De Gilberto Dimenstein/Folha S Paulo
Crise política
Serra, PT e o pior dos sanguessugas
O dossiê contra José Serra conseguiu manter animado o debate sobre corrupção no país. Dessa vez lançam-se duas suspeitas: o envolvimento da alta cúpula do PT num jogo sujo de chantagens e a eventual participação do ex-ministro da Saúde em falcatruas. São apenas suspeitas, não há, por enquanto, nenhuma comprovação contra Serra ou contra a direção do PT. Vai-se discutir, por muito tempo, esse tema -- e aí está um dos piores efeitos dos sanguessugas em particular e da corrupção, em geral.
Mais do que o dinheiro que a corrupção custa ao Brasil, a bandalheira tem uma conseqüência terrível: o tempo usado pelos políticos para investigar desvios de recursos ou mesmo para buscar apenas os holofotes. Imagine essa mesma intensidade investigatória drenada para debater com mais profundidade os problemas nacionais, averiguar eventuais saídas e apressar votações.
Sabe-se que está, em parte, nas mãos do Congresso empreender reformas, capazes de acelerar o crescimento econômico, racionalizar os gastos públicos, combater desperdícios. São questões urgentes e gravíssimas. Não deveriam ter tempo a perder.
A corrupção custa dinheiro, desmoralização da política, desmotivação da máquina pública, estímulo à delinqüência. Mas também custa muito tempo que poderia estar sendo empregado em tarefas urgentes nas áreas da educação, segurança, infra-estrutura e assim por diante: isso é o pior dos sanguessugas. Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.
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