segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Serrista nega "refundação" do PSDB e dá "chega-pra-lá" em Aécio

O candidato derrotado da oposição à Presidência, José Serra, deve continuar a influir decisivamente nos rumos do PSDB, e a renovação propagada por lideranças que emergiram mais fortes das urnas dependerá menos da reacomodação destes quadros na hierarquia partidária do que se imagina. A tese é do presidente municipal do PSDB de São Paulo, José Henrique Reis Lobo, um serrista de carteirinha.

Escalado para responder às investidas do senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) contra Serra, Lobo diz ver no ex-governador paulista "um papel fundamental" na oposição e rechaça a ideia de "refundação" do partido ancorada em novas lideranças. Vai além: ele também relativiza a ideia de que Aécio Neves é o candidato natural para 2014.

"Francamente, eu não entendi bem, até agora, o que quer dizer 'refundação' do PSDB, porque ninguém ainda explicou devidamente", afirmou Lobo. O porta-voz de Serra também deixa claro que a crise tucana continua — e faz entender que a divisão do partido só está começando. Segundo ele, os planos de Aécio de figurar como candidato de consenso da oposição à Presidência em 2014 encontrarão forte resistência em São Paulo.

Leia a seguir trechos de sua entrevista ao portal Estadão.com.br

Estadão.com.br: Durante a campanha o PSDB acreditava, até o fim, que ganhariam as eleições, ou houve um momento em que ficou claro que elas estavam perdidas?
Lobo: Quem disputa uma eleição nunca acha, de todo, que vai perdê-la. No nosso caso, cerca de dez dias antes do segundo turno, nossa avaliação era de que a situação estava muito complicada. Afinal, as pessoas encarregadas de fazer a leitura das pesquisas diziam que a vitória seria possível desde que ganhássemos a eleição em São Paulo com uma diferença de três milhões e meio a quatro milhões de votos, empatássemos em Minas Gerais e perdêssemos no Rio de Janeiro por, no máximo, quinhentos mil votos.

A constatação que fazíamos, no entanto, era de que não tínhamos fôlego para isso. Mesmo assim, em nenhum momento desanimamos, porque, baseados em experiências anteriores, sabíamos que, numa campanha, quando menos se espera surge um fato novo, capaz de mudar radicalmente a sorte das eleições.

Estadão.com.br: Após a derrota de Serra, o ex-governador de Minas, Aécio Neves, sugeriu que o PSDB precisará passar por uma "refundação". Qual será o papel reservado ao partido nos próximos quatro anos?
Lobo: Francamente, eu não entendi bem, até agora, o que quer dizer "refundação" do PSDB — porque ninguém ainda explicou devidamente. Se a expressão for apenas um eufemismo usado pelos que querem a renovação das lideranças do partido, pessoalmente tenho outra opinião, porque não acho que interesse ao PSDB e nem mesmo ao Brasil que se aposentem figuras com a experiência e a competência, por exemplo, dos ex-governadores José Serra e Tasso Jereissati e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Esses são, a meu ver, líderes insubstituíveis, que, no entanto, podem e devem conviver com lideranças que emergem das urnas, como os governadores Geraldo Alckmin, Antonio Anastásia, Beto Richa, Marconi Perilo e os senadores eleitos Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira. Para mim, é o conjunto dessas e de outras lideranças que darão a cara do PSDB nos próximos quatro anos e a "refundação" do partido se dará não pela substituição das atuais lideranças, mas pela definição do tipo de oposição que pretendemos fazer ao governo que vai se instalar.

Estadão.com.br: Qual é o futuro de Serra dentro do partido e quais são seus horizontes políticos? Ele seria um bom candidato a prefeito de São Paulo em 2012?
Lobo: Tenho a impressão, nesse momento, de que é outro o papel que lhe está reservado na vida pública nos próximos anos. Serra é um nome de expressão nacional. A oposição, que a candidatura de Serra representou, vai ter que estar vigilante. Para cumprirmos o papel que a sociedade nos atribuiu, penso que vamos ter também que estar atuantes, confrontando sempre os projetos e as políticas do futuro governo com os que temos para o País e com os quais nos apresentamos para a nação brasileira. Se for isso mesmo, esse contexto vai impor um papel fundamental a José Serra, que extrapolará o de candidato a Prefeito de São Paulo.

Estadão.com.br: Caso Gilberto Kassab deixe mesmo o DEM para ingressar no PMDB ou outro partido político, o que muda na relação do PSDB com o prefeito?
Lobo: É muito difícil falar sobre hipóteses e, no caso, são duas as que estão colocadas. A primeira é a do prefeito sair do DEM e ingressar em outro partido político. A segunda é a do que acontecerá com relação aos tucanos se isso se confirmar. Para falar a verdade, se o fato ocorrer, as variáveis seriam tantas e teriam ainda que ser combinadas com tantas outras que nem o matemático Oswald de Souza seria capaz, nessa altura, de responder a essa questão.

No momento, o que importa é deixar claro que o DEM e suas principais lideranças nacionais, entre as quais o prefeito Gilberto Kassab, foram parceiros do PSDB na última campanha e revelaram uma lealdade exemplar às candidaturas de Geraldo Alckmin e de José Serra. Figuras como Jorge Borhausen, Rodrigo Maia, Guilherme Afif Domingos e Índio da Costa, entre tantos outros, foram expoentes das campanhas do PSDB. Eu acompanhei tudo isso muito de perto e acho importante que se faça esse reconhecimento.

Estadão.com.br

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