segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Só com Nobel

Carlos Chagas

Tem gente no PSDB protestando porque o ex-presidente Fernando Henrique não recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Também poderia ter sido o Prêmio Nobel de Literatura. Até o de Física e o de Química. O importante é que o sociólogo tivesse recebido algum laurel, porque isso o afastaria da campanha presidencial e, com sorte, até mesmo do território nacional, para colher lá fora as glórias de sua capacidade. Não tendo sido premiado, FHC é um perigo vivo, não para o presidente Lula, mas precisamente para Geraldo Alckmin. Na semana que passou, em entrevista a um jornal, saiu-se com mais pérolas.

A primeira, de que quando o presidente Lula se elegeu, em 2002, o PT recusou-se a fazer uma aliança com o PSDB. Ignora-se onde Fernando Henrique descobriu essa possibilidade de aliança, porque líderes tucanos e petistas consultados agora não confirmam, muito menos a leitura das colunas políticas da época revela um mínimo sinal.

Em seguida, a afirmação de que o governo Lula manteve altas as taxas de juros. É meia verdade, porque apesar de altíssimos os juros vieram baixando nos últimos quatro anos. E quem os levou e deixou na estratosfera senão o próprio?

As besteiras ditas por FHC

Lê-se, depois, uma heresia sociológica, de que a sociedade precisa ser independente do estado. Trata-se de conversa que nem o mais empedernido dos neoliberais aceitará sem sorrir. Porque o estado é a sociedade organizada. É filho da sociedade, umbilicalmente ligado a ela. Dar independência à sociedade significa que ela poderá gerar outro estado, como dar independência ao estado será passaporte para ele criar outra sociedade...

Mas tem mais. FHC afirmou não haver divisão entre ricos e pobres, mas entre o Brasil atrasado e o Brasil moderno. Ora bolas, alguém já imaginou um Brasil moderno constituído de mendigos, ainda que um Brasil atrasado possa ser dirigido por ricos?

Só para pinçar mais uma incongruência, vale referir o que respondeu sobre a atualidade: "O crescimento nacional ficou estagnado, apesar da abundância de liquidez no mercado mundial".
Para quem endividou o Brasil como nenhum outro, passando a dívida pública de R$ 60 para 800 bilhões, apesar das privatizações desmedidas, trata-se de uma confissão de fracasso. Primeiro, porque a estagnação foi herança do governo dele. Depois, porque a liquidez no mercado mundial só nos favoreceria se fôssemos credores, não devedores...

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