Fabio Grecchi
O que serviu para Geraldo Alckmin foi extremamente maléfico para Denise Frossard, no debate de ontem à noite, na TV Bandeirantes. A tentativa de ser agressiva e de atrelar Sérgio Cabral ao casal Garotinho foi mal-sucedida. Motivo: despreparo.
A candidata acreditou poder colocar o rival contra a parede ficando apenas na ofensiva, resvalando sempre na crítica à moral e ao relacionamento político construído por Sérgio. Mais assertivo e com o roteiro a ser desempenhado no debate bem ensaiado, o senador inverteu o jogo e expôs Denise de uma forma que ela e seus assessores não esperavam. Retratou-a como alguém que conhece pouco da tarefa que pretende abraçar se vencer dia 29.
Denise até que começou bem. Cobrou de Sérgio, logo de cara, notícia divulgada por coluna de jornal na qual o PMDB local estaria afirmando que, no rateio da máquina pública entre as legendas que o apóiam, o partido ficaria com o filé mignon - Detran, Cedae, inspetorias da Secretaria de Fazenda etc. O candidato refutou a nota, afirmando que sua autora a estaria desmentindo na edição de hoje. E desviou o assunto afirmando que seu futuro e eventual governo será de parcerias, pois o Estado não agüenta mais isolamento.
Denise não se intimidou e acusou Cabral de tentar, via advogados, impedi-la de usar a reportagem no debate. E tripudiou ao afirmar que não ficava bem para alguém que se apresenta como jornalista tentar censurar o adversário.
Sérgio, porém, não se abalou e na sua vez de perguntar, puxou o assunto para as propostas de cada um para a educação. Explanaram sobre o assunto, mas como a tréplica era de Denise, ela não resistiu à alfinetada: quis saber por que, como ex-presidente da Alerj, o adversário não fizera no governo dos Garotinho aquilo que se propunha a fazer agora.
O segundo bloco foi um festival de pegadinhas. Começou com Sérgio lembrando Garotinho, em 2002, quando perguntou a Lula sobre a Cide. Desta vez, porém, o assunto era a lei de participação especial relacionada ao petróleo, com vistas a recompor aquilo que o Estado não fatura apenas com o recebimento dos royaties. Denise, porém, não perdeu a chance de acusá-lo de omissão como senador, pois teria faltado a 52% das sessões legislativas.
Sérgio encaixou mais uma pegandinha e, na terceira, Denise fraquejou. Se recusou a responder ao adversário por acreditar que a pergunta fora formulada de forma que somente ele respondesse. Deu a possibilidade a Sérgio de despejar cátedra, permitiu que passasse preparo pelo menos para discutir questões espinhosas com o secretariado. Ainda que tal conhecimento seja enciclopédico, o gesto de Denise tirou dela muitos pontos.
O pior, porém, estaria por vir. No terceiro bloco, a candidata permitiu que Sérgio deitasse e rolasse. Bem ensaiado, o candidato do PMDB pareceu conhecer tudo em relação ao Estado e Denise, nada. A ponto de ele destacar, não sem razão, que a deputada não tem qualquer idéia sobre o funcionamento do Legislativo e do Executivo. Impressionou o despreparo que ela demonstrou, mostrando que no mínimo lhe faltou assessoria para enfrentar um rival bom de "decoreba". Fosse um round de boxe, o juiz teria aberto contagem contra Denise pelo menos umas três vezes.
No quarto bloco, o único ponto relevante foi quando um jornalista perguntou a Cabral como ele agiria, se governador, num episódio como o do ônibus 174 - quando um bandido fez 10 pessoas reféns e o desfecho terminou na morte dele e de uma passageira. O candidato do PMDB saiu-se muito bem ao afirmar que tinha de acompanhar a ação, jamais interferir na ação policial. A ponto de Denise ser obrigada a concordar com ele.
Ainda que neste bloco tenha sido o momento em que os candidatos tiveram mais condições de mostrar propostas, sem pegadinhas e projetos mirabolantes, a fatura já estava ganha para Sérgio. Que a partir dali só administrou a vantagem que Denise lhe dera.
Pesquisas
O Datafolha e o Vox Populi fazem pesquisas de intenção de voto presidencial em todo o país hoje e amanhã. O Ibope, nos dias 17 a 20, além de levantamentos regionais no Rio de Janeiro (de 15 a 19), Pernambuco (de 14 a 18), Maranhão (de 14 a 18) e Rio Grande do Norte (de 16 a 20).
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