quarta-feira, 19 de abril de 2006

Lu pedia as peças de alta costura, confirma estilista.

O estilista Rogério Figueiredo confirmou ontem em depoimento ao Ministério Público (MP) paulista que doou entre 2001 e 2003 peças de alta costura para a ex-primeira-dama do Estado de São Paulo Lu Alckmin, mulher do pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB). Figueiredo disse que Lu pedia ela mesma ou pela assessoria as peças, determinando o modelo e a cor de acordo com o evento.

Ele não soube dizer quantas peças foram ou os valores, mas afirmou que eram mais do que os 49 admitidos por Lu. O MP investiga se as doações configuram ato de improbidade administrativa. À época, Lu presidia o Fundo de Solidariedade do governo de São Paulo e não registrou as peças recebidas.

Figueiredo enfatizou que não doou as peças para o fundo ou para a presidente, mas para alguém em evidência na sociedade. Ele sustentou que é comum estilistas fornecerem peças para celebridades porque isso traz prestígio ao profissional. "É muito comum no meio dele esse tipo de permuta", argumentou o advogado do estilista, Vinicius Abrão.

"Pode ser normal, mas não quer dizer que seja correto. Tenho de verificar se isso configura ou não ato de improbidade", disse o promotor encarregado do caso, Saad Mazloum. Ele pedirá esclarecimentos de Lu, mas ainda não determinou se vai chamá-la para depor ou se pedirá uma declaração por escrito. Antes, espera do estilista dados como a quantidade exata das peças, as datas das doações e os valores envolvidos. A assessoria de Alckmin informou que Lu se pronunciará no MP quando for notificada. Alckmin preferiu não comentar o assunto.

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