árdua tarefa de fazer um périplo pelas câmaras legislativas americanas, Cid voltou dos Estados Unidos cheio de projetos. No ano seguinte, ao assumir a prefeitura, passou a pô-los em prática.

Seu irmão mais velho, Ciro Gomes, ajudou-o a dar os primeiros passos na americanização de Sobral. Em 1998, Ciro, que frequentou um curso de inglês básico na Universidade Harvard, convenceu uma fundação a doar 36 school buses usados para a prefeitura do irmão. O município precisou arcar somente com o frete dos veículos. Pena que houve um inconveniente: no Ceará, não existem peças nem mecânicos especializados para esse tipo de ônibus. Por isso, eles foram sendo encostados à medida que precisavam de manutenção. Dos 36 ônibus, só três ainda estão em circulação. Numa boa iniciativa, inspirada pelo empenho acadêmico do irmão mais velho, o então prefeito Cid resolveu que daria proficiência em inglês aos alunos das escolas públicas. Para tanto, instalou o Palácio de Ciências e Línguas Estrangeiras em um casarão neoclássico onde funcionou aquele que foi o clube mais elegante da cidade, o Palace. Construiu também um museu em memória da missão de cientistas ingleses que foi a Sobral em 1919, para tentar comprovar a teoria da relatividade por meio da observação de um eclipse. Hoje, o prédio abriga um relativamente bom observatório astronômico.

Sob a influência de Cid, a cidade foi adotando costumes de climas temperados. A 27 quilômetros do centro, a Serra da Meruoca, um maciço rochoso de 920 metros de altura, sofisticou-se. Em casas com lareira, os ricos aproveitam temperaturas que dizem ser 15 graus mais baixas do que a média de Sobral (30 graus), para usar seus casacos elegantes - um deles, como não poderia deixar de ser, é Cid. Nos restaurantes da Meruoca, saboreiam-se fondues, sopas e chocolate quente. E um festival de inverno oferece atividades culturais aos turistas. É a Aspen do Ceará.

No fim de sua gestão como prefeito, Cid patrocinou três equipes de beisebol e prometeu construir um campo exclusivo para a prática do esporte nas margens do Acaraú - que jamais saiu do papel. "Mas, quando ele era prefeito, nós tinhamos prioridade para usar o campo de futebol", pondera Reinaldo Marques Filho, treinador de todos os times de beisebol locais. Marques Filho é amigo de Cid desde a infância, quando eles viviam sempre alertas como escoteiros.

Esses rasgos modernizadores garantiram a Cid uma enorme popularidade. Muitos sobralenses o chamam de "El Cid" e o identificam como o redentor de uma profecia feita pelo bispo Tupynambá da Frota, o do arco do triunfo. Ao morrer, em 1959, ele previu três décadas de estagnação para Sobral - estancada pelo socialista yankee. Hoje, boa parte do maior reduto eleitoral do ex-prefeito e atual governador ainda é abastecida por carros-pipa, não fornece água tratada a toda a população nem dispõe de saneamento. Em Sobral, as principais causas de morte são as doenças infecciosas e parasitárias. Mas as ruas são iluminadas e a polícia se desloca, no confortável estilo "Miami Vice", em carrões equipados com ar-condicionado e câmbio automático. Graças à Votorantim e à Grendene, que empregam 12% da população, o comércio local é vigoroso. Cid agora quer mais um retoque à sua Nova York: metrô. No início do mês, lançou uma licitação para começar as obras. Em Fortaleza, a capital, cuja população é catorze vezes a de Sobral, o metrô local ainda não transportou ninguém. Está sendo construído desde 1999. Very good, Cid.

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