quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tiririca é absolvido pela Justiça Eleitoral e deve tomar posse

O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, absolveu nesta quarta-feira (1º) o deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, na ação penal que apurava se ele teria inserido declaração falsa, afirmando saber ler e escrever, entregue no pedido de registro de candidatura para as eleições 2010.

Tiririca teve mais de 1,3 milhão de votos na eleições do dia 3 de outubro, sendo o deputado federal mais bem votado do país.

Silveira entendeu que basta o conhecimento rudimentar da leitura e da escrita para se afastar a condição de analfabeto. "A Justiça Eleitoral tem considerado inelegíveis apenas os analfabetos absolutos, e não os funcionais", considerou o juiz.

O juiz afirma na sentença que Tiririca não é um analfabeto absoluto e portanto tem todas as condições de exercer seus direitos políticos.

"O acusado submeteu-se por duas vezes ao exercício da leitura, seguido de compreensão de texto, a afastar qualquer dúvida quanto a não ser um analfabeto absoluto, pelo menos para fins de exercício de seus direitos políticos", diz o juiz na sentença.

De acordo com o juiz, "do conteúdo probatório trazido pela defesa e complementado pelo ditado simples, seguido de leitura e compreensão de texto, impõe-se a sua absolvição sumária quanto ao fato imputado no aditamento da denúncia, com fundamento no disposto no artigo 397, III do CPP (que o fato narrado evidentemente não constitui crime), tornando irrelevante a investigação sobre quem, como ou em que circunstâncias a declaração que continha a afirmação de que saber ler e escrever foi produzida".

Tiririca também foi inocentado no que diz respeito à acusação de falsidade na declaração de bens. De acordo com a sentença, o acusado juntou cópia de seu imposto de renda, por meio da qual confirma que não possui bens. O juiz explicou que, ainda que bens houvesse, o acusado poderia responder por sonegação fiscal e não pelo delito de falsidade ideológica para fins eleitorais.

A decisão é mais uma derrota --talvez a derradeira-- para o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes, do Ministério Público Eleitoral, que nos últimos meses protagonizou uma verdadeira perseguição pessoal contra o deputado eleito. Ele já anunciou que irá recorrer até a última instância possível dos tribunais superiores para tentar evitar que Tiririca se torne deputado.

A diplomação de Tiririca e dos deputados eleitos no Estado de São Paulo está marcada para o dia 17 de dezembro, e a posse, para o dia 1º de fevereiro, em Brasília.

Direitos Humanos quer punir Bolsonaro por homofobia

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara (CDH) discute nesta quarta-gfeira (1o) a celeuma provocada pelas declarações homofóbicas de um de seus membros, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Os parlamentares vão analisar as possíveis providências a serem tomadas em resposta à “receita” do deputado para mudar a opção sexual de menores. Em entrevista à TV Câmara, ele sugeriu aos pais dar “um couro” no filho para mudar eventual inclinação homossexual.

A presidente da comissão, a deputada Iriny Lopes (PT-ES) afirmou que tal declaração agride duas vezes os direitos humanos, por pregar a violência contra crianças e por estimular reações homofóbicas. “É um absurdo escolher para a CDH pessoas que passam longe do espírito da comissão”, disse.

Ela considerou que falta pouco mais de um mês para terminar o ano legislativo, mas que é necessário alguma providência para mostrar o descontentamento com relação à posição de Bolsonaro.

Iriny criticou as indicações para as comissões de representantes sem afinidade com o trabalho por elas desenvolvido. “Eles vão para fazer o contraponto ao direito dos índios, crianças e outros, é um contrassenso que temos de impedir”, disse.

Membro da comissão, o deputado Pedro Wilson (PT-GO) considerou inadmissível um parlamentar que integra um colegiado que tem como um de seus objetivos a defesa da livre orientação sexual e não violência fazer declarações como as feita por Bolsonaro.

“Essa não é a primeira vez que este parlamentar age desta forma. Não podemos deixar passar em branco. Cada um tem livre arbítrio, mas o limite da ética e do respeito precisa ser preservado. Vamos discutir essa questão e a comissão tomará a iniciativa que achar mais conveniente”, afirmou.

Em entrevista à imprensa, Bolsonaro ironiza a reação dos colegas. “Estou me lixando para eles, eu sou um dos poucos (integrantes) heterossexuais, então sou minoria, eles têm de respeitar as minorias”, disse, debochando das reações de seus colegas parlamentares.

Fonte: Informes PT

Marcadores